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Kahlil Gibran e o renascer da Primavera

" Sinto-me como uma semente no meio do inverno, sabendo que a primavera se aproxima.
O broto romperá a casca e a vida que ainda dorme em mim haverá de subir para a superfície, quando for chamada.
O silêncio é doloroso, mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existem momentos nas nossas vidas em que tudo que devemos fazer é esperar.
Dentro de cada um, no mais profundo do ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber.
Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem.
Somos muito mais capazes do que pensamos.
Há momentos em que a única maneira de aprender é não tomar qualquer iniciativa, não fazer nada. Porque, mesmo nos momentos de total inação, esta nossa parte secreta está a trabalhar e a aprender. Quando o conhecimento oculto na alma se manifesta, ficamos surpreendidos connosco próprios, e os nossos pensamentos de inverno transformam-se em flores, que cantam canções nunca antes sonhadas.
A vida sempre nos dará mais do que achamos que merecemos."

Khalil Gibran

Livros de Bolso, estimular o hábito da leitura

Sexta-feira passada fui à Fnac e cumpri o ritual do costume - manusear os livros, ler as sinopses dos que me pareciam mais apelativos e depois olhar para os preços, obviamente.
Confrontada com a frieza dos números e contemplando os exemplares  que estavam à vista - boas encadernações, bom papel - perguntei a mim própria, pela milionésima vez, a razão de ser de tal investimento inicial já que, em meu entender, muito mais importante do que a apresentação e a qualidade da encadernação é, sem dúvida, o seu conteúdo, aquilo que nos impele e nos leva a desejar  adquiri-los.
Eu não quero livros para enfeitar e pôr na prateleira ... Quero lê-los, apreciar e associar-me às histórias que nos contam, mergulhar nos enredos que nos apresentam e saborear as descrições que nos fazem, viajando enrodilhada no sofá.

Somos um país pobre, porque insistem as editoras em editar e publicar livros que não estão à nossa medida ou seja, cuja média dos preços se encontra muito acima da capacidade de aquisição da maior parte da população?!...

Livros de Bolso, em sua defesa

 

Penguin Books (Google)

Depois de uma ida ao Continente onde estive a namorar alguns livros, acabei por me vir embora de mãos a abanar, no que à aquisição de livros diz respeito.
Não foi a primeira nem será a última vez e, sempre que isto acontece, dou comigo a pensar no contrasenso (mais um!) que é alegar a pretensão de fomentar a leitura de obras de qualidade, sem que haja a preocupação de facilitar a aquisição das mesmas, a preços comportáveis, para a maioria das bolsas dos portugueses.

Assim pensava, há oito anos atrás, e assim continuo a pensar.
Pouco mudou, entretanto, e continuam a ser escassas as alternativas oferecidas em termos de edições de bolso, comparativamente com as outras, as normalizadas.
(Outubro 23, 2018)

Ao reflectir sobre esta questão lembrei-me de uma expressão que ouvia com alguma frequência, sempre que havia manifestações de ostentação e/ou opulência, individuais ou colectivas, aqui em Portugal - "à grande e à Francesa"- e, perante os desaforos a que temos vindo a assistir em termos de opções, não só editoriais, como políticas, governamentais e por aí fora questionei-me se não seria mais adequado, actualmente, alterarmos a expressão, substituindo a palavra "francesa" por "portuguesa"...
Tão desproporcionado quanto ridículo, mas revelador de uma cultura e mentalidade que já poucos contestam tal o estado de dormência a que temos vindo a ser condenados.