Em busca do equilíbrio entre a constância e "certezas" do Passado e a fluidez e múltiplas contingências do Presente
Mahatma Gandhi, fome e religião
Abordando o Primeiro-Ministro António Costa (2022)
Vou aproveitar esta nova e inesperada oportunidade para continuar a pugnar pelo que continuo a sentir seja uma necessidade urgente de alteração das regras e prioridades políticas.
Alfredo Bruto da Costa, Trabalho e Pobreza (2010)
Qual a relação entre o RSI e o desincentivo ao trabalho?
«Culturalmente nós não temos um grande "culto" do trabalho, por duas razões:
- as condições de trabalho da maior parte dos portugueses, tenho dúvidas de que seja um trabalho verdadeiramente digno e que concorra para a realização da pessoa humana. E o trabalho não é uma coisa secundária na vida das pessoas. É uma dimensão fundamental da existência humana.
Ora, a nossa cultura considera o trabalho como uma actividade menor e a maior parte das pessoas trabalha, fundamentalmente, para terem um rendimento e não para realizarem um trabalho enquanto tal. É um efeito perverso, grave, que tem de ser corrigido mas, para isso, tem de haver uma consciência desse facto;
- o trabalho, para além de dever ser digno, deve ser compensado em termos remuneratórios.»
«O padrão cultural de menosprezo pelo trabalho é um padrão construído pela classe média, média-alta e os pobres limitam-se a reproduzir em si um padrão que vêem ser o padrão das classes dominantes da sociedade.»
14 anos volvidos e, já então, o Prof. Alfredo Bruto da Costa punha o dedo na ferida, alertando não só para a situação, como para a necessidade de correcção da mesma!...
The Little Match Girl, a sad cartoon
A tragédia da escassez dos recursos naturais
Irlanda, the great famine: histórias que fizeram História
eu não pulava o muro de o´reilly, que separava o nosso verde do seu verde, os mais verdes que possas imaginar, para bolinar a sua menina... claro, ela era uma garotinha, nascemos no mesmo dia, ao fim de uma jornada cansativa... ainda não era minha namorada, mas eu tinha uma espingarda de pau, um estilingue, e levava algumas pedras nos bolsos para proteger cathy o´reilly de um eventual ataque dos ingleses naquelas longas caminhadas que fazíamos nas tardes de verão... na realidade, eles costumavam aparecer apenas uma vez ao ano, poucos dias após a colheita... geralmente, um grupo de cinco ou seis... o almofadinha no comando sempre tinha em mãos um papel emitido com um timbre que dizia ser da rainha vitória, a afirmá-lo como representante do legítimo proprietário, um tal lord de merda que vivia em londres... vinham cobrar a renda anual...
naquele ano, o segundo consecutivo, não havia batatas a colher, nem mesmo para o nosso próprio sustento... elas apodreciam antes da colheita... nenhum florim, sequer um penny... desta vez, os ingleses estavam em maior número, um pequeno exército... premeditaram não apenas espancar a todos, incluindo meu pai - como no ano anterior, quando mataram o velho mcloughlin, que tentara ajudá-lo -, a ordem agora era expulsar os inquilinos... e queimaram tudo... movidos por um mal que nunca compreendi, sequer levaram os poucos animas, apenas os mataram... no dia seguinte, comemos carne...
as filas cabisbaixas que nos levavam a cork, a dublin ou onde mais, foram dispersando-se... um milhão e meio de irlandeses morreram de fome ou das suas consequências, incluindo meus pais, talvez meus irmãos... fui um escolhido... dois ou três milhões partiram para a américa... reencontrei cathy muitos anos depois, em londres... éramos católicos, portanto tivemos sete filhos juntos, e juntos partimos para o brasil levando quatro deles... chegamos com três... um ano depois, eu, que viera para trabalhar como professor, estava abrindo uma estrada, uma tal linha massaranduba... exausto, buscando o sono numa cabana de pau-a-pique, tive um braço arrancado por uma onça e sangrei até morrer... cathy terá penado muito para criar nossos filhos, mas acredito que teve netos e tudo mais...»


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