Em busca do equilíbrio entre a constância e "certezas" do Passado e a fluidez e múltiplas contingências do Presente
Coimbra, Hino do Colégio de Sta. Maria
No que me diz respeito, aquelas que me moldaram e me fizeram "crescer" em termos de aquisição de alguma "sabedoria" foram as negativas, as que deixaram um rasto de sofrimento e devastação, que exigiram processos de luta e muita reflexão face às decepções que foram surgindo e com as quais tive de me confrontar.
Aprender a aceitá-las como parte integrante da vida em sociedade e a com elas saber lidar foi um processo longo e penoso mas que, finalmente, trouxe os seus frutos, os mesmos de que hoje não prescindiria.
A desdramatização, a capacidade de saber olhar para além do que se apresenta como facto consumado e a serenidade a que conduziu este aprendizado, não têm descrição possível em termos de bem-estar interior.
Em termos ideológicos, por exemplo, na eventualidade de existir um "pensamento" dominante, hoje designado como "políticamente correcto", respeito e preservo o meu direito de pensar por mim própria, de me sentir confortável com aquela que foi a minha matriz cultural (e geracional) e rejeito ferozmente qualquer tentativa de "colonização" do pensamento, seja ela qual for e venha de onde vier.
Explicada a minha postura, entendi que deveria fazer esta publicação, quanto mais não seja para salvaguardar um património que poderá, não só corroborar como acrescentar algo em termos de estudo e conhecimento de uma determinada época e cultura portuguesas.
Frequentei este colégio, de que tenho gratas memórias, durante uns anos e, como era obrigatória a disciplina de Canto Coral, entre outros cantos e hinos aprendemos o hino do próprio colégio:
O colégio era católico, a minha família católica era e, hoje, apesar da formação que tive e respeitando todas as religiões, não sinto necessidade nem me vejo capaz de integrar qualquer tipo de instituição de índole religiosa.
Educar é responsabilizar, libertando
Jardim-Escola João de Deus (Coimbra)
Foi precisamente isto que procurei fazer, meu filho, e foram estes os pilares que nortearam todas as minhas opções, por mais estranhas que te tenham parecido a ti e a quem estava de fora.
Houve momentos difíceis!...
É sempre complicado decidir, assumir a responsabilidade das nossas decisões, sobretudo quando, em virtude das circunstâncias, estas revestem um carácter solitário, com todo o peso que isso comporta.
Não estou arrependida...aliás, procederia exactamente da mesma maneira se se repetissem acontecimentos semelhantes.
."Mariana" como sou, entrego-te a quem de direito, esperando que te acompanhe neste novo percurso resultante de uma decisão que, sendo exclusivamente da tua responsabilidade, eu sei estar cheia de escolhos.
Voa, meu filho, voa!...
Acompanhar-te-ei e apoiar-te-ei enquanto e sempre que me for possível.
Nunca foi minha pretensão manter-te prisioneiro, neste ninho que será sempre teu, por direito próprio.
Amo-te.
mãe (2014)
E voaste, voaste muito e para bem longe! …
Quase no fim desta etapa quero, de uma forma tão pública quanto desconhecida para ti, dizer-te que continuo a sentir-me muito orgulhosa e que sei que não foram nem têm sido em vão os sacrifícios feitos por ambas as partes.
(Set.14.2019)

