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Amor de mãe, celebração

 Celebrando a inteligência, o esforço, os sacrifícios, a humildade, a bondade, o carácter e, também, o espírito de entreajuda e camaradagem.
Obrigada, Luís!!!
Jan/2020



            

Este país decepciona-me

Com paisagens lindíssimas, uma gastronomia riquíssima e variada, uma costa marítima invejável, os seus rios, montanhas e riquezas naturais por explorar, é uma verdadeira decepção quando decidimos olhar para as pessoas, para o povo que o habita e nele vive.
Cada vez mais ignorante, fútil, mesquinho, individualista, invejoso, muito pouco exigente, tanto individual como colectivamente.
E é nas áreas da Política e no Trabalho que mais se sentem estas características paralisantes, quase patológicas…
Na política, salvo raras e meritórias excepções, o conceito de bem comum foi substituído pela luta pelo poder, traduzida em quezílias partidárias que mais não visam que não seja a garantia de lugares de destaque, promoção social, chorudas regalias enfim, interesses egoístas desprovidos de qualquer carácter de missão, sentido de nobreza, trabalho em prol da comunidade …
Posto isto, não nos tem restado mais do que assistir, impávidos e serenos, a um enorme vazio de ideias, seus debates e projectos comuns.
Quanto ao mundo laboral, cada vez mais assente e dependente do trabalho em equipa, é um verdadeiro pesadelo conseguirmos atingir um nível satisfatório de cooperação.
Pouco habituados a trabalhar em equipa, imbuídos de um ignorante e atrevido espírito "igualitário", tudo fazemos para escamotear a prevalência de hierarquias e dificilmente aceitamos a diferença, enquanto motor de progresso e desenvolvimento.
Persistimos no erro crónico, desde há umas décadas a esta parte, de nivelar por baixo, quando o caminho a seguir deveria ser, exactamente, o oposto!
Uma equipa não é, nem nunca foi um somatório de pessoas mas é uma unidade viva que exige trabalho (ser trabalhada), muita discussão e debate e um permanente limar de arestas.
É um "todos por um e um por todos", em nome de objectivos e realizações comuns.
Uma equipa está em permanente construção e deverá valorizar e reforçar as capacidades, competências e saberes individuais de cada um dos seus membros, de forma a poder transformar-se numa unidade orgânica produtiva e eficaz.
Sei que já não vai ser no meu tempo, mas gostaria que os meus filhos e os meus netos pudessem, simplesmente, vir a ser felizes e a sentirem-se realizados nos seus diferentes trabalhos e actividades.

O Livro dos Elogios, em defesa do mérito próprio


Depois da última actualização do Windows 10 fiquei com problemas sérios de conexão entre o meu computador e a impressora.
Leiga em tudo o que diz respeito a informática (não sou da geração dos computadores!), passei mais de um mês e horas intermináveis a tentar resolver o problema por mim própria.
Entretanto, ontem fez-se luz e decidi recorrer aos serviços da Staples da minha área de residência.
Contrariamente ao que é habitual - pelo menos na região em que vivo e com a mentalidade instalada, na maioria, de que o que é preciso é encontrar um emprego que garanta um salário no fim do mês e não desempenhar, da melhor forma possível as tarefas que lhe estão associadas - tive um atendimento excelente por parte do Ricardo, um funcionário consciente, muito empenhado e cheio de boa vontade.
Infelizmente não conseguiu resolver o problema na hora e tivemos de optar por soluções mais drásticas.
Perguntei-lhe, entretanto, se tinham o "Livro dos Elogios" e respondeu-me que não.
Lamentei e lamento, profundamente, que se não incentivem os bons desempenhos neste tipo de estabelecimentos.
Em meu entender, as avaliações de desempenho são importantíssimas e, em espaços de atendimento ao público este deveria ser um dos factores a trabalhar e a fomentar, pelo simples facto de constituir uma mais-valia tanto para as empresas como para os trabalhadores.
Poucas são as empresas portuguesas que valorizam e se preocupam, de facto, com detalhes como este, que podem fazer uma enorme diferença.
Por razões que não consigo compreender, e muito menos aceitar, somos uma sociedade muito parca em elogios e pródiga em desincentivar aqueles que se destacam e procuram fazer sempre mais e melhor.
Parabéns ao Ricardo e a todos os que, como ele, acrescentam valor às empresas com as quais colaboram!

(Julho 07, 2019)

Passados todos estes anos continuam a existir muitos estabelecimentos e serviços sem este instrumento de trabalho, que poderia ser mais um em termos de avaliação do desempenho dos diferentes colaboradores e do nível de satisfação de utentes e de clientes.

A prática da nivelação e a filosofia que lhe está subjacente - a de procurar igualar tudo e todos os que não são nem serão, nunca, igualáveis e ou iguais! - jamais serviu, não serve nem servirá o crescimento, produtividade e desenvolvimento de qualquer organização ou instituição, independentemente da área em que se insere.

Esta linha de pensamento favorece e acaba por estimular a preguiça e ignora, desvalorizando, o esforço e o empenho, as forças motrizes do progresso e dos hipotéticos saltos qualitativos que o poderão acompanhar.

Convenhamos, entretanto, que este tem sido o terreno ideal para a manutenção e reprodução do sempiterno sistema atrofiador de recurso às "cunhas"...

Desperdício de Talentos


... Um luxo demolidor!!!

 O problema é que, em Portugal, o dom de cada um (e todos os temos, independentemente das áreas em que se posicionem!), em vez de ser apercebido, reconhecido, valorizado e aproveitado em benefício de todos - organizações e sociedade - não só se perde, como se esfuma e se anula nos meandros das pequenas invejas e da opacidade do sistema.

 Conheço algumas pessoas com dotes extraordinários e uma enorme capacidade de trabalho, que são pura e simplesmente desprezadas e arredadas de actividades e percursos promissores (tanto para elas como para quem delas poderia tirar proveito), só porque fazem sombra e, inconscientemente, menorizam a quem as rodeia.

 Um dos muitos sonhos que sei não cumprirei é, precisamente, esse: descobrir, nas diferentes áreas da vida, todos aqueles que, independentemente da sua condição social e área de actuação, manifestam uma enorme capacidade de criar valor e de contribuir para a evolução dos sistemas em que se inserem.

 Como Portugal brilharia, se não fosse dominado por uma cultura tacanha, narcisista e assente na troca de favores, e se todos aqueles que ocupam cargos de chefia fossem mais atentos, e proporcionassem oportunidades a quem dá provas de as merecer, só porque sim, porque lhes está no sangue e faz parte da sua essência!

Ilust. Chubby Bunny Cottage/FB
Outubro 30, 2019)

Resumindo e concluindo:
Apesar dos actuais discursos promissores (para Português ouvir!) continua e continuará tudo na mesma enquanto se não produzir uma mudança de mentalidades e se não relegarem para 2º plano as opções e preferências partidárias.

Francesca

 

A Francesca não precisou de bater à porta para entrar no meu coração.

Está incluída naquele tipo de pessoas a quem anteriormente me referi aqui

Italiana, jovem na casa dos 30, casada, mãe de um filho de 5 anos, lutadora, persistente, mete mãos à obra e tudo faz para alcançar, não só o Pão nosso de cada dia mas, também, um merecido lugar ao sol.

Bonita, educada, delicada, é uma daquelas pessoas com um enorme talento na área comercial que, calcorreando as pedras da rua, através do telemóvel ou com o pé no acelerador dá o corpo ao manifesto, aborda, procura, enfrenta, luta e procura fazer acontecer, aquilo que não tem acontecido ... Vendas!...

Entretanto, teve o azar de vir parar a um meio que, apesar de turístico e orientado para o turismo é altamente provinciano, dominado por uma confrangedora e constrangedora ignorância, virado para o lucro fácil e imediato e alheio a considerações de ordem estratégica, visionária e de demanda de soluções de valor acrescentado, e acabou por ser completamente desaproveitada, deliberadamente marginalizada só porque, entretanto, fazia sombra a quem vive na sombra e da sombra.

Injustiça das injustiças, a Francesca, parca em recursos mas sempre de cabeça erguida e com os olhos postos no interesse e bem-estar de filho está, de momento, a fazer o trabalho que as nativas, as Portuguesas da sua geração se recusam a fazer... a Francesca vai limpando o que pessoas sem postura e com infinitamente menores capacidades que ela vão sujando!...

Entretanto, estou convencida de que a Francesca, sendo empreendedora e destemida como é, irá encontrar o seu lugar ao sol ...

E vivam todas as Francescas deste país e deste mundo!...

(Novembro 09, 2019)

Há muito tempo que não tenho notícias da Francesca.
Sei que regressou a Itália porque a sua vida, aqui, se tornou incomportável e que um dos problemas subjacente a esta sua decisão foi, precisamente, o da Habitação (de que tanto se tem falado hoje em dia, a ponto de gerar medidas governamentais específicas!), atendendo à escassez da oferta e aos preços proibitivos que dela resultam.

A cultura do elogio


Nós, portugueses, somos normalmente muito parcos em elogios.

Comportamo-nos como se as vitórias e sucessos dos outros constituíssem uma ameaça permanente para nós próprios...

Sempre me fez alguma impressão este tipo de avareza que nos impede de gozar e partilhar com os outros os seus e nossos momentos de inspiração, conquistas e alegria...

Ilustr. Adelans/FB
(Maio 23, 2022)

Sempre que recorro aos serviços do Uber ou do Bolt tenho a preocupação de, terminado o serviço, fazer a minha avaliação. E esta não é (não pode ser!) a mesma para todos, só porque sim e para os ajudar.

Não concordo com essa forma de ser e estar na vida que incentiva a mediocridade ignorando (consciente ou inconscientemente) aqueles que se distinguem nas diferentes áreas da vida em sociedade, tanto a nível profissional como social.

Bastam simples gestos ou atitudes para fazerem uma enorme diferença no nosso relacionamento com os outros, não só em termos de conforto físico como moral.
No que me diz respeito não prescindo de fazer a distinção e de, silenciosamente, premiar o esforço em detrimento do frete.