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Alfredo Bruto da Costa, Trabalho e Pobreza (2010)

"A pobreza é um problema político e económico..."


«Entre nós, mais de 20% dos pobres são pessoas empregadas com um salário normal ... são pobres porque têm salários muito baixos e isso é um problema de política económica e não social como nós a entendemos.»

Qual a relação entre o RSI e o desincentivo ao trabalho?

«Culturalmente nós não temos um grande "culto" do trabalho, por duas razões:

- as condições de trabalho da maior parte dos portugueses, tenho dúvidas de que seja um trabalho verdadeiramente digno e que concorra para a realização da pessoa humana. E o trabalho não é uma coisa secundária na vida das pessoas. É uma dimensão fundamental da existência humana.

Ora, a nossa cultura considera o trabalho como uma actividade menor e a maior parte das pessoas trabalha, fundamentalmente, para terem um rendimento e não para realizarem um trabalho enquanto tal. É um efeito perverso, grave, que tem de ser corrigido mas, para isso, tem de haver uma consciência desse facto;

- o trabalho, para além de dever ser digno, deve ser compensado em termos remuneratórios.»

«O padrão cultural de menosprezo pelo trabalho é um padrão construído pela classe média, média-alta e os pobres limitam-se a reproduzir em si um padrão que vêem ser o padrão das classes dominantes da sociedade.»

14 anos volvidos e, já então, o Prof. Alfredo Bruto da Costa punha o dedo na ferida, alertando não só para a situação, como para a necessidade de correcção da mesma!...

Incentivar é preciso


Complicado!...Muito complicado viver e trabalhar sem incentivos …E, a maior parte das vezes, é preciso tão pouco para dar alma e sentido ao que fazemos!... 
Basta um gesto de reconhecimento, uma palavra de estímulo, um sinal de apreço!... 
Exactamente ... um reforço, caramba!... 
Tão só saber o mínimo sobre psicologia animal!...
Ilustr. "Sadness"
Patrick Desmet Artwork, Bélgica

Repartições públicas na era pós-Pandemia

 Repartição Pública (algures no Algarve)

Segurança Social às 11:20 da manhã
Setembro/2023

É incompreensível, mesmo revoltante, compreender o que se passa em muitas das repartições públicas portuguesas.
Como é possível que, ao chegarmos a meio da manhã a uma repartição do Estado, nos seja negado o direito ao atendimento geral!...

É preciso supervisionar os supervisores

 

A bater, com frequência, em teclas semelhantes mas, aparentemente, em algumas áreas de negócios e, de acordo com várias experiências relatadas, somos levados a questionar os critérios subjacentes à seleção de quem é incumbido de supervisionar.

Imagino que não seja uma tarefa fácil e também que, entretanto, haja diferentes variáveis em jogo mas, uma escolha acertada é fundamental para a coordenação e desempenho de qualquer equipa de trabalho.

E depois, sim, será preciso vigiá-los, à sua actividade, ao seu desempenho, aos rastos que vão deixando e aos frutos que vão colhendo.

Com a certeza, porém, de que não basta um diploma do ensino superior ou um qualquer curso de "Coaching" para lhes conferir a capacidade de exercer os seus cargos com a dignidade, a visão estratégica (a médio e ou longo prazo), a objectividade,  capacidade de isenção e o profissionalismo que lhes deveria ser exigido. 

É preciso muito mais, a começar pela experiência e, sobretudo, pela maturidade que a mesma e os anos ajudam a conferir.

Refiro-me a pessoas a quem foi confiada a responsabilidade de supervisionar o desempenho no e do trabalho de outros e de quem dependerá, em última instância, uma avaliação que se pretende/exige, seja isenta e construtiva, no sentido de servir e respeitar os valores e interesses da empresa que representam e, caso se justifique, de corresponderem às expectativas de muitos daqueles que são objecto da avaliação.

É sobre os seus ombros, e obedecendo a critérios que deveriam ser tão justos como rigorosos, que recai a decisão de reconhecer e valorizar os bons desempenhos e de agir em conformidade.

É responsabilidade sua proporcionar uma legítima progressão na carreira, elogiar pessoalmente, criar incentivos enfim, um sem número de decisões, atitudes e gestos que poderão fazer uma enorme diferença, não só no funcionamento da empresa como na vida pessoal de cada um dos seus colaboradores e respectivas famílias.

Google gif source

O Livro dos Elogios, em defesa do mérito próprio


Depois da última actualização do Windows 10 fiquei com problemas sérios de conexão entre o meu computador e a impressora.
Leiga em tudo o que diz respeito a informática (não sou da geração dos computadores!), passei mais de um mês e horas intermináveis a tentar resolver o problema por mim própria.
Entretanto, ontem fez-se luz e decidi recorrer aos serviços da Staples da minha área de residência.
Contrariamente ao que é habitual - pelo menos na região em que vivo e com a mentalidade instalada, na maioria, de que o que é preciso é encontrar um emprego que garanta um salário no fim do mês e não desempenhar, da melhor forma possível as tarefas que lhe estão associadas - tive um atendimento excelente por parte do Ricardo, um funcionário consciente, muito empenhado e cheio de boa vontade.
Infelizmente não conseguiu resolver o problema na hora e tivemos de optar por soluções mais drásticas.
Perguntei-lhe, entretanto, se tinham o "Livro dos Elogios" e respondeu-me que não.
Lamentei e lamento, profundamente, que se não incentivem os bons desempenhos neste tipo de estabelecimentos.
Em meu entender, as avaliações de desempenho são importantíssimas e, em espaços de atendimento ao público este deveria ser um dos factores a trabalhar e a fomentar, pelo simples facto de constituir uma mais-valia tanto para as empresas como para os trabalhadores.
Poucas são as empresas portuguesas que valorizam e se preocupam, de facto, com detalhes como este, que podem fazer uma enorme diferença.
Por razões que não consigo compreender, e muito menos aceitar, somos uma sociedade muito parca em elogios e pródiga em desincentivar aqueles que se destacam e procuram fazer sempre mais e melhor.
Parabéns ao Ricardo e a todos os que, como ele, acrescentam valor às empresas com as quais colaboram!

(Julho 07, 2019)

Passados todos estes anos continuam a existir muitos estabelecimentos e serviços sem este instrumento de trabalho, que poderia ser mais um em termos de avaliação do desempenho dos diferentes colaboradores e do nível de satisfação de utentes e de clientes.

A prática da nivelação e a filosofia que lhe está subjacente - a de procurar igualar tudo e todos os que não são nem serão, nunca, igualáveis e ou iguais! - jamais serviu, não serve nem servirá o crescimento, produtividade e desenvolvimento de qualquer organização ou instituição, independentemente da área em que se insere.

Esta linha de pensamento favorece e acaba por estimular a preguiça e ignora, desvalorizando, o esforço e o empenho, as forças motrizes do progresso e dos hipotéticos saltos qualitativos que o poderão acompanhar.

Convenhamos, entretanto, que este tem sido o terreno ideal para a manutenção e reprodução do sempiterno sistema atrofiador de recurso às "cunhas"...

Francesca

 

A Francesca não precisou de bater à porta para entrar no meu coração.

Está incluída naquele tipo de pessoas a quem anteriormente me referi aqui

Italiana, jovem na casa dos 30, casada, mãe de um filho de 5 anos, lutadora, persistente, mete mãos à obra e tudo faz para alcançar, não só o Pão nosso de cada dia mas, também, um merecido lugar ao sol.

Bonita, educada, delicada, é uma daquelas pessoas com um enorme talento na área comercial que, calcorreando as pedras da rua, através do telemóvel ou com o pé no acelerador dá o corpo ao manifesto, aborda, procura, enfrenta, luta e procura fazer acontecer, aquilo que não tem acontecido ... Vendas!...

Entretanto, teve o azar de vir parar a um meio que, apesar de turístico e orientado para o turismo é altamente provinciano, dominado por uma confrangedora e constrangedora ignorância, virado para o lucro fácil e imediato e alheio a considerações de ordem estratégica, visionária e de demanda de soluções de valor acrescentado, e acabou por ser completamente desaproveitada, deliberadamente marginalizada só porque, entretanto, fazia sombra a quem vive na sombra e da sombra.

Injustiça das injustiças, a Francesca, parca em recursos mas sempre de cabeça erguida e com os olhos postos no interesse e bem-estar de filho está, de momento, a fazer o trabalho que as nativas, as Portuguesas da sua geração se recusam a fazer... a Francesca vai limpando o que pessoas sem postura e com infinitamente menores capacidades que ela vão sujando!...

Entretanto, estou convencida de que a Francesca, sendo empreendedora e destemida como é, irá encontrar o seu lugar ao sol ...

E vivam todas as Francescas deste país e deste mundo!...

(Novembro 09, 2019)

Há muito tempo que não tenho notícias da Francesca.
Sei que regressou a Itália porque a sua vida, aqui, se tornou incomportável e que um dos problemas subjacente a esta sua decisão foi, precisamente, o da Habitação (de que tanto se tem falado hoje em dia, a ponto de gerar medidas governamentais específicas!), atendendo à escassez da oferta e aos preços proibitivos que dela resultam.