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"Livros de Bolso", estimular o hábito da leitura

 

Sexta-feira passada fui à Fnac e cumpri o ritual do costume - manusear os livros, ler as sinopses dos que me pareciam mais apelativos e depois olhar para os preços, obviamente.

Confrontada com a frieza dos números e contemplando os exemplares  que estavam à vista - boas encadernações, bom papel - perguntei a mim própria, pela milionésima vez, a razão de ser de tal investimento inicial já que, em meu entender, muito mais importante do que a apresentação e a qualidade da encadernação é, sem dúvida, o seu conteúdo, aquilo que nos impele e nos leva a desejar  adquiri-los.

Eu não quero livros para enfeitar e pôr na prateleira... quero lê-los, apreciar e associar-me às histórias que nos contam, mergulhar nos enredos que nos apresentam e saborear as descrições que nos fazem, viajando enrodilhada no sofá.

Somos um país pobre, porque insistem as editoras em editar e publicar livros que não estão à nossa medida ou seja, cuja média dos preços se encontra muito acima da capacidade de aquisição da maior parte da população?!...

Little Free Librairies

 
Na sequência da lógica implícita à concepção dos livros de bolso, enquanto veículos de democratização da cultura, há anos que existem, nos EUA, pequenas livrarias de bairro, organizadas por iniciativa dos próprios moradores as – little free librairies – que têm como objectivo facilitar o acesso e troca de livros de forma gratuita e solidária.
A mesma filosofia foi, também, implementada no Reino Unido onde, em muitas localidades, se transformaram as típicas e tão britânicas cabines de telefone vermelhas em mini bibliotecas do género self-service, com uma única condição: leve um livro e deixe outro.

Aqui, em Portugal, tenho as minhas sérias dúvidas a propósito da implementação e sucesso de uma tal iniciativa:
primeiro, porque escasseiam as edições de bolso e o carácter descartável que lhes está associado, na sequência dos irrisórios preços de aquisição;
em segundo lugar, porque aqui não existe uma cultura comunitária de partilha e reutilização dos bens dispensáveis; 
por fim, na sequência de uma quase generalizada ausência de cultura cívica orientada para o respeito pelos bens alheios não faltariam agentes que, num curto espaço de tempo, roubassem e vandalizassem estes pequenos espaços generosamente abertos ao público, com o propósito de o servir.

Leve um livro e traga outro ... troque …

Sirva-se e permita aos outros que se sirvam …

Partilhe ... respeitando o que a todos poderá pertencer

Gosto desta filosofia ..., desta forma de ser e estar em pequenas comunidades que tenham a sorte, o desejo e a capacidade de se agregarem, partilhando valores e interesses comuns …

Sonho com este exercício do direito e dever de cidadania!
(Outubro, 24, 2018)


Livros de Bolso, em sua defesa

 

Penguin Books (Google)

Depois de uma ida ao Continente onde estive a namorar alguns livros, acabei por me vir embora de mãos a abanar, no que à aquisição de livros diz respeito.

Não foi a primeira nem será a última vez e, sempre que isto acontece, dou comigo a pensar no contra-senso (mais um!) que é alegar a pretensão de fomentar a leitura de obras de qualidade, sem que haja a preocupação de facilitar a aquisição das mesmas, a preços comportáveis, para a maioria das bolsas dos portugueses.

Assim pensava, há oito anos atrás, e assim continuo a pensar.
Pouco mudou, entretanto, e continuam a ser escassas as alternativas oferecidas em termos de edições de bolso, comparativamente com as outras, as normalizadas.
(Outubro 23, 2018)

Ao reflectir sobre esta questão lembrei-me de uma expressão que ouvia com alguma frequência, sempre que havia manifestações de ostentação e/ou opulência, individuais ou colectivas, aqui em Portugal - "à grande e à Francesa"- e, perante os desaforos a que temos vindo a assistir em termos de opções, não só editoriais, como políticas, governamentais e por aí fora questionei-me se não seria mais adequado, actualmente, alterarmos a expressão, substituindo a palavra "francesa" por "portuguesa"...
Tão desproporcionado quanto ridículo, mas revelador de uma cultura e mentalidade que já poucos contestam tal o estado de dormência a que temos vindo a ser condenados.