«Esta é a história das experiências de uma família durante o Holocausto, contada na perspectiva de Daniel, um rapaz fictício que cresce na Alemanha nazi.
A personagem de Daniel representa as experiências reais de milhões de crianças judias durante o Holocausto.
A história é baseada na exposição do Museu "Lembra-te das Crianças: A História de Daniel".»*
*United States Holocaust Memorial Museum
Em busca do equilíbrio entre a constância e "certezas" do Passado e a fluidez e múltiplas contingências do Presente
Daniel’s Story, A Boy’s Life During the Holocaust
"Keep calm & carry On", Inglaterra, Natal de 1939
Coimbra, Hino do Colégio de Sta. Maria
No que me diz respeito, aquelas que me moldaram e me fizeram "crescer" em termos de aquisição de alguma "sabedoria" foram as negativas, as que deixaram um rasto de sofrimento e devastação, que exigiram processos de luta e muita reflexão face às decepções que foram surgindo e com as quais tive de me confrontar.
Aprender a aceitá-las como parte integrante da vida em sociedade e a com elas saber lidar foi um processo longo e penoso mas que, finalmente, trouxe os seus frutos, os mesmos de que hoje não prescindiria.
A desdramatização, a capacidade de saber olhar para além do que se apresenta como facto consumado e a serenidade a que conduziu este aprendizado, não têm descrição possível em termos de bem-estar interior.
Em termos ideológicos, por exemplo, na eventualidade de existir um "pensamento" dominante, hoje designado como "políticamente correcto", respeito e preservo o meu direito de pensar por mim própria, de me sentir confortável com aquela que foi a minha matriz cultural (e geracional) e rejeito ferozmente qualquer tentativa de "colonização" do pensamento, seja ela qual for e venha de onde vier.
Explicada a minha postura, entendi que deveria fazer esta publicação, quanto mais não seja para salvaguardar um património que poderá, não só corroborar como acrescentar algo em termos de estudo e conhecimento de uma determinada época e cultura portuguesas.
Frequentei este colégio, de que tenho gratas memórias, durante uns anos e, como era obrigatória a disciplina de Canto Coral, entre outros cantos e hinos aprendemos o hino do próprio colégio:
O colégio era católico, a minha família católica era e, hoje, apesar da formação que tive e respeitando todas as religiões, não sinto necessidade nem me vejo capaz de integrar qualquer tipo de instituição de índole religiosa.
Remembrance Day, em defesa da preservação de memórias colectivas
Tenho uma enorme admiração pelas culturas e países que recordam e valorizam a sua História homenageando, simultâneamente, todos aqueles que, de forma altruísta, deram e perderam as suas vidas em nome das nações e dos valores que defendiam.
Um país, uma Nação sem referências, despojado de memórias colectivas, será sempre um país mais frágil e fragilizado, porque descaracterizado, desprovido daquilo que deveria constituir a sua espinha dorsal, a sua História.
Não existem comunidades sem história, sem Passado, com episódios mais ou menos épicos, mais ou menos glorificadores, mas que estiveram lá e estão na génese do que somos, hoje, do nível de desenvolvimento que alcançámos e das peculiares características que temos, enquanto povo com uma língua e identidade próprias.
E é esta função identitária e unificadora de todo o conjunto das nossas memórias e tradições colectivas, que deveria ser não só preservada como incentivada.
O Muro de Berlim e a desestruturação de universos familiares
Simon Wiesenthal, I have never forgotten you
Esforços de Guerra VIII: Apelo a consumos alternativos
Esforços de Guerra VI: Restrições impostas à População Civil
As ilações que podemos tirar e, sobretudo, as lições que devemos aprender
Numa fase em que a produção interna tinha como principais destinatários, não só o aprovisionamento das suas tropas em combate como, também, o mercado externo constituído pelos países aliados europeus*, foram muito significativas as restrições impostas à população civil no acesso aos principais géneros alimentícios (trigo, carne, açúcar e gorduras).
Maria M. Abreu
Esforços de Guerra V: Mobilização para a Produção Nacional
De interesse histórico, estes posters/slogans revelam-nos o esforço de toda uma Nação em luta pela necessidade de manter o seu país a produzir apesar da escassez de mão-de-obra motivada pelo recrutamento, em massa, dos seus homens para cenários de guerra.
Em tempo de guerra/crise, é preciso arregaçar as mangas e ir à luta.
Na ausência de organismos empenhados e/ou com capacidade para mobilizar as populações teremos de ser nós, individualmente ou em grupo, a procurar os meios através dos quais possamos fazer face à carestia de vida que a todos pode atingir.
Simon Wiesenthal, privilégio e responsabilidades
« A sobrevivência é um privilégio que implica obrigações.
Questiono-me contínuamente sobre o que posso fazer por aqueles que não sobreviveram.»
« Sei que não represento, apenas, a má consciência dos Nazis.
Represento, também, a má consciência dos Judeus.
Porque aquilo que assumi como meu dever era o dever de todos.»
Esforços de Guerra IV: o papel desempenhado pelos "Victory Gardens"
Os Victory gardens foram um, de entre os vários mecanismos modeladores de culturas de solidariedade, virados para a defesa e preservação de sociedades a braços com graves dificuldades, ao tempo.
Esforços de Guerra III : restrição e aprovisionamento alimentos destinados às tropas em combate
Tradução e adaptação: Maria M.Abreu
Ilustr. Google
Esforços de Guerra II: racionamento do consumo de Alimentos
Esforços de Guerra I: a escassez e o racionamento de Recursos
Irlanda, the great famine: histórias que fizeram História
eu não pulava o muro de o´reilly, que separava o nosso verde do seu verde, os mais verdes que possas imaginar, para bolinar a sua menina... claro, ela era uma garotinha, nascemos no mesmo dia, ao fim de uma jornada cansativa... ainda não era minha namorada, mas eu tinha uma espingarda de pau, um estilingue, e levava algumas pedras nos bolsos para proteger cathy o´reilly de um eventual ataque dos ingleses naquelas longas caminhadas que fazíamos nas tardes de verão... na realidade, eles costumavam aparecer apenas uma vez ao ano, poucos dias após a colheita... geralmente, um grupo de cinco ou seis... o almofadinha no comando sempre tinha em mãos um papel emitido com um timbre que dizia ser da rainha vitória, a afirmá-lo como representante do legítimo proprietário, um tal lord de merda que vivia em londres... vinham cobrar a renda anual...
naquele ano, o segundo consecutivo, não havia batatas a colher, nem mesmo para o nosso próprio sustento... elas apodreciam antes da colheita... nenhum florim, sequer um penny... desta vez, os ingleses estavam em maior número, um pequeno exército... premeditaram não apenas espancar a todos, incluindo meu pai - como no ano anterior, quando mataram o velho mcloughlin, que tentara ajudá-lo -, a ordem agora era expulsar os inquilinos... e queimaram tudo... movidos por um mal que nunca compreendi, sequer levaram os poucos animas, apenas os mataram... no dia seguinte, comemos carne...
as filas cabisbaixas que nos levavam a cork, a dublin ou onde mais, foram dispersando-se... um milhão e meio de irlandeses morreram de fome ou das suas consequências, incluindo meus pais, talvez meus irmãos... fui um escolhido... dois ou três milhões partiram para a américa... reencontrei cathy muitos anos depois, em londres... éramos católicos, portanto tivemos sete filhos juntos, e juntos partimos para o brasil levando quatro deles... chegamos com três... um ano depois, eu, que viera para trabalhar como professor, estava abrindo uma estrada, uma tal linha massaranduba... exausto, buscando o sono numa cabana de pau-a-pique, tive um braço arrancado por uma onça e sangrei até morrer... cathy terá penado muito para criar nossos filhos, mas acredito que teve netos e tudo mais...»
"Quarantine Poem" by Eavan Boland
Irish famine winter 1847 animation
Richard Zimler, Preservação das memórias do Holocausto
«(...)I grew so troubled in part because I had recently become aware – while promoting a novel of mine that takes place in the Warsaw ghetto – that the Holocaust was fading from memory. Indeed, in talks I’d given in the UK and Poland, many readers made it clear from their comments that they had only a very superficial idea about what daily life was like in the overcrowded and disease-ridden ghettoes. Even more troubling, some knew precious little about the inhuman conditions in the extermination camps.
So how to balance our need to learn all we can about crimes against humanity – to try to prevent them from happening again – with the absolute right of victims to keep the details of their pasts to themselves? Although this seemed to me a question with no clear answer, it was still worth exploring. At this point I began planning a new novel; the effort of Holocaust survivors concealing their suffering – to try to prevent it from creating fear and despair in their children – seemed a noble effort very much worth writing about...
... Already, surveys reveal that two-thirds of Americans aged 18 to 34 have no idea what Auschwitz was. That ignorance terrifies me and motivates me to keep writing about the Holocaust and survivors. After all, those who have no knowledge of the death camps might very well prove all too ready to start them up again (...)
Um silêncio absolutamente compreensível e digno do maior respeito, uma opção muito comum em muitos dos que têm e sentem não só um grande pudor, como uma enorme vontade de manter bem enterrado tudo quanto sejam recordações susceptíveis de provocar sofrimento, de reavivar memórias que, de tão inexoravelmente dolorosas, melhor será sejam abafadas e mantidas no lugar mais recôndito de si próprios.
Como em todas as situações pautadas pelo sofrimento humano, sobretudo aquele que resulta de sistemáticas humilhações, há sempre lacunas por preencher, importantes informações sonegadas que têm como consequência uma História menos enriquecida, só e apenas, por falta de corroboração por parte de todos aqueles que optaram pelo silêncio...
SÃO MULTIPLOS, FELIZMENTE, OS RELATOS QUE A NÓS CHEGARAM!!!
(*) «The history of man is the history of crimes, and history can repeat. So information is a defense. Through this we can build, we must build, a defense against repetition.»
Simon Wiesenthal in Baltimore Jewish Times, February 24, 1989
Nota:
Mesmo a propósito aconselho vivamente a que vejam, na Netflix, o documentário "FORBIDEN SCHOOL" - "Filhos do Destino - Escola Proibida" de Francesco Miccichè / Marco Spagnoli (2019)
«The story of four Italian children facing the racial laws and the wave of hate brought by fascism against the Jews.»
A Arte de Relativizar
"For a small amount of perspective at this moment, imagine you were born in 1900. When you are 14, World War I starts, and ends on your 18th birthday with 22 million people killed. Later in the year, a Spanish Flu epidemic hits the planet and runs until you are 20. Fifty million people die from it in those two years. Yes, 50 million.
When you're 29, the Great Depression begins. Unemployment hits 25%, global GDP drops 27%. That runs until you are 33. The country nearly collapses along with the world economy. When you turn 39, World War II starts. You aren’t even over the hill yet.
When you're 41, the United States is fully pulled into WWII. Between your 39th and 45th birthday, 75 million people perish in the war and the Holocaust kills six million. At 52, the Korean War starts and five million perish.
At 64 the Vietnam War begins, and it doesn’t end for many years. Four million people die in that conflict. Approaching your 62nd birthday you have the Cuban Missile Crisis, a tipping point in the Cold War. Life on our planet, as we know it, could well have ended. Great leaders prevented that from happening.
As you turn 75, the Vietnam War finally ends. Think of everyone on the planet born in 1900. How do you survive all of that? A kid in 1985 didn’t think their 85 year old grandparent understood how hard school was. Yet those grandparents (and now great grandparents) survived through everything listed above.
Perspective is an amazing art. Let’s try and keep things in perspective. Let’s be smart, help each other out, and we will get through all of this.
In the history of the world, there has never been a storm that lasted.
This too, shall pass."
The Hippies were Right/FB
Depois de ter hesitado e procurado alternativas, mais directas e transparentes, para fazer chegar esta magnífica mensagem a esta página, acabei por recorrer ao velho método do copy/paste com a enorme preocupação de, não só revelar a fonte como, também, de a louvar, agradecendo ao autor/a o alento que me deram ao abordar, partilhando, esta sua perspectiva.
E foi esta lição - a de procurar incentivar-nos a manter as coisas em perspectiva, relativizando o dramatismo do momento que, globalmente, a todos está a afectar - foi este apelo a um rápido revisitar de alguns dos momentos mais dramáticos da História mundial do séc.XX, que me fizeram refletir e fazer o exercício de, com toda a humildade, relegar para um segundo plano toda e qualquer tentação de vitimização decorrente das dificuldades com as quais me tenho defrontado.
O perigo da repetição da História
Depois de 2 complicadíssimos anos de Pandemia, num momento em que estamos a tentar recuperar e reerguer-nos, tanto em termos individuais como colectivos, a perspectiva de estarmos à beira de um abismo, sob a eminente ameaça de uma guerra mundial é algo que, para além de aterrador, pareceria inaceitável num mundo culto, inteligente, informado e racional ...
Apesar de Putin ter muitos tiques semelhantes, uma ambição desmedida, uma total ausência de escrúpulos, uma enorme revolta dentro dele (desmantelamento da URSS), um grande exército pronto a responder aos seus impulsos, armamento sofisticado e um povo dominado pela ditadura, pobre e inculto, como convém, esperemos que se não venha a transformar numa versão Hitleriana do séc. XXI ...
Que Deus nos proteja de semelhante destino!...
(Fevereiro, 23, 2022)
E a guerra continua, prolongando-se e sem fim à vista.
Ontem o Presidente Volodymyr Zelensky, presença constante nos nossos ecrãs, assinalou os 500 dias de guerra na Ucrânia.
A ameaça de uma III guerra mundial não é mais uma hipótese porventura remota, mas algo de muito concreto que a qualquer momento pode ser despoletado face aos últimos desenvolvimentos protagonizados pelos EUA.
E se nós nos não protegemos, a que propósito é que Deus teria de o fazer?!...
Simon Wiesenthal, Alerta para o perigo de a História se repetir
Uma das funções do seu conhecimento poderia e deveria ser, precisamente, esta:
Art portrait by Titina Chalmatzi













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