Jan/2020
"A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista." Jean Vercors
Amor de mãe, celebração
Jan/2020
Este país decepciona-me
O Livro dos Elogios, em defesa do mérito próprio
(Julho 07, 2019)
Passados todos estes anos continuam a existir muitos estabelecimentos e serviços sem este instrumento de trabalho, que poderia ser mais um em termos de avaliação do desempenho dos diferentes colaboradores e do nível de satisfação de utentes e de clientes.
A prática da nivelação e a filosofia que lhe está subjacente - a de procurar igualar tudo e todos os que não são nem serão, nunca, igualáveis e ou iguais! - jamais serviu, não serve nem servirá o crescimento, produtividade e desenvolvimento de qualquer organização ou instituição, independentemente da área em que se insere.
Esta linha de pensamento favorece e acaba por estimular a preguiça e ignora, desvalorizando, o esforço e o empenho, as forças motrizes do progresso e dos hipotéticos saltos qualitativos que o poderão acompanhar.
Convenhamos, entretanto, que este tem sido o terreno ideal para a manutenção e reprodução do sempiterno sistema atrofiador de recurso às "cunhas"...
Desperdício de Talentos
... Um luxo demolidor!!!
O problema é que, em Portugal, o dom de cada um (e todos os temos, independentemente das áreas em que se posicionem!), em vez de ser apercebido, reconhecido, valorizado e aproveitado em benefício de todos - organizações e sociedade - não só se perde, como se esfuma e se anula nos meandros das pequenas invejas e da opacidade do sistema.
Conheço algumas pessoas com dotes extraordinários e uma enorme capacidade de trabalho, que são pura e simplesmente desprezadas e arredadas de actividades e percursos promissores (tanto para elas como para quem delas poderia tirar proveito), só porque fazem sombra e, inconscientemente, menorizam a quem as rodeia.
Um dos muitos sonhos que sei não cumprirei é, precisamente, esse: descobrir, nas diferentes áreas da vida, todos aqueles que, independentemente da sua condição social e área de actuação, manifestam uma enorme capacidade de criar valor e de contribuir para a evolução dos sistemas em que se inserem.
Como Portugal brilharia, se não fosse dominado por uma cultura tacanha, narcisista e assente na troca de favores, e se todos aqueles que ocupam cargos de chefia fossem mais atentos, e proporcionassem oportunidades a quem dá provas de as merecer, só porque sim, porque lhes está no sangue e faz parte da sua essência!
Apesar dos actuais discursos promissores (para Português ouvir!) continua e continuará tudo na mesma enquanto se não produzir uma mudança de mentalidades e se não relegarem para 2º plano as opções e preferências partidárias.
Francesca
A Francesca não precisou de bater à porta para entrar no meu coração.
Está incluída naquele tipo de pessoas a quem anteriormente me referi aqui
Italiana, jovem na casa dos 30, casada, mãe de um filho de 5 anos, lutadora, persistente, mete mãos à obra e tudo faz para alcançar, não só o Pão nosso de cada dia mas, também, um merecido lugar ao sol.
Bonita, educada, delicada, é uma daquelas pessoas com um enorme talento na área comercial que, calcorreando as pedras da rua, através do telemóvel ou com o pé no acelerador dá o corpo ao manifesto, aborda, procura, enfrenta, luta e procura fazer acontecer, aquilo que não tem acontecido ... Vendas!...
Entretanto, teve o azar de vir parar a um meio que, apesar de turístico e orientado para o turismo é altamente provinciano, dominado por uma confrangedora e constrangedora ignorância, virado para o lucro fácil e imediato e alheio a considerações de ordem estratégica, visionária e de demanda de soluções de valor acrescentado, e acabou por ser completamente desaproveitada, deliberadamente marginalizada só porque, entretanto, fazia sombra a quem vive na sombra e da sombra.
Injustiça das injustiças, a Francesca, parca em recursos mas sempre de cabeça erguida e com os olhos postos no interesse e bem-estar de filho está, de momento, a fazer o trabalho que as nativas, as Portuguesas da sua geração se recusam a fazer... a Francesca vai limpando o que pessoas sem postura e com infinitamente menores capacidades que ela vão sujando!...
Entretanto, estou convencida de que a Francesca, sendo empreendedora e destemida como é, irá encontrar o seu lugar ao sol ...
E vivam todas as Francescas deste país e deste mundo!...
(Novembro 09, 2019)
Há muito tempo que não tenho notícias da Francesca.
Sei que regressou a Itália porque a sua vida, aqui, se tornou incomportável e que um dos problemas subjacente a esta sua decisão foi, precisamente, o da Habitação (de que tanto se tem falado hoje em dia, a ponto de gerar medidas governamentais específicas!), atendendo à escassez da oferta e aos preços proibitivos que dela resultam.
A cultura do elogio
Nós, portugueses, somos normalmente muito parcos em elogios.
Comportamo-nos como se as vitórias e sucessos dos outros constituíssem uma ameaça permanente para nós próprios...
Sempre me fez alguma impressão este tipo de avareza que nos impede de gozar e partilhar com os outros os seus e nossos momentos de inspiração, conquistas e alegria...
Sempre que recorro aos serviços do Uber ou do Bolt tenho a preocupação de, terminado o serviço, fazer a minha avaliação. E esta não é (não pode ser!) a mesma para todos, só porque sim e para os ajudar.
Não concordo com essa forma de ser e estar na vida que incentiva a mediocridade ignorando (consciente ou inconscientemente) aqueles que se distinguem nas diferentes áreas da vida em sociedade, tanto a nível profissional como social.
Bastam simples gestos ou atitudes para fazerem uma enorme diferença no nosso relacionamento com os outros, não só em termos de conforto físico como moral.
No que me diz respeito não prescindo de fazer a distinção e de, silenciosamente, premiar o esforço em detrimento do frete.







