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Eduardo Galeano, Medo de viver


 
Eduardo Galeano (03.09.1940 - 13.04.2015)
Legendado em Português

Um verdadeiro "compêndio" de verdades inconvenientes que, não só se vão perpetuando no tempo (de uma confrangedora actualidade!), como têm vindo a assumir contornos de uma cada vez mais perversa e despudorada normalização.

Era Donald Trump, quando o insólito acontece

 Trump(ices), os factos em imagens XIII - estranha forma de exercício presidencial!...


FB cartoons
 Ao longo dos anos, e até este segundo mandato de Donald J. Trump como Presidente da maior potência mundial, sempre me questionei como teria sido possível a ascensão, poder, expansão ideológica e respetivas atrocidades cometidas por um fenómeno como Adolf Hitler, na Alemanha.
Não compreendia o processo que o levou a manipular e arrastar multidões e a rodear-se de tantos "acólitos".
Questionava-me sobre como foi possível que tamanha distorção da realidade (ao tempo) tivesse sido, não só aceite e interiorizada, como acerrimamente defendida e estruturalmente implementada ao ponto de conduzir a uma guerra mundial...

Encontrei, finalmente, a resposta em Donald J. Trump *, no seu comportamento dentro e fora de fronteiras, na sua forma de ser, estar, na desfaçatez com que a todos destrata (a quem o contraria), na forma como gere e interfere nas relações internacionais e no proveito que delas tira, tanto em benefício próprio como do "clã" familiar.
Um rol infindável de desrespeito e atropelos da lei, tratados e quejandos.
Mas o que mais me preocupa, mesmo revolta é, salvo raras excepções, a subserviência, a contemporização, a condescendência e, pasme-se, a bajulação de que é alvo por parte de com quem com ele negoceia e interage, sejam eles representantes de Nações, Instituições e Organizações, tanto a nível nacional como internacional!...

"In the End, we will remember not the words of our enemies, but the silence of our friends." 
Martin Luther King (atribuição)

Donald Trump e Vladimir Putin: A nova e sofisticada face da pirataria no séc. XXI *

 Fico estupefacta com o facto de se não identificar, enquanto tal, abominar e combater, tanto as ameaças como a perpetração de verdadeiros actos de "pirataria" lá onde, presumivelmente latentes, estão presentes as principais características associadas a esta actividade: 
o saque e a pilhagem, com o objectivo de obter e aumentar riquezas e poder.

 Com contornos diferentes daqueles que a caracterizaram nos séculos XVII e XVIII (em termos de época e de contextos), somos confrontados com este fenómeno cuja novidade, para além de ocorrer num diferente contexto paradigmático, se traduz no tipo de protagonistas que a ela recorrem:
a pirataria deixou de ser levada a cabo por marginais e homens que lutavam e tentavam a sorte, arriscando as próprias vidas, em busca de um enriquecimento que pudesse ser tão rápido quanto substancial, para se transformar num processo ilegítimo de expansão territorial (de acordo com o Direito Internacional), monopolista, que visa a apropriação e exploração de bens e recursos naturais de países terceiros, estrutural e financeiramente débeis e muito dependentes da ajuda externa. 

 Quanto aos novos protagonistas, longe de serem homens comuns, marginais e marginalizados, ergue-se uma "casta" constituída por uma mão cheia de "chefes de estado" com comportamentos desviantes (transtornos de personalidade?), pendor autoritário, dotados de uma total ausência de empatia e de uma desmedida insaciabilidade.
 Escudados pelo cargo que ocupam, a coberto da imunidade que lhes é conferida, sob o pretexto de defenderem o superior interesse das nações que é suposto representarem e usando e abusando das respetivas forças armadas e correspondente erário público não servem o estado, servem-se dele.

 Para esta nova "casta", a noção de serviço público e filosofia que lhe está subjacente não faz qualquer sentido, os limites do Poder que lhes é atribuído, também não, melhorar as condições de saúde e o nível de vida da maioria que os elegeu - para quê, se já contribuíram com o seu voto (nos casos em que ainda existem processos eleitorais) - resta-lhes utilizar o cargo enquanto plataforma por excelência, para promover negócios e facilitar transações comerciais em benefício próprio e com o objectivo de consolidar e alargar o âmbito do seu património pessoal e familiar. 

Era Donald Trump, Memorando de entendimento EUA - Irão

  Trump(ices), os factos em imagens XII - Assinatura Memorando de entendimento
Versailles (17.06.2026)
Fonte: Facebook

Indigência política


 Por mais pragmático que se seja, perante esta pequeníssima amostra de indigência política, é difícil aceitar que o actual governo, oriundo de um partido de matriz social-democrata, permita ser manipulado por alguém tão desestabilizador e desprezível - falam os comportamentos presentes e passados, os discursos subliminares de apelo ao ódio e à violência, os gritos, as atitudes, a falta de educação e de sentido de Estado, entre outros! -  como André Ventura, a personificação do Chega.
 Espero que a AD e o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. Luís Montenegro, respeitem e tenham em consideração a vontade e a mensagem de todos aqueles que, tendo-se pronunciado a seu favor, contribuíram para a sua eleição.
 Espero que não desperdicem o capital de confiança de que são detentores porque, se o fizerem, penso que o PSD português deixará de ter razão de existir.
 Sei que tem sido difícil, desgastante, mesmo espinhosa, a tarefa de estarem dependentes da cooperação (ou falta da mesma) dos restantes partidos no Parlamento para obter a aprovação do seu programa, uma vez que não têm uma maioria parlamentar.
 Quanto ao PS, partido do "arco da governação", tem mantido uma postura lamentável, de constante boicote e total falta bom senso, visão estratégica e compreensão do que tem estado e está em jogo.
 Falta, infelizmente, à sua actual direcção a inteligência, a experiência, a sagacidade e essa ímpar, nacional e internacionalmente reconhecida, capacidade de negociação do Dr. António Costa!!!
Mas, apesar de todas estas dificuldades, nem tudo vale.
 Ou fazem a diferença, enfrentando a "besta" e resistindo, não só à irresponsabilidade (não é governo!), como ao populismo discriminatório e vacuidade das propostas e contra-propostas apresentadas  - de cariz redutor, provinciano e meramente doméstico - ou esfumar-se-ão na espuma dos dias, das cedências que forem fazendo e nas respetivas  consequências.
 Que haja bom senso no Parlamento e, se possível, alguma réstea de carácter!
Ilustr. Google

Richard Gere, desarmar a ditadura


Sobre Donald Trump:
"Estamos a viver o período mais negro que já presenciei neste planeta.
Quem diria que a América se poderia tornar assim?
Quem diria que um maníaco como este viria a ser Presidente dos EUA e que destruísse todas as coisas boas (...) desde o primeiro dia que ele destruiu quase tudo o que era positivo no governo e povo americanos.
Como foi possível? Porque estávamos a dormir, não nos importámos, não votámos, não prestámos atenção ... claro que não votei nele, mas não desenvolvi esforços no sentido de, habilmente, convencer aqueles que me rodeavam de que era uma loucura eleger esta pessoa para Presidente dos EUA.
Todos somos responsáveis por esta situação, mas é espantoso como tão rapidamente, no espaço de algumas semanas, ele desmantelou os EUA
."

Com o objectivo de exemplificar o que se está a passar nos EUA, referiu-se a Dachau (campo de concentração próximo de Munique) e ao espaço de 45 anos que mediou as suas duas visitas ao memorial, chamando à atenção para o facto de ter havido uma alteração profunda, em termos de exposição e apresentação do mesmo.
Assim, de mera exposição de objectos, artefactos e restos humanos evoluiu no sentido de mostrar o processo de transformação do governo e sociedade alemães desde meados dos anos 30 do século passado (1930s) e de como, muito rapidamente, pessoas boas se transformaram em monstros.

Conclui apelando à necessidade de todos estarmos alerta, de sermos vigilantes e de estarmos atentos aos sinais que vão sendo dados, de forma a que o mundo não nos seja rapidamente tirado pela "ditadura dos monstros".
Trad. Maria M. Abreu

Era Donald Trump, Adulação

Trump(ices), os factos em imagens IX - Adulação

Quando os fins justificam os meios!...
A adulação como estratégia de negociação: o segredo de polichinelo.
Humor Facebook

Era Donald Trump, Como negociar

Trump(ices), os factos em imagens VIII - Como negociar 

Bebendo do seu próprio veneno, ministrado por inimigos tão sábios como aplicados e inteligentes. 

Humor Facebook

Como sobreviver a um ataque nuclear

Sejamos claros, no momento em que nos encontramos, teremos de contemplar todas as hipóteses, por mais aterradoras que sejam.
E já que, pelo menos por agora, não podemos contar com iniciativas governamentais no sentido de sensibilizar a população para os riscos de uma hipotética guerra nuclear, os seus efeitos e quais os procedimentos a adoptar no caso de uma tal eventualidade caber-nos-á a nós, elementos da sociedade civil, levantar as questões e pressionar os agentes do ou dos eventuais ministérios envolvidos a trabalhar estas questões.


No que diz respeito a uma cultura de Prevenção, de pouco nos servem os "arejamentos".
Não estamos preparados para nada e não temos ninguém, nenhum organismo público orientado para as questões do Bem Comum que deveriam ser, não só os planos de contingência mas, também, as informações relacionadas com a nossa protecção nas mais diferentes áreas das nossas vidas.
O Estado preocupa-se com as questões da segurança na via pública, da vida quotidiana, em inventar, criar e recolher impostos (e, em última instância, com aqueles que considera os mais desfavorecidos) e os diferentes actores que o vão integrando parecem mais preocupados com a defesa dos interesses partidários e pessoais do que com as pessoas/eleitores que alegam representar, independentemente da sua condição socio-económica.
A busca e partilha de informações relacionadas com situações de prevenção de riscos, para além de ser um acto cívico é, também e sobretudo um acto político que a todos diz respeito, enquanto cidadãos nacionais.
Sempre assim fomos e continuamos a ser, por mais instruídos que sejamos, mais viagens que façamos, mais informações que tenhamos vindo a recolher, não mudamos ...
Apesar de poder ser considerado um pensamento perverso, continuo a pensar que o facto de não termos participado directamente na II Guerra mundial nos condenou a décadas de atraso cultural atendendo ao facto de, ao não sofrermos e vivenciarmos directamente as tragédias e horrores sofridos pelas nações que estiveram profundamente envolvidas no conflito, não termos desenvolvido, em termos colectivos, algo semelhante a uma "consciência colectiva"/instinto de defesa/cultura de resiliência*

* Bom, o significado que encontrei no Modo IA do Google parece reforçar esta ideia!...

Era Donald Trump, Tragédia!

Trump(ices), os factos em imagens III -Tragédia!

Quando dois países, cujos respetivos governantes se encontram a contas com a Justiça, acobertados pelo cargo que ocupam e, em nome dos seus interesses pessoais, se concertaram para destruir uma civilização milenar e estão a levar ao colapso da ordem internacional baseada em regras e no respeito pelas mesmas ...
... Não, a tragédia é dos EUA e do povo Americano por terem eleito, para Presidente da República, alguém tão inapto e inconveniente como Donald Trump mas, mais trágica ainda é a dimensão global resultante das suas tresloucadas decisões de política internacional...
A tragédia é de uma dimensão global!!!

Uma Real lição do conceito de Democracia

«(...)A king sounding more committed to democratic restraint than the party that claims to protect it. No shouting, no chaos, just a single line that cut through everything...
...Trump’s entire political identity is built on projecting dominance and control. But in this moment, he’s reduced to reacting while a global figure redefines the conversation without even engaging him directly.
Trump pushes power.
Republicans fold.
A monarch outclasses them all.
This wasn’t loud. It didn’t need to be. The quiet precision made the embarrassment unavoidable, exposing exactly who respects limits and who is desperate to erase them...»

Mark Carney, a fractura da ordem mundial

 Que discurso magistral!!!
 Que grande lição, repleta de sabedoria, inteligência, experiência e bom senso, dirigida à minoria de "poderosos" que, a coberto dos lugares que ocupam no panorama político mundial, da impunidade de que gozam e do dinheiro que, descaradamente, vão acumulando, aspira a governar o mundo e os seus povos sem respeito pela sua soberania, cultura e vontade! 

Algarve, eleições Março 2024

 
O Algarve está de parabéns por ter contribuído para que o país, ao tornar-se dificilmente governável, venha a constituir um óbice à atração de hipotéticos investidores.

Uma região que - pelas suas crónicas e enormes deficiências estruturais, não só a nível de infraestruturas básicas como de escassez de massa crítica - tanto precisa de estabilidade para atrair investimentos produtivos, acabou por dar "um tiro no próprio pé" através da total e triste ausência de pensamento estratégico por parte de quem nela vive e trabalha.

A insatisfação e o descontentamento gerais não podem servir de justificação e de desculpa para os resultados obtidos; mas a arrogância, aquela que deriva da ignorância atrevida, essa sim, essa desempenhou o seu papel na perfeição.

Tiveram, nas suas mãos, não só a arma e as munições de que precisavam como, também, um variado leque de opções, mas tudo desprezaram optando, maioritariamente, pela via que mais os penalizará.
Foi obra!

Nietzsche, a obsessão pelo trono


Ideólogo do Chega, Bizarrias

Pacheco Amorim: “A nossa cor de origem é branca e a nossa raça é a raça caucasiana”
(o artigo já não está disponível!)

E eu a pensar que esta perspectiva, de tão retrógrada, preconceituosa, ignorante e carente de cientificidade já se não colocava em pleno séc.XXI?!...

Tamanha ignorância é imperdoável num ideólogo de um Partido Político!!!
Para além de redutor comete o erro crasso de confundir conceitos tais como os de Espécie e Raça, incluindo o conceito de "origem", onde este não tem cabimento.

How Science and Genetics are Reshaping the Race Debate of the 21st Century

(")In 2003, scientists completed the Human Genome Project, making it finally possible to examine human ancestry with genetics. Scientists have since tackled topics such as human migrations out of Africa and around the world. And it’s not just scientists who are excited about human genetics: widely affordable at-home ancestry test kits are now readily available from companies like 23andMe, Family Tree DNA, and Ancestry. For $99 around the price of a romantic dinner or a pair of Nikes a customer can receive an analysis from 23andMe indicating that they are, for instance, 18.0% Native American, 65.1% European and 6.2% African..."

Negar, espezinhando, tanto o processo de produção como os conhecimentos científicos é grave e é com um enorme espanto que me venho apercebendo ser esta uma característica comum entre a maioria daqueles que abraçam os conceitos da Direita radical.
Quanto a Diogo Pacheco Amorim, já há algum tempo me tinha apercebido disso, pois parece não ter pejo em criar e manter, sub-repticiamente - através de uma estratégia defensiva, cuidadosamente estudada e implementada de manutenção de um "low profile" -  e ao seu redor, uma auréola de superioridade a que aspira mas que, de facto e com base em informação documentada (registos paroquiais), não tem substância.
Fosse ele mais verdadeiro, mais genuíno e, sobretudo, mais humilde e não provocaria os anti-corpos que, de forma mais ou menos consciente, acaba por provocar! 
... Ele e os que se lhe assemelham ...

*Espécie é uma classe ou grupo de organismos que partilham muitas características comuns. A característica mais importante com base na qual um grupo de animais é classificado na categoria de espécies é a sua capacidade de acasalar e de produzir descendentes.

*Raça é um sistema de classificação dos seres humanos que os divide em grandes subdivisões com base nas suas diferenças anatómicas, físicas, étnicas, culturais e geográficas.

Não há suporte biológico para este sistema de classificação humana, pois todos os seres humanos, em última análise, pertencem à mesma espécie de homo-sapiens.
Raça é, assim,  um conceito subjetivo, atendendo à natural capacidade de acasalamento e produção de descendentes entre as diferentes raças humanas.

Fonte: Race vs Species

Nelson Mandela, O confronto entre a Razão e as emoções

 
«...O que é sempre difícil, na vida, não é o facto de influenciarmos e mudarmos os outros, o problema mais difícil é mudar-nos a nós próprios, de acordo com as condições com as quais nos confrontamos.
 E um dos problemas mais difíceis com que se debateram aqueles que estavam nas cadeias, no exílio e todos os que trabalhavam no terreno, era conciliar as nossas emoções com o nosso pensamento.
 O sentimento geral era o de que em nenhuma circunstância nos deveríamos sentar com o regime do Apartheid que, durante séculos, nos sujeitou a algumas das mais dolorosas experiências que possam imaginar. Por essa razão era, para nós, impensável sentarmo-nos à mesa com os nossos inimigos e conversarmos.
Mas a Razão dizia-nos que se não nos sentássemos com eles, o nosso país seria reduzido a cinzas e milhares de civis inocentes seriam massacrados. As infraestruturas do país seriam destruídas e o desenvolvimento social cessaria... 
 E o problema foi conciliar estes dois factores - os nossos sentimentos e o nosso pensamento!
 Enfrentámos problemas entre os nossos próprios colegas e camaradas; enfrentámos problemas com o inimigo que, continuadamente e durante décadas, dizia "não negociaremos nunca com terroristas"... 
 E tivemos que encontrar uma via de forma a que todos pudessem transpor os obstáculos sem humilhação.

 Foi através da habilidade para conciliar estas duas contradições que fomos capazes de conduzir o nosso país a uma transformação pacífica e de desconcertar os profetas da desgraça que prediziam ser impossível haver uma mudança pacífica entre nós e de que qualquer tentativa para operar transformações mergulharia a África do Sul em rios de sangue...

 Fomos capazes de lhes provar que estavam errados porque, antes de mais nada, fomos capazes de nos transformar a nós próprios.

 E qualquer pessoa que aspire a ter impacto na sociedade, tem de começar por si mesma.»

Mandela, Nelson (2000)
Nelson Mandela: "Africa and Its Position in the World Today"
LSE - 06/04/2000

Tradução e Adaptação: Maria M. Abreu