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Portugal, a opacidade que a ninguém incomoda e de que ninguém fala

 
 Depois de ter assistido, em parte, ao último debate da Nação (esta quinta-feira que passou) e de ter ouvido o Sr. Primeiro-Ministro responder, a dada altura, que quem acha que está tudo mal em Portugal não pode governar, pois não acredita na mudança  (excelente argumento, que caiu em mim como uma luva!), senti necessidade de abordar um tema que há muito me incomoda por não responder à minha demanda, de há um ano a esta parte.
 O da opacidade do Estado (site do governo), no que diz respeito a informação relacionada com as empresas que, independentemente da sua dimensão, e em democracia, deveriam constar de um registo que, sendo oficial, fosse, também, público. *(vide informação abaixo sobre a Transparência, responsabilidade e prestação de contas no Reino Unido)
 De tão básico, mesmo pueril, se não for com a intenção de ocultar informação (razão para a qual me sinto inclinada a acreditar!)  o Gov.pt é uma verdadeira decepção.
 Muito estranho também é o facto de, nem os diferentes partidos políticos, nem os media, abordarem este tema que tanto e a tantos ajudaria, a começar pelo próprio Estado português.
 Para além de contribuir para o combate e prevenção da corrupção em diferentes áreas, há algumas, mais sensíveis como a da Saúde, por exemplo, cuja transparência empresarial poderia alertar o Estado para os cuidados a ter com a atribuição de subsídios, subvenções e outros e na realização, potencialmente mais criteriosa, de protocolos clínicos e assistenciais.
 Não há necessidade de fomentar e de praticar  actos de denúncia; é um recurso tão vil como condenável, sobretudo quando é praticado a coberto do anonimato.
 Basta a Transparência!!!
 Dói-me quando sinto e sei que os impostos que pago (por vezes a tanto custo!) são malbaratados, indevidamente utilizados e aproveitados para o enriquecimento de alguns, aqueles, os "espertalhões" cujos negócios, de fraquíssima qualidade, vão prosperando à custa da ineficácia do Estado, em termos de inspeção e supervisão.
 Nós, portugueses contribuintes, precisamos de transparência (de facto!), de responsabilidade/responsabilização, de maturidade na governação e de prestação de contas, doa ela a quem doer, e é ao Estado que compete a concretização destes objectivos.

* Reino Unido: Transparência, responsabilidade e prestação de contas

GOV.UK
Find and update company information
Uma secção/página do site com informações genéricas:
1.Overview - visão geral
Contas
Código ou códigos da natureza do negócio/s
Data de incorporação
Data última declaração e da próxima;
2.Filing history - Uma outra com o seu arquivo histórico
3.People - Uma outra com a identificação e morada do proprietário e respectivos gestores;
4. Snapshot - um resumo da situação e histórico da empresa

Falar de direitos, ignorar deveres e contributo imigrantes


 Fala-se tanto nos direitos dos trabalhadores e, curiosamente, ninguém aborda o tema dos respetivos deveres!!!
Apesar de já ter refletido sobre este assunto aqui, neste espaço, em Greves às Sextas, com o pacote laboral chumbado no Parlamento - depois de infindáveis meses de negociações com os diferentes parceiros sociais -, as discussões à volta das diferentes medidas nele incluídas e atendendo, a uma tão inusitada como acérrima defesa dos direitos dos trabalhadores (por parte de um improvável actor da "extrema-direita"), senti o apelo de voltar a falar sobre o tema.
 Sobretudo depois da notícia abaixo publicada que, imagino, a poucos terá deixado surpreendidos.

"Em 2025, a produtividade por hora em Portugal caiu para 66,8% da média da União Europeia, interrompendo uma trajetória de convergência que durava há quatro anos."

 Por aquilo que vou sentindo, vivendo e observando, no decurso do meu dia-a-dia, salvo raras e meritórias excepções - desde os serviços públicos, ao comércio, passando pela prestação de serviços - para além da gritante e notória falta de profissionalismo, facilmente nos apercebemos do desinteresse e total falta de empenho por parte de quem nos atende, o que me leva a acreditar que, muito provavelmente, para além de não gostarem do que fazem, estão completamente desligados do que deveria ser a cultura de trabalho da empresa ao serviço da qual estão vinculados.

Candidatam-se e ocupam postos de trabalho apenas e exclusivamente para garantirem, não só um rendimento ao fim do mês, como os direitos que estão associados ao universo laboral, nomeadamente os relacionados com a Saúde e Segurança Social.

 Na região onde vivo, o esquema é garantir contratos de trabalho pelo tempo necessário e suficiente para assegurar o direito ao subsídio de desemprego nos meses restantes, os de Inverno.
 Assim se desvirtuou o conceito de "emprego", reduzido a uma dimensão individualista e meramente utilitária de quem a ele recorre e se passou a menosprezar a componente/dimensão produtividade no trabalho, implícito a qualquer actividade humana.

 Enquanto houve mão de obra estrangeira, constituída por uma população de imigrantes - inicialmente vindos do Leste Europeu e, posteriormente, não só do Brasil, como de países do continente africano de Língua oficial Portuguesa e Hindustão - com uma outra cultura de trabalho, distribuída por diferentes áreas de actividade e cuja oferta garantia e assegurava os serviços básicos, pouca atenção era dada à prestação dos autóctones, pois havia quem trabalhasse e produzisse riqueza.

 Existe um Portugal antes do Chega e outro, o actual, contaminado, pejado de preconceitos, racista, arrogante, bem mais pobre e intolerante em termos de acolhimento, depois de André Ventura.

 Entretanto tudo mudou!
Muito e para pior.
Tanto em termos políticos, como económicos e socio-culturais.

Instilado o veneno sob a forma de ódio, encontrado um bode expiatório e propagada a ideia de que os imigrantes eram a causa de todos os males deste país - por, entre muitas outras razões, ocuparem postos de trabalho que deveriam ser ocupados por portugueses e estarem dependentes dos apoios da segurança social - desencadeou-se uma feroz guerra aos imigrantes promovida pelo Chega e acatada e abraçada pelo próprio governo.

 Isto num país envelhecido, com uma elevada percentagem de população com baixa escolaridade, sem hábitos de leitura e "formados" nas redes sociais (os mais novos).

 Quanto aos imigrantes, acossados, humilhados e maltratados*, começaram a procurar outros destinos, a começar pela nossa vizinha Espanha, sempre mais visionária, racional e pragmática...

 Pobres, humildes, completamente desprotegidos, mas flexíveis, versáteis, despretensiosos, muito trabalhadores e sem exigências, os mesmos que - muito embora tendo consciência de estarem a ser explorados, não só pelas redes de tráfico humano (para exploração laboral), como por empregadores e eventuais senhorios - se empenhavam, trabalhando muito para além do horário de trabalho regulamentado, a tudo se sujeitando, por deles dependerem bocas para alimentar nos países de onde eram e são oriundos.

* Tenho assistido e  continuo a assistir incrédula, com uma enorme revolta interior, ao ponto de me virem as lágrimas aos olhos.
E dói, dói mesmo muito!!!

Ilustr. Google e Instagram

Indigência política


 Por mais pragmático que se seja, perante esta pequeníssima amostra de indigência política, é difícil aceitar que o actual governo, oriundo de um partido de matriz social-democrata, permita ser manipulado por alguém tão desestabilizador e desprezível - falam os comportamentos presentes e passados, os discursos subliminares de apelo ao ódio e à violência, os gritos, as atitudes, a falta de educação e de sentido de Estado, entre outros! -  como André Ventura, a personificação do Chega.
 Espero que a AD e o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. Luís Montenegro, respeitem e tenham em consideração a vontade e a mensagem de todos aqueles que, tendo-se pronunciado a seu favor, contribuíram para a sua eleição.
 Espero que não desperdicem o capital de confiança de que são detentores porque, se o fizerem, penso que o PSD português deixará de ter razão de existir.
 Sei que tem sido difícil, desgastante, mesmo espinhosa, a tarefa de estarem dependentes da cooperação (ou falta da mesma) dos restantes partidos no Parlamento para obter a aprovação do seu programa, uma vez que não têm uma maioria parlamentar.
 Quanto ao PS, partido do "arco da governação", tem mantido uma postura lamentável, de constante boicote e total falta bom senso, visão estratégica e compreensão do que tem estado e está em jogo.
 Falta, infelizmente, à sua actual direcção a inteligência, a experiência, a sagacidade e essa ímpar, nacional e internacionalmente reconhecida, capacidade de negociação do Dr. António Costa!!!
Mas, apesar de todas estas dificuldades, nem tudo vale.
 Ou fazem a diferença, enfrentando a "besta" e resistindo, não só à irresponsabilidade (não é governo!), como ao populismo discriminatório e vacuidade das propostas e contra-propostas apresentadas  - de cariz redutor, provinciano e meramente doméstico - ou esfumar-se-ão na espuma dos dias, das cedências que forem fazendo e nas respetivas  consequências.
 Que haja bom senso no Parlamento e, se possível, alguma réstea de carácter!
Ilustr. Google

Comércio Local, a ditadura do pagamento em dinheiro

 Há anos que vivo quotidianamente com esta situação, que me sujeito às "regras"/caprichos impostos pelos comerciantes locais, mas confesso que começo a estar muito farta e a ficar, intelectualmente, menos tolerante perante esta desfaçatez!
 Não sei se a situação se generaliza ao país inteiro (espero que não!) mas aqui, na região onde vivo, o Algarve, é uma constante.
 Desde o cabeleireiro, à lavandaria, passando pelo pequeno restaurante, café ou snack-bar, que somos confrontados com a situação - problemática para muitos de nós - da ausência de alternativas no que diz respeito à forma de pagamento.
 Em resumo: ou pagas em dinheiro ou, não consomes!!!
Também se dá o caso de poderes ser encaminhado para a caixa Multibanco mais próxima.
 De qualquer forma ficas a saber que, se pensares em voltar, tens de ter a preocupação (mais uma!!!) de vir prevenido com dinheiro vivo (cash).
 Ora eu sei que são pequenos comerciantes, que não têm um grande volume de negócios, que pagamos todos muitos impostos (o Estado Social e não só!) mas, a permissão deste estado de coisas, por parte das autoridades competentes, para além de ser uma grande injustiça relativamente a quem cumpre e se sujeita a um maior escrutínio, constituem um descarado atropelo a alguns dos direitos fundamentais dos consumidores.
 Em meu entender, e de forma a facilitar a vida dos consumidores - razão de existir dos comerciantes - havendo, actualmente, diferentes formas e opções de pagamento, independentemente da dimensão do estabelecimento comercial, deveria ser obrigatório haver, pelo menos, uma opção electronica para além da tradicional, o dinheiro.
 E não tem de ser, directamente, através do sistema bancário que, aparentemente, é bastante dispendioso.
Temos o MB WAY, por exemplo.
 Para além de muitas outras razões de peso, seria uma forma de libertar o  consumidor de mais uma preocupação totalmente desnecessária em pleno séc. XXI.

A bem da Nação, privatizem-se os serviços públicos

 
A bem do normal funcionamento do país, da desejável e necessária articulação entre os diferentes serviços, do estrito cumprimento dos propósitos que subjazem à sua criação e existência, da justificação dos salários e privilégios que auferem e que são pagos por todos nós, é urgente uma intervenção imediata junto destes serviços e respetivas repartições públicas que grassam pelo país, de forma a acabar com os abusos instalados na sequência dos anos da Pandemia.
Os atendimentos por marcação, em pleno horário normal de funcionamento são uma aberração, constituem um gravíssimo atentado à fluidez e produtividade nos diferentes serviços, demonstram um total desrespeito pelo público e cidadãos em geral e servem, apenas, os interesses daqueles que neles se refugiam.
Se o Estado não tem capacidade para disciplinar e avaliar os seus serviços e funcionários e exigir das suas prestações o que deveria ser expectável então, apetece dizer, melhor será entregar as suas competências a privados.
Talvez, assim, se evitasse o despautério de chegarmos a uma repartição pública, de província, completamente vazia e em pleno horário de funcionamento e sermos mandados embora porque, após a hora de almoço, só se fazem atendimentos por marcação.

CREST, O que fazer no caso de um ataque terrorista?

 Face às circunstâncias em que nos encontramos - não só ao nível das ameaças globais, como regionais, que pendem sobre as nossas cabeças e estilos de vida - lamento, uma vez mais que, havendo todo um trabalho já feito, na Europa, em termos de conselhos de prevenção da situação em causa (com tradução para Português incluída), este não seja divulgado em Portugal e de forma pedagógica, enquanto precioso instrumento de sensibilização, de alerta e de prevenção.

 Em meu entender, havendo temas a privilegiar em termos da disciplina de Educação Cívica, não hesitaria em incluir todos aqueles que estejam relacionados com as questões de Prevenção e Segurança, nas diferentes áreas em que estas devam ser contempladas.
 Devendo ser estrutural, em qualquer sociedade desenvolvida, a cultura de prevenção tenderia a ser um factor coadjuvante e auxiliar das diferentes forças de intervenção, em hipotéticas situações de crise, acabando por constituir uma preciosa mais-valia, no terreno.


CREST - What to do in case of a terrorist attack?

An informative video to inform the general public on how to react in the event of a terrorist attack.

«Victim Support Europe was founded in 1990. Today it is the umbrella network for national victim support organisations in Europe with 60 Members from 30 countries, who provide assistance to around 2 million people affected by crime and disasters each year.
VSE has worked over the last 30 years to strengthen the rights of victims across Europe and to ensure victims are treated with dignity and respect and that their needs are met.
The organisation works to ensure that every victim in Europe, wherever they are:
• is treated with respect and dignity;
• is able to access information they need;
• is able to access support services;
• is able to make their voice heard throughout the criminal justice process; 
• has access to strong rights; 
• receives the compensation they deserve.»

Este país decepciona-me

Com paisagens lindíssimas, uma gastronomia riquíssima e variada, uma costa marítima invejável, os seus rios, montanhas e riquezas naturais por explorar, é uma verdadeira decepção quando decidimos olhar para as pessoas, para o povo que o habita e nele vive.
Cada vez mais ignorante, fútil, mesquinho, individualista, invejoso, muito pouco exigente, tanto individual como colectivamente.
E é nas áreas da Política e no Trabalho que mais se sentem estas características paralisantes, quase patológicas…
Na política, salvo raras e meritórias excepções, o conceito de bem comum foi substituído pela luta pelo poder, traduzida em quezílias partidárias que mais não visam que não seja a garantia de lugares de destaque, promoção social, chorudas regalias enfim, interesses egoístas desprovidos de qualquer carácter de missão, sentido de nobreza, trabalho em prol da comunidade …
Posto isto, não nos tem restado mais do que assistir, impávidos e serenos, a um enorme vazio de ideias, seus debates e projectos comuns.
Quanto ao mundo laboral, cada vez mais assente e dependente do trabalho em equipa, é um verdadeiro pesadelo conseguirmos atingir um nível satisfatório de cooperação.
Pouco habituados a trabalhar em equipa, imbuídos de um ignorante e atrevido espírito "igualitário", tudo fazemos para escamotear a prevalência de hierarquias e dificilmente aceitamos a diferença, enquanto motor de progresso e desenvolvimento.
Persistimos no erro crónico, desde há umas décadas a esta parte, de nivelar por baixo, quando o caminho a seguir deveria ser, exactamente, o oposto!
Uma equipa não é, nem nunca foi um somatório de pessoas mas é uma unidade viva que exige trabalho (ser trabalhada), muita discussão e debate e um permanente limar de arestas.
É um "todos por um e um por todos", em nome de objectivos e realizações comuns.
Uma equipa está em permanente construção e deverá valorizar e reforçar as capacidades, competências e saberes individuais de cada um dos seus membros, de forma a poder transformar-se numa unidade orgânica produtiva e eficaz.
Sei que já não vai ser no meu tempo, mas gostaria que os meus filhos e os meus netos pudessem, simplesmente, vir a ser felizes e a sentirem-se realizados nos seus diferentes trabalhos e actividades.

Sociedade Disfuncional

Quando a disfuncionalidade tende a proliferar e a transformar-se em norma, a todos afecta, a ninguém aproveita, a todos desgasta e tudo emperra.
É necessária uma enorme e dispensável resiliência para viver/conviver com esta forma de ser, de estar, de funcionar e se relacionar.
Como é difícil e penosa a vida quotidiana numa sociedade e cultura que pecam, sistematicamente, pelo excessivo peso da burocracia, pela falta de cumprimento de regras estabelecidas, pela fuga aos compromissos e pela falta de respeito mútuo!...
Ilustr. Google

Greves às Sextas

 

Altamente convenientes são as Greves da Função Pública às Sextas-Feiras!!!

Muito justamente, todos falam em aumento de salários mas, CURIOSAMENTE, ninguém se refere ao aumento de Produtividade!...
Condição sine qua non para que se possa verificar, justa e racionalmente, a primeira condição.

Trabalhadores privilegiados no panorama nacional do mundo laboral*, supostamente ao serviço do Estado e, por conseguinte, de todos nós, cada vez mais se pressente, hoje em dia, que estão lá, nas repartições, essencialmente para se servirem a eles próprios e aos seus interesses, em detrimento do Estado e de todos nós cidadãos, razão de ser dos seus postos de trabalho e consequentes remunerações.

Repartições públicas na era pós-Pandemia

Completamente indiferentes ao grau de satisfação dos utentes e protegidos pelas máquinas das senhas -  que tudo leva a crer manipulam - chegamos ao ponto de chegar a um serviço/repartição pública à hora de abertura e de já não termos senha para podermos ser atendidos no decurso da manhã e/ou tardes inteiras.
Situação inconcebível, que se não justifica actualmente e para a qual não deveria haver qualquer tipo de tolerância por parte dos organismos que as tutelam.

* Emprego vitalício (por alguma razão era muito apetecível, há muitos anos atrás, arranjar emprego na função pública!), 14 meses de pagamentos garantidos, Serviços de Saúde particulares a preços muito mais acessíveis do que aos cidadãos comuns, uso e abuso das greves sem colocar em causa os seus postos de trabalho e por aí adiante...

Ilustr. Gif Google

Incentivar é preciso


Complicado!...Muito complicado viver e trabalhar sem incentivos …E, a maior parte das vezes, é preciso tão pouco para dar alma e sentido ao que fazemos!... 
Basta um gesto de reconhecimento, uma palavra de estímulo, um sinal de apreço!... 
Exactamente ... um reforço, caramba!... 
Tão só saber o mínimo sobre psicologia animal!...
Ilustr. "Sadness"
Patrick Desmet Artwork, Bélgica

Repartições públicas na era pós-Pandemia

 Repartição Pública (algures no Algarve)

Segurança Social às 11:20 da manhã
Setembro/2023

É incompreensível, mesmo revoltante, compreender o que se passa em muitas das repartições públicas portuguesas.
Como é possível que, ao chegarmos a meio da manhã a uma repartição do Estado, nos seja negado o direito ao atendimento geral!...

Activismo e honestidade intelectual

Estou farta de pseudo-activistas que se limitam a desestabilizar e enfurecer as hostes, em nome de interesses mais ou menos obscuros.
De gente medíocre, acéfala, que se abstém de fazer o essencial - meter as mãos na massa - e em nada contribui para melhorar o que está mal, em nome de causas maiores, de objectivos e interesses comuns.
Farta de rebanhos e de gente que consente ser arrebanhada.
De gente que mais não faz senão olhar para o próprio umbigo, que não olha a meios para atingir os seus fins de curto prazo, e se não preocupa com as consequências colectivas dos seus actos individuais ou de grupo.
Farta de gente que reclama e não coloca sequer, em causa, a qualidade e eficácia do seu desempenho e, por arrasto, a dos serviços e prestações que oferecem.
(Novembro, 08, 2018)

E nada mudou, entretanto!...
O que não esperava é que, no decurso dos 2 últimos anos e depois de uma Pandemia, os comportamentos acima referidos tenham posto em causa o próprio Ensino Público, em Portugal, a ponto de fazer perigar, irremediavelmente, todo o processo de aprendizagem e aquisição de conhecimentos de mais de 1 milhão de crianças e jovens, sobretudo no ensino básico e secundário. (Greves dos Professores).
Não esperava, também, que milhares e milhares de concidadãos, residentes em grandes áreas urbanas -  sobretudo a metropolitana de Lisboa -  e totalmente dependentes de transportes públicos como os CF, tenham sofrido contínuas e sistemáticas interferências e sobressaltos, atentatórios do seu direito a organizar e orientar as suas vidas de acordo com os recursos e serviços existentes, previamente estudados e, na maior parte dos casos, antecipadamente pagos. (Greves dos maquinistas e afins)

O Livro dos Elogios, em defesa do mérito próprio


Depois da última actualização do Windows 10 fiquei com problemas sérios de conexão entre o meu computador e a impressora.
Leiga em tudo o que diz respeito a informática (não sou da geração dos computadores!), passei mais de um mês e horas intermináveis a tentar resolver o problema por mim própria.
Entretanto, ontem fez-se luz e decidi recorrer aos serviços da Staples da minha área de residência.
Contrariamente ao que é habitual - pelo menos na região em que vivo e com a mentalidade instalada, na maioria, de que o que é preciso é encontrar um emprego que garanta um salário no fim do mês e não desempenhar, da melhor forma possível as tarefas que lhe estão associadas - tive um atendimento excelente por parte do Ricardo, um funcionário consciente, muito empenhado e cheio de boa vontade.
Infelizmente não conseguiu resolver o problema na hora e tivemos de optar por soluções mais drásticas.
Perguntei-lhe, entretanto, se tinham o "Livro dos Elogios" e respondeu-me que não.
Lamentei e lamento, profundamente, que se não incentivem os bons desempenhos neste tipo de estabelecimentos.
Em meu entender, as avaliações de desempenho são importantíssimas e, em espaços de atendimento ao público este deveria ser um dos factores a trabalhar e a fomentar, pelo simples facto de constituir uma mais-valia tanto para as empresas como para os trabalhadores.
Poucas são as empresas portuguesas que valorizam e se preocupam, de facto, com detalhes como este, que podem fazer uma enorme diferença.
Por razões que não consigo compreender, e muito menos aceitar, somos uma sociedade muito parca em elogios e pródiga em desincentivar aqueles que se destacam e procuram fazer sempre mais e melhor.
Parabéns ao Ricardo e a todos os que, como ele, acrescentam valor às empresas com as quais colaboram!

(Julho 07, 2019)

Passados todos estes anos continuam a existir muitos estabelecimentos e serviços sem este instrumento de trabalho, que poderia ser mais um em termos de avaliação do desempenho dos diferentes colaboradores e do nível de satisfação de utentes e de clientes.

A prática da nivelação e a filosofia que lhe está subjacente - a de procurar igualar tudo e todos os que não são nem serão, nunca, igualáveis e ou iguais! - jamais serviu, não serve nem servirá o crescimento, produtividade e desenvolvimento de qualquer organização ou instituição, independentemente da área em que se insere.

Esta linha de pensamento favorece e acaba por estimular a preguiça e ignora, desvalorizando, o esforço e o empenho, as forças motrizes do progresso e dos hipotéticos saltos qualitativos que o poderão acompanhar.

Convenhamos, entretanto, que este tem sido o terreno ideal para a manutenção e reprodução do sempiterno sistema atrofiador de recurso às "cunhas"...

Trabalho por conta própria

 

Quando se trabalha por conta própria, como é o meu caso, não há fins de semana, sábados ou domingos, horas de almoço e ou de jantar...
Não há subsídios de refeição, nem de férias, nem de coisa alguma e, se quisermos prosperar temos de "dar o corpo ao manifesto", de insistir, de persistir e de procurar a eficiência em tudo o que fazemos e na forma como projectamos o nosso dia a dia.

Não há "borlas" para quem trabalha por conta própria!...

As garantias são uma miragem e a acomodação, um fruto proibido ...

E no entanto, apesar de navegarmos num mar de contingências, sob o domínio da incerteza e sem as regalias de que gozam todos aqueles que trabalham por conta de outrem, a única realidade que temos como certa é a obrigatoriedade de contribuir para um Estado que se alimenta do nosso esforço para poder alimentar e gerar simpatias e distribuir benesses por todos aqueles cujas garantias há muito foram consignadas.

Ilustr. Adelans/FB
(Maio 16, 2022)

Na sua crónica e lastimável falta de capacidade de gerar rendimentos que não sejam à custa da extorsão aos cidadãos contribuintes, o Partido Socialista é "useiro e vezeiro" nesta política de empobrecimento compulsório e de desvalorização do esforço e empenho.

Portugal, os salários de miséria e a vergonhosa tributação a que estão sujeitos

 

Depois de tantos anos e após diferentes governos de diversos espectros políticos eis que se começou a dar atenção à miserável tabela salarial que tem sido a nossa ao longo de décadas.

Tudo isto, entretanto, com o objectivo de procurar estancar a mais do que evidente intensificação da fuga de cérebros e/ou jovens promissores para outros destinos que, recebendo-os de braços abertos, lhes reconhecem o mérito, o valorizam e estimulam.

O Sr. Primeiro-Ministro tem apelado ao esforço e boa vontade dos empresários e entidades empregadoras, em geral, para aumentarem os salários daqueles que contratam mas nunca o ouvi referir-se à necessidade, premente, de reduzir a carga fiscal sobre os rendimentos de quem trabalha.

 À excepção do IL (Iniciativa Liberal) nunca tinha ouvido, até então,  nenhum Partido político, nem nenhum sindicato ou qualquer outro grupo de intervenção socio-política abordar um tema que tem tanto de óbvio como de inconveniente para a maior parte das forças de intervenção nacionais.

Trabalhadores em Portugal recebem 72% do salário bruto que lhes é pago

«De acordo com o relatório da OCDE, líquidos de benefícios, os impostos e as contribuições para a Segurança Social pagos diretamente pelos trabalhadores absorveram, em média, 28,0% do salário bruto dos portugueses no ano passado, tendo em conta um trabalhador com salário médio e sem filhos.
Este valor coloca Portugal acima da média da OCDE, onde os impostos e contribuições para a Segurança Social representaram, em 2021, 24,6% daquilo que recebeu o trabalhador solteiro, sem filhos e com um salário médio.
Portugal surge como o 12.º país onde a diferença entre o valor bruto e o valor líquido é maior...»

Um Exemplo (bem real e baseado num recibo de vencimentos do mês passado):

* Francisca, solteira, operadora de supermercado, no concelho de Oeiras *

Rendimento ilíquido: 855,00 euros (contabilizadas horas extraordinárias)
Descontos para o Estado (Seg. Soc. incluída): 264,20 euros
Rendimento líquido: 590,80 euros

Como é solteira (e os solteiros, que vão sendo em cada vez maior número, são altamente penalizados por este governo!) não tem nenhuma outra alternativa que não seja viver num quarto arrendado ou partilhar um apartamento de 2 quartos com uma outra pessoa. 
No caso em referência optou pela segunda modalidade e pagam de renda 700,00 euros/mês (o que é um achado, na zona!). 

Como tal a Francisca deduz 350,00 euros ao rendimento líquido que recebe e fica, apenas com 264,20 euros disponíveis para pagar não só as suas despesas correntes relacionadas com os consumos domésticos, como também a alimentação e, em algumas ocasiões, o próprio passe social (transportes).

Conclusão:
A Francisca trabalha, produz, contribui activamente para a riqueza do país e, do pouco que ganha,  ainda tem de entregar ao Estado 31% (30,9) do seu rendimento mensal!...

Ora, atendendo à proporcionalidade dos descontos, de que vale à Francisca ou ao António e quejandos que os salários aumentem se, depois, este mesmo Estado glutão, que precisa de angariar fundos e optou por fazê-lo à custa de quem trabalha e produz para alimentar as suas generosas medidas políticas distributivas, lhe vai comer os aumentos com a percentagem de impostos que cobra!?...

Entretanto, quanto às "generosas medidas políticas distributivas", os Centros de Emprego estão cheios de cidadãos inscritos e, ironicamente, há falta de trabalhadores nos mais diversos sectores de produção e distribuição!...

Algo tem de mudar radicalmente ou estaremos condenados a uma tripla miséria: a intelectual, a material e a moral ...
(Julho 20, 2022)

Escrito e publicado faz hoje precisamente 1 ano, fico espantada com a actualidade do tema e com o facto, recorrente, de vivermos durante anos consecutivos sempre com as mesmas preocupações, os mesmos dramas, os mesmos dilemas, sob o mesmo regime e governados pelo mesmo partido político (com maioria parlamentar!), o Partido Socialista.

O mesmo que, tendo gozado de condições únicas, todas as necessárias para trabalhar e fazer reformas estruturais, de fundo, tem demonstrado uma enorme falta de habilidade, de visão estratégica, mesmo de imaginação, deliberadamente ignorando o cerne dos problemas e persistindo em criar uma multiplicidade de medidas avulsas, de carácter meramente "paliativo", sempre e só à custa do sacrifício, do que mais parece ser uma penalização de quem trabalha e vai produzindo.

Desperdício de Talentos


... Um luxo demolidor!!!

 O problema é que, em Portugal, o dom de cada um (e todos os temos, independentemente das áreas em que se posicionem!), em vez de ser apercebido, reconhecido, valorizado e aproveitado em benefício de todos - organizações e sociedade - não só se perde, como se esfuma e se anula nos meandros das pequenas invejas e da opacidade do sistema.

 Conheço algumas pessoas com dotes extraordinários e uma enorme capacidade de trabalho, que são pura e simplesmente desprezadas e arredadas de actividades e percursos promissores (tanto para elas como para quem delas poderia tirar proveito), só porque fazem sombra e, inconscientemente, menorizam a quem as rodeia.

 Um dos muitos sonhos que sei não cumprirei é, precisamente, esse: descobrir, nas diferentes áreas da vida, todos aqueles que, independentemente da sua condição social e área de actuação, manifestam uma enorme capacidade de criar valor e de contribuir para a evolução dos sistemas em que se inserem.

 Como Portugal brilharia, se não fosse dominado por uma cultura tacanha, narcisista e assente na troca de favores, e se todos aqueles que ocupam cargos de chefia fossem mais atentos, e proporcionassem oportunidades a quem dá provas de as merecer, só porque sim, porque lhes está no sangue e faz parte da sua essência!

Ilust. Chubby Bunny Cottage/FB
Outubro 30, 2019)

Resumindo e concluindo:
Apesar dos actuais discursos promissores (para Português ouvir!) continua e continuará tudo na mesma enquanto se não produzir uma mudança de mentalidades e se não relegarem para 2º plano as opções e preferências partidárias.

Portugal, um País condenado à Emigração

Fotografia: Hong Kong
Luís L.A.

Portugal foi, é e, "pelo andar da carruagem", irá sempre continuar a ser um país de emigrantes.

Só que agora o problema é mais sério pois, a acrescentar a todos aqueles que partem sem grandes qualificações, à procura de uma vida melhor, com salários mais elevados, em países que reconheçam e valorizem o trabalho, enquanto força motriz de qualquer sociedade vão, também, muitos jovens com qualificações acima da média, carregados de sonhos e cheios de esperança, em busca da apreciação e valorização a que entendem ter direito e que lhes é garantida a partir do momento em que assinam os seus primeiros contratos.

Depois de anos, passados e esforçados a investirem, material e intelectualmente, na sua formação e qualificações sociais, humanas e académicas esperam, apenas, que lhes sejam dadas oportunidades, uma avaliação rigorosa das suas competências, a liberdade possível de as explorar e desenvolver, em benefício de todos, e o reconhecimento e apreciação do seu esforço, do seu eventual potencial produtivo.

Desdobram-se na apresentação de candidaturas, sujeitam-se a todo o tipo de filtros exigidos pelas empresas que lhes vão abrindo as portas, a infindáveis entrevistas (3 e 4 no processo de selecção de cada uma das empresas), ao dissabor e à frustração de serem preteridos quando tal acontece enfim, a uma via sacra de sentimentos e emoções que só quem passa pelo processo compreenderá.

Heróis Portugueses do séc. XXI, entre muitos outros, estes são os jovens de que Portugal - o seu país de origem - abre mãos, a quem ignora, deixando-os partir (de forma não só leviana como displicente) para países, organizações e empresas que, de braços abertos os acolhem e mesmo, mimam, porque neles reconhecem o potencial de inovação e enriquecimento alvo da sua demanda, razão de ser da sua existência.

Enquanto aqueles que nos governam (será mesmo?!...) e as respetivas estruturas partidárias não compreenderem, que não existem apoios financeiros nem infraestruturas urbanas e regionais que se auto-sustentem e que, para que estas funcionem em plenitude, é necessário alterar a massa crítica vigente.
Um problema estrutural de mentalidade, de cariz terceiro-mundista, que se vem reproduzindo de geração em geração, ao longo de décadas (senão mesmo de séculos!) e tem dominado a nossa forma de estar, agir, trabalhar, pensar e evoluir.
Enquanto se mantiver este paradigma, permeável à troca de favores e de outras formas desviantes de contratação, preterindo e apostando na qualidade e no mérito próprio, nunca será possível que Portugal atinja os níveis de desenvolvimento social e económico a que todos nós, de forma legítima e mais ou menos consciente, aspiramos.
(Outubro 20.2021)

"Ano da graça" de 2023:
Agora virou discurso oficial!
Em 2021 ninguém "sentia" o problema ...
Entretanto, ninguém vai ao cerne da questão.
Ninguém aborda o problema dos "compadrios", das "cunhas", dos processos e critérios de selecção, da ausência de rigor e dos descurados níveis de exigência tão enraizados nesta nossa sociedade Portuguesa!!!