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Nova Iorque (NYC), O apagão no Nordeste em 1965


"Esta é a história verídica da noite em que as luzes se apagaram — e de como uma cidade, New York, encontrou o caminho de volta para casa."


"Em cerca de doze minutos, 30 milhões de pessoas no nordeste dos Estados Unidos e no Canadá ficaram sem eletricidade, e ninguém sabia porquê.
Os elevadores pararam entre os andares.
As carruagens do metro congelaram nos túneis.
Muitos temiam que fosse um ataque.

O que aconteceu a seguir surpreendeu toda a gente."

Belíssima recreação!
E uma lição de resiliência e solidariedade!...

O amargo sabor a traição

 Para minha grande surpresa encontrei este video no canal Youtube da Câmara Municipal de Penela, datado de 27.11.2020, sem qualquer tipo de apreciação, aparentemente inofensivo e, mesmo assim, inexplicavelmente com os comentários desativados.
Parece que alguém, uma entidade, neste caso a Câmara Municipal de Penela, ou as partes envolvidas, sente/m algum desconforto e tomou/tomaram a decisão de jogar pelo seguro.


37 visualizações 
Estreou a 27/11/2020
 CENTRO DE ESTUDOS DE HISTÓRIA LOCAL E REGIONAL SALVADOR DIAS ARNAUT
Mensagem de Salvador Manuel Arnaut, neto e representante da família Salvador Dias Arnaut, no âmbito das comemorações do 10º Aniversário do Centro de Estudos de História Local e Regional Salvador Dias Arnaut

 E foi este video e a mensagem nele transmitida que despoletaram em mim um vendaval de emoções, cuja dificuldade em as gerir e controlar me levaram a quebrar o silêncio e decidir publicar este post, enquanto manifesto de revolta perante a iniquidade, falta de transparência, total ausência de respeito e consideração e, mesmo, eventuais atropelos da lei que ocorreram neste processo.

"(...)Pensas que os fins justificam os meios, ainda que estes sejam vis.
Enganas-te:
o Fim é a trajectória com que o alcanças.
Cada passo de hoje é a tua vida de amanhã"

Wilhelm Reich in «Escuta Zé Ninguém»


 Apesar de ser uma iniciativa louvável, os meios utilizados e o caminho percorrido foram, logo desde o inicio, execráveis pois, para pessoas bem formadas, os fins não podem nunca justificar os meios!...
 Em falta estiveram, apenas e logo desde o início, duas componentes fundamentais para a prossecução impoluta deste projecto:  inteligência e bom senso.
 Adiante.
 Dois anos depois de o meu sogro (ao tempo), o Prof. Doutor Salvador Dias Arnaut ter falecido, nasceu o meu filho, Luís Diogo, irmão e "afilhado" do Manel (Salvador Manuel).

* O Luís hoje tem 29 anos, licenciou-se em International Business, no King´s College, em Londres.
Vive e trabalha para uma empresa Americana, em Londres.
Também já trabalhou para uma empresa Israelita e estava em Tel Aviv (tinha acabado de chegar na manhã do próprio dia) no fatídico dia do ataque do Hamas a Israel (07.10. 2023).

 Demasiadamente reservado para o meu gosto, o Luís fez o seu percurso académico sem sobressaltos e tudo o que fez e conquistou na vida foi por mérito próprio, sem favores, sem "cunhas", sem referências!

 Sei que sou mãe e, como tal, suspeita no que diz respeito à opinião que tenho sobre os meus filhos e, nomeadamente, o Luís.
Mas como sempre tive, desde muito nova, um desenvolvido espírito analítico relativamente aos que foram sendo os objectos do meu interesse, sinto-me à vontade para afirmar que tenho um enorme orgulho e respeito pelo meu filho, pela sua tenacidade, independência, retidão e sentido de justiça (o mesmo que frequentemente me era comunicado pelas educadoras nos tempos em que frequentava a creche, em Coimbra).

 Precisamente por ser quem é e como é, e por não dever rigorosamente nada a ninguém, sempre e cada vez mais me magoa o facto de o Luís nunca ter sido incluído/contemplado, quanto mais não fosse por razões éticas e de respeito, não só no conhecimento, como na biografia e obra do seu avô paterno, mas também nas conversas e decisões que foram sendo tomadas ao longo dos anos, referentes ao mesmo e ao seu património material e cultural.

 Dirigindo-me, agora, ao Salvador Manuel pergunto, muito simplesmente, qual a lógica de pretender divulgar ao "mundo" o património cultural do seu avô paterno, quando intencional e cirurgicamente sempre o omitiu, enquanto irmão mais velho e "padrinho", ao seu irmão Luís?
Nunca o meu filho foi informado e, muito menos convidado (como se de um pária se tratasse) para qualquer um dos eventos que se têm realizado ao longo dos anos, desde os que se realizaram no Centro de Estudos da História Local e Regional Salvador Dias Arnaut (CEHLR-SDA) como, também, a inauguração da Rua Salvador Dias Arnaut, em homenagem ao avô de ambos.
E a distância nunca foi, não é nem será desculpa!
 A percentagem de ADN que partilham com o avô paterno é rigorosamente a mesma!
Eu sei que, hoje em dia, há muitas pessoas alérgicas ao conhecimento e produções científicas, mas estes não deixam de existir e de se afirmar na sequência das alergias.
Penela sempre foi um tabu nas relações com o Luís, algo que nunca entendi e nunca assimilarei.

 Curiosamente, lembrou-se do Luís e de lhe pedir que falasse com um jornalista do Diário de Coimbra (não tenho a certeza se foi este o jornal) na sequência do seu repatriamento de Israel para Portugal, por altura do ataque do Hamas, enquanto Luís Arnaut e na qualidade de cidadão de Coimbra.
Apenas e só!!!

 Aparece, entretanto, como "representante da família" mas, ainda hoje tem o seu pai (que o é de ambos) vivo, apesar de idoso e doente, de há uns anos a esta parte.
O problema não se coloca na representação, atendendo ao contexto geral, mas sim na total ausência de comunicação e satisfações para com um irmão (membro da sua família) adulto!

 Na sequência desta reflexão surgiu uma palavra (e respetivo conceito) que resume aquilo que sinto se tem passado ao longo de todos estes anos: Usurpação!!!
Não sei bem de quê, pois não sou detentora de todos os dados, mas impôs-se e penso que veio para ficar.

 Sei que é um tema delicado mas, também no que diz respeito à dimensão religiosa, está à vista a forma como é vivida e praticada:
foram precisos muitos anos para que eu compreendesse e aceitasse que existe uma diferença abismal entre Catolicismo e Cristianismo; a igreja católica é uma instituição, com todos os defeitos que as instituições humanas comportam e o Cristianismo é uma filosofia de vida.
 Só que foi o Cristianismo que esteve na base da instituição Igreja Católica e se resume a uma simples regra básica e fundamental na vida em sociedade: "Não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem a ti"!!!

 Questões para as quais não tenho resposta, que surgiram na sequência de uma investigação rudimentar e que parecem pertinentes:
- entre 1995 (ano falecimento meu sogro) e 2007, o imóvel a que me habituei a chamar de "casa de Penela" passa do nome do seu legítimo herdeiro para o do seu filho mais velho, Salvador Manuel Arnaut.
 Em 2007 o meu filho tinha 10 anos!
 Apesar de já divorciada há alguns anos e a viver no Algarve (na sequência de um divórcio muito conturbado e solução encontrada com o objectivo de preservar a saúde mental da minha família), uma vez que não falaram com o meu filho e eu detinha o poder paternal, quanto mais não fosse por razões de lisura, respeito e transparência, penso que teria sido de bom tom terem tido uma conversa comigo, uma vez que o Luís era, também, legítimo herdeiro do Pai.
- Em 2007 é estabelecido um "Acordo de Cooperação com a C.M.Penela", sendo o Primeiro Outorgante, Salvador Manuel Arnaut, o dono e legítimo possuidor do imóvel.
(Acta nº122, 28.02.2007)
Quando tive conhecimento desta situação, escrevi uma carta dirigida ao Sr. Presidente da Câmara, ao tempo e nunca obtive resposta fosse de quem fosse.
 O tempo passou!
- Em 2017, "direito de superfície", do mesmo imóvel mas com um diferente proprietário: precisamente a mãe do Salvador Manuel - Maria Eugénia Fareleiro!!!
(Acta nº 20, 23.10.2017)
Sendo que o Salvador Manuel é o único filho e herdeiro da senhora!!!
- Em 2018, "Isenção de IMT":Transmissão da propriedade para Sociedade Anónima:
"Por razões de otimização da gestão do património da família, o anterior e a atual proprietária do
imóvel, pretendem transmitir a propriedade do imóvel para a Sociedade Anónima, denominada Casal
do Pastor, Gestão Imobiliária, S.A., controlada pela família conforme certidão do registo comercial em
anexo, informando que o mesmo se manterá com a atual utilização e nos moldes devidamente
protocolados e contratualizados com o Município, não havendo qualquer intenção de o alienar a
terceiros.
Atendendo a que a transmissão para a já referida Sociedade Anónima tem de respeitar a forma
contratual legalmente prevista e tem caracter oneroso, vêm a atual proprietária do imóvel e o seu
filho, Maria Eugénia Pintassilgo Simões Fareleiro e Salvador Manuel Fareleiro Lacerda Arnaut,
respetivamente, invocando a utilização a que o imóvel está adstrito - Centro de Estudos de História
Local e Regional Salvador Dias Arnaut, solicitar a isenção do Imposto Municipal sobre as
Transmissões Onerosas de Imóveis referente ao ato de transmissão do referido imóvel para a Casal
do Pastor, Gestão Imobiliária, S.A.."
(Acta nº188, 29.06.2018)

 Perante o exposto, é difícil que nos não questionemos sobre o aparentemente acidentado percurso do imóvel em causa...

 A título de conclusão (pelo menos por agora!), tenho 99% de certeza que o Prof. Doutor Salvador Dias Arnaut, apesar das homenagens prestadas em seu nome, não estaria nada satisfeito com a forma como o processo se desenrolou, com a estratégia utilizada no sentido da intencional e deliberada exclusão do seu segundo neto e mais indignado ficaria, ainda, se o tivesse conhecido.

 A humildade é uma das características que ambos partilham!

 O património cultural, material e imaterial de uma pessoa notável (e neste caso específico, também por mérito próprio, exclusivamente!) não pode ser objecto de pretensões de exclusividade e, muito menos, de vaidade e promoção social e individual de seja quem for, caso seja esse o caso.
A confirmar-se, roçaria a dimensão patológica.

Tiveram, no mínimo, 20 anos para se manifestarem e falarem com o Luís (actualmente com 29 anos, como já anteriormente referi) e nunca o fizeram.
Deviam tê-lo feito na altura e momento próprios.

 Com 69 anos e no ocaso da minha vida, sou uma orgulhosa mãe de dois filhos que, apesar de muito diferentes um do outro, me mimam, me respeitam, se preocupam comigo e com o meu bem-estar.
 Entretanto e também com a idade, para além da sabedoria que lhe é implícita - "Saber de experiência feito!"- , e com as características próprias de quem pertence à Geração de 60, vem também o apelo à liberdade de sermos nós próprios, sem filtros, sem amarras e de nos exprimirmos enquanto tal e de dizer o que nos vai no coração.
 Fiz o que entendi devia fazer, enquanto por aqui ando.
E gostaria que o respeitassem (ao meu filho), da mesma forma que ele a todos respeita, a começar pela sua família. 

* Quero deixar bem claro, sob compromisso de honra, que o meu filho, o Luís, desconhece por completo o que sinto e tenho sentido ao longo destes anos e ignora completamente esta minha iniciativa.
 Imagino, também, que a não aprovaria, mas não estou preocupada com isso.
 Alguém tem de falar em seu nome e compete-me a mim fazê-lo.
 O "sentido de justiça" de que é dotado herdou-o de mim própria, e esse morrerá comigo.

Daniel’s Story, A Boy’s Life During the Holocaust

 «Esta é a história das experiências de uma família durante o Holocausto, contada na perspectiva de Daniel, um rapaz fictício que cresce na Alemanha nazi.
 A personagem de Daniel representa as experiências reais de milhões de crianças judias durante o Holocausto.
 A história é baseada na exposição do Museu "Lembra-te das Crianças: A História de Daniel".»*
*United States Holocaust Memorial Museum

"Keep calm & carry On", Inglaterra, Natal de 1939

 
Porque fez parte de um evento histórico não muito distante e, como tal, penso deva ser conhecido e/ou recordado, enquanto fonte de conhecimento e reflexão, lembrei-me deste artigo publicado no Daily Mail, a 25 de Dezembro de 2012:


Um artigo do jornalista Leon Watson publicado no Mail Online.
Muito interessante e bem documentado com o registo de fotografias/imagens de arquivo da época, tem como tema central o Natal do ano de 1939, em Inglaterra, na sequência da declaração de guerra contra a Alemanha, ocorrida a 3 de Setembro do mesmo ano.

"Would it be wrong to carry on as usual? Or was it a patriotic duty to defy Hitler and make it a happy Christmas?"

  Numa perspectiva histórica convida à reflexão sobre os desafios e contradições, dúvidas e hesitações que se puseram, ao tempo, a todos aqueles que, envolvidos nas diferentes áreas da sociedade, tinham como obrigação a pesada tarefa de transmitir e incentivar algum sentido de normalidade lá e num momento em que esta não tinha, de facto, cabimento.
Sob o lema "Keep Calm & carry on", as famílias e organismos eram aconselhados a envidar todos os esforços no sentido de procurar festejar o Natal, em nome e por amor às crianças.
Leitura recomendada.

Coimbra, Hino do Colégio de Sta. Maria

 
À medida que os anos vão passando e com o inexorável avançar da idade, vamos adquirindo uma maturidade que resulta do nosso percurso de vida e das incontáveis experiências vividas e sofridas por cada um.
No que me diz respeito, aquelas que me moldaram e me fizeram "crescer" em termos de aquisição de alguma "sabedoria" foram as negativas, as que deixaram um rasto de sofrimento e devastação, que exigiram processos de luta e muita reflexão face às decepções que foram surgindo e com as quais tive de me confrontar.
Aprender a aceitá-las como parte integrante da vida em sociedade e a com elas saber lidar foi um processo longo e penoso mas que, finalmente, trouxe os seus frutos, os mesmos de que hoje não prescindiria.
A desdramatização, a capacidade de saber olhar para além do que se apresenta como facto consumado e a serenidade a que conduziu este aprendizado, não têm descrição possível em termos de bem-estar interior.
Em termos ideológicos, por exemplo, na eventualidade de existir um "pensamento" dominante, hoje designado como "políticamente correcto", respeito e preservo o meu direito de pensar por mim própria, de me sentir confortável com aquela que foi a minha matriz cultural (e geracional) e rejeito ferozmente qualquer tentativa de "colonização" do pensamento, seja ela qual for e venha de onde vier.
Explicada a minha postura, entendi que deveria fazer esta publicação, quanto mais não seja para salvaguardar um património que poderá, não só corroborar como acrescentar algo em termos de estudo e conhecimento de uma determinada época e cultura portuguesas.
Frequentei este colégio, de que tenho gratas memórias, durante uns anos e, como era obrigatória a disciplina de Canto Coral, entre outros cantos e hinos aprendemos o hino do próprio colégio:

Rapariga Portuguesa
É grande a tua missão
Trazes dentro do teu peito
O futuro da Nação.

Amanhã serás mulher
Serás esposa, serás mãe
E nas tuas mãos terás
O melhor que a Pátria tem.

Trabalha pois e avante
Avante com galhardia
Por Portugal nossa pátria
Terra de Santa Maria.

Em termos de conclusão e para os que se debruçam sobre o estudo do Pensamento, eventual análise de conteúdos e mensagens subliminares, estão longe de ser "tenebrosos" os valores veículados neste hino.
O colégio era católico, a minha família católica era e, hoje, apesar da formação que tive e respeitando todas as religiões, não sinto necessidade nem me vejo capaz de integrar qualquer tipo de instituição de índole religiosa.
Fiz o percurso de vida que tinha que fazer, dei as minhas cabeçadas mas, entretanto, tenho dois filhos maravilhosos, trabalhadores, responsáveis e com sólidos princípios de vida em sociedade.
Ilustr.Google

Remembrance Day, em defesa da preservação de memórias colectivas

 
Ilustr. Tumblr

Tenho uma enorme admiração pelas culturas e países que recordam e valorizam a sua História homenageando, simultâneamente, todos aqueles que, de forma altruísta, deram e perderam as suas vidas em nome das nações e dos valores que defendiam.

Um país, uma Nação sem referências, despojado de memórias colectivas, será sempre um país mais frágil e fragilizado, porque descaracterizado, desprovido daquilo que deveria constituir a sua espinha dorsal, a sua História.

Não existem comunidades sem história, sem Passado, com episódios mais ou menos épicos, mais ou menos glorificadores, mas que estiveram lá e estão na génese do que somos, hoje, do nível de desenvolvimento que alcançámos e das peculiares características que temos, enquanto povo com uma língua e identidade próprias.

E é esta função identitária e unificadora de todo o conjunto das nossas memórias e tradições colectivas, que deveria ser não só preservada como incentivada.

O Muro de Berlim e a desestruturação de universos familiares

"Le mur de Berlin - the Berlin's wall 1962, une vidéo de grandmarquis 1960, 1961, mur, wall, west "


Um dia após a comemoração do 34º aniversário do início da queda do Muro de Berlim (9.11.1989), vale a pena ver este pequeno documentário pertencente ao Arquivo Nacional da United States Information Agency.
Ao abordar o tema da sua construção, relata os efeitos devastadores que provocou na sociedade e que conduziram à desestruturação de muitos universos familiares.
Revelando o imenso sofrimento provocado pela brutal e injustificável separação de inúmeras famílias, impele-nos a uma reflexão séria sobre o Autoritarismo, as diferentes formas que este pode assumir e o consequente e esmagador atropelo do livre-arbítrio e emoções humanas.

Simon Wiesenthal, I have never forgotten you

"Hatred can be nurtured anywhere, idealism can be perverted into sadism anywhere. 
If hatred and sadism combine with modern technology the inferno could erupt anew anywhere."

"O ódio pode ser alimentado em qualquer lugar, o idealismo pode ser pervertido e converter-se em sadismo, em qualquer lugar.
Se ao ódio e ao sadismo se associarem as modernas tecnologias, o inferno poderá explodir em qualquer lugar."
Google, IMP Awards

Vivemos numa época em que cada vez mais se ignora a História e, como tal, os ensinamentos que dela poderíamos ter aprendido e apreendido.
Desprezamos a Sabedoria e o saber de experiência e reflexão feitas.
Debruçamo-nos sobre causas marginais sobre as quais parece nem estatísticas existirem (para benefício dos defensores e envolvidos nas causas em questão) e ignoramos as essenciais, as que a todos implicam e a todos deveriam dizer respeito.
(continua)

Esforços de Guerra VIII: Apelo a consumos alternativos

«The time for extracting a lesson from History is ever at hand for those who are wise »

POUPEM a CARNE para os nossos Soldados e Aliados

E é esta cultura que decorre da necessidade de união de esforços conjuntos exigidos a todo um povo, no decurso da sua História, que faz dos EUA um país com um apuradíssimo (e invejável) sentimento patriótico.
Muito para além das naturais e salutares divergências ideológicas impõem-se, em cada momento específico, o sentido de pertença e a necessidade de participação/colaboração nos mais elevados desígnios da nação.

Esforços de Guerra VI: Restrições impostas à População Civil

 Apelo à substituição da farinha de trigo pela de milho

As ilações que podemos tirar e, sobretudo, as lições que devemos aprender

Numa fase em que a produção interna tinha como principais destinatários, não só o aprovisionamento das suas tropas em combate como, também, o mercado externo constituído pelos países aliados europeus*, foram muito significativas as restrições impostas à população civil no acesso aos principais géneros alimentícios (trigo, carne, açúcar e gorduras).

A necessidade de apelar à colaboração do povo Americano no esforço de guerra, através de diversas medidas conjuntas de suporte e apoio, propondo e divulgando alternativas ao consumo dos produtos em falta - numa época em que ainda não existia televisão e as emissões radiofónicas não eram acessíveis a todos - deu origem a um proliferar de cartazes de propaganda cujas palavras e imagens persuasivas apelavam à união de esforços, patriotismo e resistência, tendo como meta final a vitória sobre as forças inimigas.

Tradução e Adaptação
Maria M. Abreu

Esforços de Guerra V: Mobilização para a Produção Nacional

 "Posters criados pela United States Crop Corps com o objectivo de recrutar jovens para os trabalhos agrícolas durante a II Guerra Mundial.

A convocação de grande parte da população do sexo masculino para o serviço militar gerou uma escassez de mão-de-obra na agricultura e a consequente necessidade de encontrar voluntários que trabalhassem nos campos, entre os mais jovens."


Agriculture - World WarII (1939-1945) -War work

De interesse histórico, estes posters/slogans revelam-nos o esforço de toda uma Nação em luta pela necessidade de manter o seu país a produzir apesar da escassez de mão-de-obra motivada pelo recrutamento, em massa, dos seus homens para cenários de guerra.

Em tempo de guerra/crise, é preciso arregaçar as mangas e ir à luta.

Na ausência de organismos empenhados e/ou com capacidade para mobilizar as populações teremos de ser nós, individualmente ou em grupo, a procurar os meios através dos quais possamos fazer face à carestia de vida que a todos pode atingir.

Composição, tradução e adaptação
Maria M. Abreu

Simon Wiesenthal, privilégio e responsabilidades

 

« A sobrevivência é um privilégio que implica obrigações.
Questiono-me contínuamente sobre o que posso fazer por aqueles que não sobreviveram.»

« Sei que não represento, apenas, a má consciência dos Nazis.
Represento, também, a má consciência dos Judeus.
Porque aquilo que assumi como meu dever era o dever de todos.»

Simon Wiesenthal

Esforços de Guerra IV: o papel desempenhado pelos "Victory Gardens"

 As ilações que podemos tirar e, sobretudo, as lições que devemos aprender !!!

Atendendo ao facto de a maior parte de nós, Portugueses, não deter este tipo de informações e porque considero serem importantes enquanto estratégias a conhecer e a aprofundar - sobretudo quando passámos, já, por tempos difíceis em que a fome bateu à porta de muitos, entendi ser meu dever cívico partilhá-las, tanto mais que faz hoje anos que começou a II Guerra Mundial

Os Victory gardens foram um, de entre os vários mecanismos modeladores de culturas de solidariedade, virados para a defesa e preservação de sociedades a braços com graves dificuldades, ao tempo.

«Os Victory gardens, também designados war gardens ou food gardens for defense, eram jardins onde se plantavam legumes, fruta e ervas aromáticas em residências privadas e parques públicos, não só nos EUA como, também, no Reino Unido, Canadá e Alemanha durante as I e II Guerras Mundiais. Tinham como objectivo reduzir o peso no fornecimento de alimentos ao público, na sequência do esforço de guerra. A acrescentar ao contributo indirecto na participação deste mesmo esforço, estes jardins eram também considerados um "reforço moral" civil — através desta iniciativa os produtores sentiam-se compensados, não só pela sua contribuição em termos de trabalho produzido como, também, pelos produtos dele resultantes.
Os victory gardens tornaram-se parte da vida quotidiana na frente nacional.» Wikipedia

"Pretendia-se, por parte dos organismos governamentais, que cada cidadão e/ou família providenciasse a produção das suas próprias frutas e legumes.
Responderam ao apelo cerca de 20 milhões de Americanos.
Em nome de valores patrióticos plantaram jardins/hortas nas traseiras de suas casas, em terrenos disponíveis e até mesmo nos terraços de prédios urbanos.
Os vizinhos repartiam os recursos entre si plantando diferentes tipos de alimentos e formando cooperativas. 
Simultâneamente as famílias foram encorajadas a conservar/enlatar os produtos que sobejavam para uso próprio, de forma a salvaguardar o fornecimento dos enlatados comerciais para o consumo das forças militares."
Living History Farm
Setembro 2,  2018
Ilustr. Propaganda art for WWII Victory Gardens
Library of Congress
Tradução e adaptação: Maria M. Abreu

Esforços de Guerra III : restrição e aprovisionamento alimentos destinados às tropas em combate

"What experience and history teach is this: 
that people and governments never have learned anything from history or acted on the principles deduced from it."

"FOOD WILL WIN THE WAR"

Quando os EUA entraram na guerra em Abril de 1917, o Presidente Wilson nomeou Hoover para a chefia da US Food Administration.
Este, acreditando firmemente que a política de restrição e aprovisionamento dos alimentos conduziria a uma vitória dos EUA e aliados contra o inimigo, criou o slogan "Food will win the War", difundindo-o por todo o país.
Foi dele também a ideia de persuadir a população a evitar o consumo de alguns bens alimentares específicos em determinados dias da semana *(meatless Mondays, wheatless Wednesdays), com o objectivo de os reservar para as tropas em combate.
Em alternativa e, quando em dúvida, aconselhava ao consumo de batatas.

Tradução e adaptação: Maria M.Abreu
Ilustr. Google

Esforços de Guerra II: racionamento do consumo de Alimentos

 "History is philosophy learned from examples."


"Durante a I Guerra Mundial, a FDA(EUA) instigava as famílias a reduzir o consumo dos principais alimentos estratégicos, com a finalidade de contribuírem para um esforço conjunto de guerra.
A preservação dos alimentos tinha como objectivo não só a manutenção das tropas dos EUA como, também, o abastecimento das populações de alguns países europeus cujos circuitos de produção e distribuição foram interrompidos pela guerra.
Com o objectivo de encorajar o racionamento voluntário, por parte da população, a FDA criou o slogan "Food Will Win the War" - "Os alimentos ajudar-nos-ão a vencer a guerra" e criou os conceitos "Segunda-Feira sem carne"* e "Quarta-Feira sem trigo" para fazer lembrar aos Americanos a necessidade de reduzir o consumo destes produtos."
Para além da publicidade, este organismo providenciou uma ampla variedade de materiais, desde panfletos informativos a livros de receitas e menus adequados às circunstâncias.

Novembro, 04, 2018
Tradução e adaptação: Maria M.Abreu

Esforços de Guerra I: a escassez e o racionamento de Recursos

 No ano e mês em que se comemora o centenário do Armístício (I Guerra Mundial,11 Nov.1918) entendi fazer todo o sentido introduzir, neste blogue, uma temática que muito me apaixonou a partir do momento em que a ela tive acesso e sobre ela me debrucei: as diferentes medidas de carácter socio-económico tomadas em alguns dos países intervenientes (EUA e Reino Unido), tanto na I como na II Guerras Mundiais.
Estas tinham como objectivo racionalizar as respectivas economias nacionais e libertar recursos para o tremendo esforço de guerra em que estavam envolvidos.

"History is a guide to navigation in perilous times.
History is who we are and why we are the way we are."

"Apesar de os EUA terem estado envolvidos na I Guerra Mundial por, apenas, 19 meses (de Abril de 1917 a Novembro de 1918) foi extraordinária a mobilização da sua economia. Mais de quatro milhões de Americanos serviram nas forças armadas e a economia dos EUA transformou-se numa vasta reserva de provisões de matérias-primas e munições."
A dimensão do exército e consequente necessidade de encontrar os meios de financiamento da guerra, traduziram-se na implementação de medidas político-económicas de extremo rigor, por parte do governo Americano, ao tempo.
Ao assumir o controle da economia e legislando em conformidade o governo criou, entre outras medidas, uma ampla variedade de organismos destinados a implementar e supervisionar políticas específicas em áreas tão diversas como a da agricultura/alimentação, gestão de combustíveis, de transportes ferroviários, etc.
A propaganda foi um dos veículos utilizados para fazer passar as principais mensagens no país, atendendo à necessidade de envolvimento de toda a população no tremendo esforço que lhes era exigido.
Variáveis constantes eram os apelos à cooperação voluntária, à poupança, reutilização e consumo racionais.

Novembro, 03, 2018
Tradução e adaptação
Maria M. Abreu

Irlanda, the great famine: histórias que fizeram História

 
« quando eu era um garoto, ainda na irlanda, costumava pular aqueles muros, belos amontoados de pedras à moda neolítica... de um lado, morava o'reilly, que tinha uma filha, do outro, mcloughlin, de quem meu pai adorava o whiskey caseiro (note-se o e que lhe distingue o sabor genuíno)... aos fundos, bem distante da casa, um pouco mais alta, a única muralha que eu não ousava pular dava para uma falésia... cento e cinquenta e três metros de queda, todos eles contados, absolutamente livres... porra, como era lindo aquele mar!

eu não pulava o muro de o´reilly, que separava o nosso verde do seu verde, os mais verdes que possas imaginar, para bolinar a sua menina... claro, ela era uma garotinha, nascemos no mesmo dia, ao fim de uma jornada cansativa... ainda não era minha namorada, mas eu tinha uma espingarda de pau, um estilingue, e levava algumas pedras nos bolsos para proteger cathy o´reilly de um eventual ataque dos ingleses naquelas longas caminhadas que fazíamos nas tardes de verão... na realidade, eles costumavam aparecer apenas uma vez ao ano, poucos dias após a colheita... geralmente, um grupo de cinco ou seis... o almofadinha no comando sempre tinha em mãos um papel emitido com um timbre que dizia ser da rainha vitória, a afirmá-lo como representante do legítimo proprietário, um tal lord de merda que vivia em londres... vinham cobrar a renda anual...

naquele ano, o segundo consecutivo, não havia batatas a colher, nem mesmo para o nosso próprio sustento... elas apodreciam antes da colheita... nenhum florim, sequer um penny... desta vez, os ingleses estavam em maior número, um pequeno exército... premeditaram não apenas espancar a todos, incluindo meu pai - como no ano anterior, quando mataram o velho mcloughlin, que tentara ajudá-lo -, a ordem agora era expulsar os inquilinos... e queimaram tudo... movidos por um mal que nunca compreendi, sequer levaram os poucos animas, apenas os mataram... no dia seguinte, comemos carne...

as filas cabisbaixas que nos levavam a cork, a dublin ou onde mais, foram dispersando-se... um milhão e meio de irlandeses morreram de fome ou das suas consequências, incluindo meus pais, talvez meus irmãos... fui um escolhido... dois ou três milhões partiram para a américa... reencontrei cathy muitos anos depois, em londres... éramos católicos, portanto tivemos sete filhos juntos, e juntos partimos para o brasil levando quatro deles... chegamos com três... um ano depois, eu, que viera para trabalhar como professor, estava abrindo uma estrada, uma tal linha massaranduba... exausto, buscando o sono numa cabana de pau-a-pique, tive um braço arrancado por uma onça e sangrei até morrer... cathy terá penado muito para criar nossos filhos, mas acredito que teve netos e tudo mais...»

Postado por t.o r.k.m u.r p h.y...
Google Ilustr.

Um repost (2008) de um texto que, continuando a emocionar-me, me faz sentir a necessidade de o dar a conhecer, de o divulgar, fazendo uso dos recursos disponíveis, porque sei ser uma narrativa sentida e vivida, de muito próximo, pelo autor, herdeiro directo deste pedaço de história da Irlanda que tão primorosamente (em meu entender) conseguiu retratar.

"Quarantine Poem" by Eavan Boland

 Great Famine (Ireland))

Irish famine winter 1847 animation


"Between 1845 and 1852 more than a million Irish people died from starvation and disease.
The catastrophic Famine of the 1840s devastated Ireland."

Richard Zimler, Preservação das memórias do Holocausto

Memories of the Holocaust are fading – my fiction helps me preserve the past

The Guardian, 28.08.2022

«(...)I grew so troubled in part because I had recently become aware – while promoting a novel of mine that takes place in the Warsaw ghetto – that the Holocaust was fading from memory. Indeed, in talks I’d given in the UK and Poland, many readers made it clear from their comments that they had only a very superficial idea about what daily life was like in the overcrowded and disease-ridden ghettoes. Even more troubling, some knew precious little about the inhuman conditions in the extermination camps.

So how to balance our need to learn all we can about crimes against humanity – to try to prevent them from happening again – with the absolute right of victims to keep the details of their pasts to themselves? Although this seemed to me a question with no clear answer, it was still worth exploring. At this point I began planning a new novel; the effort of Holocaust survivors concealing their suffering – to try to prevent it from creating fear and despair in their children – seemed a noble effort very much worth writing about...

... Already, surveys reveal that two-thirds of Americans aged 18 to 34 have no idea what Auschwitz was. That ignorance terrifies me and motivates me to keep writing about the Holocaust and survivors. After all, those who have no knowledge of the death camps might very well prove all too ready to start them up again (...)

Richard Zimler

Quando eu pensava serem preciosos estes testemunhos, que imaginava seriam passados de geração em geração e constituiriam um manancial de informação privilegiada e potencialmente útil para prevenir a repetição dos erros cometidos no passado (*), eis que somos confrontados com esta realidade:
a do silêncio de grande parte daqueles que viveram e sofreram os crimes e horrores contra eles cometidos.
Um silêncio absolutamente compreensível e digno do maior respeito, uma opção muito comum em muitos dos que têm e sentem não só um grande pudor, como uma enorme vontade de manter bem enterrado tudo quanto sejam recordações susceptíveis de provocar sofrimento, de reavivar memórias que, de tão inexoravelmente dolorosas, melhor será sejam abafadas e mantidas no lugar mais recôndito de si próprios.
Como em todas as situações pautadas pelo sofrimento humano, sobretudo aquele que resulta de sistemáticas humilhações, há sempre lacunas por preencher, importantes informações sonegadas que têm como consequência uma História menos enriquecida, só e apenas, por falta de corroboração por parte de todos aqueles que optaram pelo silêncio...

SÃO  MULTIPLOS, FELIZMENTE, OS RELATOS QUE A NÓS CHEGARAM!!!

(*) «The history of man is the history of crimes, and history can repeat. So information is a defense. Through this we can build, we must build, a defense against repetition.»

Simon Wiesenthal in Baltimore Jewish Times, February 24, 1989

Nota:
Mesmo a propósito aconselho vivamente a que vejam, na Netflix, o documentário "FORBIDEN SCHOOL" - "Filhos do Destino - Escola Proibida" de Francesco Miccichè / Marco Spagnoli (2019)

«The story of four Italian children facing the racial laws and the wave of hate brought by fascism against the Jews.»

A Arte de Relativizar


 « (...)Perspective is an amazing art. Let’s try and keep things in perspective. Let’s be smart, help each other out, and we will get through all of this. In the history of the world, there has never been a storm that lasted. This too, shall pass."»

"For a small amount of perspective at this moment, imagine you were born in 1900. When you are 14, World War I starts, and ends on your 18th birthday with 22 million people killed. Later in the year, a Spanish Flu epidemic hits the planet and runs until you are 20. Fifty million people die from it in those two years. Yes, 50 million.

 When you're 29, the Great Depression begins. Unemployment hits 25%, global GDP drops 27%. That runs until you are 33. The country nearly collapses along with the world economy. When you turn 39, World War II starts. You aren’t even over the hill yet.

 When you're 41, the United States is fully pulled into WWII. Between your 39th and 45th birthday, 75 million people perish in the war and the Holocaust kills six million. At 52, the Korean War starts and five million perish.

 At 64 the Vietnam War begins, and it doesn’t end for many years. Four million people die in that conflict. Approaching your 62nd birthday you have the Cuban Missile Crisis, a tipping point in the Cold War. Life on our planet, as we know it, could well have ended. Great leaders prevented that from happening.

 As you turn 75, the Vietnam War finally ends. Think of everyone on the planet born in 1900. How do you survive all of that? A kid in 1985 didn’t think their 85 year old grandparent understood how hard school was. Yet those grandparents (and now great grandparents) survived through everything listed above.

 Perspective is an amazing art. Let’s try and keep things in perspective. Let’s be smart, help each other out, and we will get through all of this.

 In the history of the world, there has never been a storm that lasted.
This too, shall pass."

The Hippies were Right/FB

 Depois de ter hesitado e procurado alternativas, mais directas e transparentes, para fazer chegar esta magnífica mensagem a esta página, acabei por recorrer ao velho método do copy/paste com a enorme preocupação de, não só revelar a fonte como, também, de a louvar, agradecendo ao autor/a o alento que me deram ao abordar, partilhando, esta sua perspectiva.

 E foi esta lição - a de procurar incentivar-nos a manter as coisas em perspectiva, relativizando o dramatismo do momento que, globalmente, a todos está a afectar - foi este apelo a um rápido revisitar de alguns dos momentos mais dramáticos da História mundial do séc.XX, que me fizeram refletir e fazer o exercício de, com toda a humildade, relegar para um segundo plano toda e qualquer tentação de vitimização decorrente das dificuldades com as quais me tenho defrontado.