Vou aproveitar esta nova e inesperada oportunidade para continuar a pugnar pelo que continuo a sentir seja uma necessidade urgente de alteração das regras e prioridades políticas.
"A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista." Jean Vercors
Abordando o Primeiro-Ministro António Costa (2022)
Vou aproveitar esta nova e inesperada oportunidade para continuar a pugnar pelo que continuo a sentir seja uma necessidade urgente de alteração das regras e prioridades políticas.
Alfredo Bruto da Costa, Trabalho e Pobreza (2010)
Qual a relação entre o RSI e o desincentivo ao trabalho?
«Culturalmente nós não temos um grande "culto" do trabalho, por duas razões:
- as condições de trabalho da maior parte dos portugueses, tenho dúvidas de que seja um trabalho verdadeiramente digno e que concorra para a realização da pessoa humana. E o trabalho não é uma coisa secundária na vida das pessoas. É uma dimensão fundamental da existência humana.
Ora, a nossa cultura considera o trabalho como uma actividade menor e a maior parte das pessoas trabalha, fundamentalmente, para terem um rendimento e não para realizarem um trabalho enquanto tal. É um efeito perverso, grave, que tem de ser corrigido mas, para isso, tem de haver uma consciência desse facto;
- o trabalho, para além de dever ser digno, deve ser compensado em termos remuneratórios.»
«O padrão cultural de menosprezo pelo trabalho é um padrão construído pela classe média, média-alta e os pobres limitam-se a reproduzir em si um padrão que vêem ser o padrão das classes dominantes da sociedade.»
14 anos volvidos e, já então, o Prof. Alfredo Bruto da Costa punha o dedo na ferida, alertando não só para a situação, como para a necessidade de correcção da mesma!...
Portugal, os salários de miséria e a vergonhosa tributação a que estão sujeitos
Depois de tantos anos e após diferentes governos de diversos espectros políticos eis que se começou a dar atenção à miserável tabela salarial que tem sido a nossa ao longo de décadas.
Tudo isto, entretanto, com o objectivo de procurar estancar a mais do que evidente intensificação da fuga de cérebros e/ou jovens promissores para outros destinos que, recebendo-os de braços abertos, lhes reconhecem o mérito, o valorizam e estimulam.
O Sr. Primeiro-Ministro tem apelado ao esforço e boa vontade dos empresários e entidades empregadoras, em geral, para aumentarem os salários daqueles que contratam mas nunca o ouvi referir-se à necessidade, premente, de reduzir a carga fiscal sobre os rendimentos de quem trabalha.
À excepção do IL (Iniciativa Liberal) nunca tinha ouvido, até então, nenhum Partido político, nem nenhum sindicato ou qualquer outro grupo de intervenção socio-política abordar um tema que tem tanto de óbvio como de inconveniente para a maior parte das forças de intervenção nacionais.
Trabalhadores em Portugal recebem 72% do salário bruto que lhes é pago

