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Conferência Imprensa MAI, A questão que se impunha


 
"Dar pérolas a porcos"
'«É mais uma expressão com origem bíblica. No Evangelho segundo S. Mateus, cap. 7, no Sermão da Montanha, Cristo disse: "Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis pérolas a porcos, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem."»

 Na minha condição de cidadã comum, fiquei satisfeita e mais esclarecida depois das explicações dadas pelo Sr. Ministro do MAI relacionadas com as situações mais melindrosas de que tanto se tem falado no decurso das últimas semanas, sobre alguns procedimentos menos ortodoxos, enquanto director da Polícia Judiciária.

 Inconcebível para mim, foi o facto de não ocorrer a nenhum "jornalista" perguntar, não só aos dirigentes dos partidos, como aos comentadores em serviço, uma questão simplicíssima e que poderia ter sido altamente clarificadora, tanto em termos de análise de carácter como de expectativas de desempenho de funções de chefia:
perante o relato, feito na 1º pessoa, das dificuldades crónicas e recorrentes sentidas na PJ, para o cabal desempenho das suas funções - cuja situação específica exigia respostas rápidas, cirúrgicas, que contemplassem, entre outras, não só as limitações orçamentais disponíveis como uma ineficiente e morosa burocracia - o que teria feito, como teria agido cada um dos que, para além de continuar a criticar, o faziam condenando.
 Esse, sim, teria sido um serviço público, digno desse nome, prestado às audiências, constituídas por potenciais eleitores.

Portugal, a opacidade que a ninguém incomoda e de que ninguém fala

 
 Depois de ter assistido, em parte, ao último debate da Nação (esta quinta-feira que passou) e de ter ouvido o Sr. Primeiro-Ministro responder, a dada altura, que quem acha que está tudo mal em Portugal não pode governar, pois não acredita na mudança  (excelente argumento, que caiu em mim como uma luva!), senti necessidade de abordar um tema que há muito me incomoda por não responder à minha demanda, de há um ano a esta parte.
 O da opacidade do Estado (site do governo), no que diz respeito a informação relacionada com as empresas que, independentemente da sua dimensão, e em democracia, deveriam constar de um registo que, sendo oficial, fosse, também, público. *(vide informação abaixo sobre a Transparência, responsabilidade e prestação de contas no Reino Unido)
 De tão básico, mesmo pueril, se não for com a intenção de ocultar informação (razão para a qual me sinto inclinada a acreditar!)  o Gov.pt é uma verdadeira decepção.
 Muito estranho também é o facto de, nem os diferentes partidos políticos, nem os media, abordarem este tema que tanto e a tantos ajudaria, a começar pelo próprio Estado português.
 Para além de contribuir para o combate e prevenção da corrupção em diferentes áreas, há algumas, mais sensíveis como a da Saúde, por exemplo, cuja transparência empresarial poderia alertar o Estado para os cuidados a ter com a atribuição de subsídios, subvenções e outros e na realização, potencialmente mais criteriosa, de protocolos clínicos e assistenciais.
 Não há necessidade de fomentar e de praticar  actos de denúncia; é um recurso tão vil como condenável, sobretudo quando é praticado a coberto do anonimato.
 Basta a Transparência!!!
 Dói-me quando sinto e sei que os impostos que pago (por vezes a tanto custo!) são malbaratados, indevidamente utilizados e aproveitados para o enriquecimento de alguns, aqueles, os "espertalhões" cujos negócios, de fraquíssima qualidade, vão prosperando à custa da ineficácia do Estado, em termos de inspeção e supervisão.
 Nós, portugueses contribuintes, precisamos de transparência (de facto!), de responsabilidade/responsabilização, de maturidade na governação e de prestação de contas, doa ela a quem doer, e é ao Estado que compete a concretização destes objectivos.

* Reino Unido: Transparência, responsabilidade e prestação de contas

GOV.UK
Find and update company information
Uma secção/página do site com informações genéricas:
1.Overview - visão geral
Contas
Código ou códigos da natureza do negócio/s
Data de incorporação
Data última declaração e da próxima;
2.Filing history - Uma outra com o seu arquivo histórico
3.People - Uma outra com a identificação e morada do proprietário e respectivos gestores;
4. Snapshot - um resumo da situação e histórico da empresa

Donald Trump, sem perdão pelo fecho do Estreito de Ormuz

Trump(ices), os factos em imagens XIV - Estreito de Ormuz



Chega de contemplações!
Há limites para a impunidade, sobretudo quando esta ultrapassa fronteiras e se repercute na vida de milhões de pessoas, povos e nações.
Não há volta a dar.
Criou o problema, tem de o assumir enquanto tal e de o resolver rapidamente!
Estamos todos a sofrer as consequências de péssimas e irresponsáveis decisões unilaterais, que foram tomadas sem qualquer tipo de informação e/ou consulta prévia a quem de direito.
O mundo, a economia global, as economias regionais, estão a sofrer, a sentir no bolso e na pele, as consequências de tal leviandade.
Não há hipótese de negociar aquilo que é inegociável.
E muito menos de tirar proveito dos escombros de cuja magnitude foi o único responsável.
Não escolhemos nem procurámos a via do precipício e, como tal, esperamos que de entre os que têm poder para interferir, ainda haja alguns "iluminados" capazes de o confrontar, de simplesmente dizerem "Basta"! e de contribuir para a restauração da normalidade.
Ilustr. FB

Era Donald Trump, quando o insólito acontece

 Trump(ices), os factos em imagens XIII - estranha forma de exercício presidencial!...


FB cartoons
 Ao longo dos anos, e até este segundo mandato de Donald J. Trump como Presidente da maior potência mundial, sempre me questionei como teria sido possível a ascensão, poder, expansão ideológica e respetivas atrocidades cometidas por um fenómeno como Adolf Hitler, na Alemanha.
Não compreendia o processo que o levou a manipular e arrastar multidões e a rodear-se de tantos "acólitos".
Questionava-me sobre como foi possível que tamanha distorção da realidade (ao tempo) tivesse sido, não só aceite e interiorizada, como acerrimamente defendida e estruturalmente implementada ao ponto de conduzir a uma guerra mundial...

Encontrei, finalmente, a resposta em Donald J. Trump *, no seu comportamento dentro e fora de fronteiras, na sua forma de ser, estar, na desfaçatez com que a todos destrata (a quem o contraria), na forma como gere e interfere nas relações internacionais e no proveito que delas tira, tanto em benefício próprio como do "clã" familiar.
Um rol infindável de desrespeito e atropelos da lei, tratados e quejandos.
Mas o que mais me preocupa, mesmo revolta é, salvo raras excepções, a subserviência, a contemporização, a condescendência e, pasme-se, a bajulação de que é alvo por parte de com quem com ele negoceia e interage, sejam eles representantes de Nações, Instituições e Organizações, tanto a nível nacional como internacional!...

"In the End, we will remember not the words of our enemies, but the silence of our friends." 
Martin Luther King (atribuição)

Donald Trump e Vladimir Putin: A nova e sofisticada face da pirataria no séc. XXI *

 Fico estupefacta com o facto de se não identificar, enquanto tal, abominar e combater, tanto as ameaças como a perpetração de verdadeiros actos de "pirataria" lá onde, presumivelmente latentes, estão presentes as principais características associadas a esta actividade: 
o saque e a pilhagem, com o objectivo de obter e aumentar riquezas e poder.

 Com contornos diferentes daqueles que a caracterizaram nos séculos XVII e XVIII (em termos de época e de contextos), somos confrontados com este fenómeno cuja novidade, para além de ocorrer num diferente contexto paradigmático, se traduz no tipo de protagonistas que a ela recorrem:
a pirataria deixou de ser levada a cabo por marginais e homens que lutavam e tentavam a sorte, arriscando as próprias vidas, em busca de um enriquecimento que pudesse ser tão rápido quanto substancial, para se transformar num processo ilegítimo de expansão territorial (de acordo com o Direito Internacional), monopolista, que visa a apropriação e exploração de bens e recursos naturais de países terceiros, estrutural e financeiramente débeis e muito dependentes da ajuda externa. 

 Quanto aos novos protagonistas, longe de serem homens comuns, marginais e marginalizados, ergue-se uma "casta" constituída por uma mão cheia de "chefes de estado" com comportamentos desviantes (transtornos de personalidade?), pendor autoritário, dotados de uma total ausência de empatia e de uma desmedida insaciabilidade.
 Escudados pelo cargo que ocupam, a coberto da imunidade que lhes é conferida, sob o pretexto de defenderem o superior interesse das nações que é suposto representarem e usando e abusando das respetivas forças armadas e correspondente erário público não servem o estado, servem-se dele.

 Para esta nova "casta", a noção de serviço público e filosofia que lhe está subjacente não faz qualquer sentido, os limites do Poder que lhes é atribuído, também não, melhorar as condições de saúde e o nível de vida da maioria que os elegeu - para quê, se já contribuíram com o seu voto (nos casos em que ainda existem processos eleitorais) - resta-lhes utilizar o cargo enquanto plataforma por excelência, para promover negócios e facilitar transações comerciais em benefício próprio e com o objectivo de consolidar e alargar o âmbito do seu património pessoal e familiar. 

Falar de direitos, ignorar deveres e contributo imigrantes


 Fala-se tanto nos direitos dos trabalhadores e, curiosamente, ninguém aborda o tema dos respetivos deveres!!!
Apesar de já ter refletido sobre este assunto aqui, neste espaço, em Greves às Sextas, com o pacote laboral chumbado no Parlamento - depois de infindáveis meses de negociações com os diferentes parceiros sociais -, as discussões à volta das diferentes medidas nele incluídas e atendendo, a uma tão inusitada como acérrima defesa dos direitos dos trabalhadores (por parte de um improvável actor da "extrema-direita"), senti o apelo de voltar a falar sobre o tema.
 Sobretudo depois da notícia abaixo publicada que, imagino, a poucos terá deixado surpreendidos.

"Em 2025, a produtividade por hora em Portugal caiu para 66,8% da média da União Europeia, interrompendo uma trajetória de convergência que durava há quatro anos."

 Por aquilo que vou sentindo, vivendo e observando, no decurso do meu dia-a-dia, salvo raras e meritórias excepções - desde os serviços públicos, ao comércio, passando pela prestação de serviços - para além da gritante e notória falta de profissionalismo, facilmente nos apercebemos do desinteresse e total falta de empenho por parte de quem nos atende, o que me leva a acreditar que, muito provavelmente, para além de não gostarem do que fazem, estão completamente desligados do que deveria ser a cultura de trabalho da empresa ao serviço da qual estão vinculados.

Candidatam-se e ocupam postos de trabalho apenas e exclusivamente para garantirem, não só um rendimento ao fim do mês, como os direitos que estão associados ao universo laboral, nomeadamente os relacionados com a Saúde e Segurança Social.

 Na região onde vivo, o esquema é garantir contratos de trabalho pelo tempo necessário e suficiente para assegurar o direito ao subsídio de desemprego nos meses restantes, os de Inverno.
 Assim se desvirtuou o conceito de "emprego", reduzido a uma dimensão individualista e meramente utilitária de quem a ele recorre e se passou a menosprezar a componente/dimensão produtividade no trabalho, implícito a qualquer actividade humana.

 Enquanto houve mão de obra estrangeira, constituída por uma população de imigrantes - inicialmente vindos do Leste Europeu e, posteriormente, não só do Brasil, como de países do continente africano de Língua oficial Portuguesa e Hindustão - com uma outra cultura de trabalho, distribuída por diferentes áreas de actividade e cuja oferta garantia e assegurava os serviços básicos, pouca atenção era dada à prestação dos autóctones, pois havia quem trabalhasse e produzisse riqueza.

 Existe um Portugal antes do Chega e outro, o actual, contaminado, pejado de preconceitos, racista, arrogante, bem mais pobre e intolerante em termos de acolhimento, depois de André Ventura.

 Entretanto tudo mudou!
Muito e para pior.
Tanto em termos políticos, como económicos e socio-culturais.

Instilado o veneno sob a forma de ódio, encontrado um bode expiatório e propagada a ideia de que os imigrantes eram a causa de todos os males deste país - por, entre muitas outras razões, ocuparem postos de trabalho que deveriam ser ocupados por portugueses e estarem dependentes dos apoios da segurança social - desencadeou-se uma feroz guerra aos imigrantes promovida pelo Chega e acatada e abraçada pelo próprio governo.

 Isto num país envelhecido, com uma elevada percentagem de população com baixa escolaridade, sem hábitos de leitura e "formados" nas redes sociais (os mais novos).

 Quanto aos imigrantes, acossados, humilhados e maltratados*, começaram a procurar outros destinos, a começar pela nossa vizinha Espanha, sempre mais visionária, racional e pragmática...

 Pobres, humildes, completamente desprotegidos, mas flexíveis, versáteis, despretensiosos, muito trabalhadores e sem exigências, os mesmos que - muito embora tendo consciência de estarem a ser explorados, não só pelas redes de tráfico humano (para exploração laboral), como por empregadores e eventuais senhorios - se empenhavam, trabalhando muito para além do horário de trabalho regulamentado, a tudo se sujeitando, por deles dependerem bocas para alimentar nos países de onde eram e são oriundos.

* Tenho assistido e  continuo a assistir incrédula, com uma enorme revolta interior, ao ponto de me virem as lágrimas aos olhos.
E dói, dói mesmo muito!!!

Ilustr. Google e Instagram

Rapariga Ideal 1973


  Com a idade que tenho, e cada vez mais consciente da efemeridade de tudo e de todos, a começar por mim própria, apeteceu-me partilhar este momento da minha vida pelo qual sinto alguma vaidade e um certo orgulho.
 Aproveito, também, para dar a conhecer aos meus filhos os detalhes de que nunca lhes falei, uma vez que só agora refleti sobre o assunto, depois de ter encontrado material escrito da época.
 Este concurso, promovido pela MPF (Mocidade Portuguesa Feminina), passou por várias etapas: 
visando avaliar, não só os conhecimentos, maturidade, características de personalidade e interesses de cada uma das candidatas, a nível nacional (Portugal continental, arquipélagos Açores e Madeira e, ao tempo, o Ultramar), todas aquelas que se dispuseram a concorrer, passaram por uma fase de pré-selecção, trabalhos reflexivos escritos, sobre vários temas (já me não recordo de quais), recebidos e enviados via CTT (estávamos numa era pré-internet, convém ter presente!); concluída esta, depois de uma triagem inicial, passámos a uma segunda fase, agora de âmbito regional envolvendo todos os distritos e respetivos concelhos.
 Com o objectivo de seleccionar a representante de cada distrito ou região, foram feitas provas das diferentes aptidões (valorizadas, à época*) de cada uma das candidatas, a nível concelhio.
 Segundo me recordo, estas contemplavam não só uma prova escrita de cultura geral, como provas antecipadamente anunciadas, de forma a que cada uma de nós se preparasse e, chegado o dia marcado, fosse munida com tudo aquilo de que precisaria para fazer as suas provas, de acordo com o que tinha programado.
 Abrangiam uma prova de culinária - preparação, apresentação e degustação da receita escolhida, por parte dos elementos do júri de selecção - incluindo a preparação e decoração de uma mesa para convidados.
 Para além destas, e que me recorde, havia também uma prova de costura.
 Quanto a mim, nestas provas práticas, preparei e apresentei uma tarte de requeijão que fez as delícias da Dra Dionísia Camões (será que também ela se deixou "conquistar pelo estômago"?), preparei uma mesa cheia de detalhes, que incluíram serviço de sobremesa (levado de casa) e flores, e cosi um botão.
 Para não me alongar muito mais, seleccionadas as candidatas distritais, era chegado o momento de se reunirem, em Lisboa, com o objectivo de proceder à selecção final, a de quem seria a Rapariga Ideal 1973.
 
 Aí (em Lisboa), e durante uma semana inteira, tivemos oportunidade de conviver e de nos conhecermos a todas - candidatas e mentoras da iniciativa - com a profundidade possível, pois seríamos nós próprias a eleger aquela que entendêssemos fosse a candidata que melhor representaria o ideal em causa.
 Social e culturalmente muito enriquecedora, esteve preenchida com importantes debates temáticos, troca de ideias e exposição de pontos de vista, sobre temas tão diversos como expectativas de futuro, carreira profissional, família, sociedade, etc.
 Neste tão intenso quanto intensivo programa estiveram também incluídas algumas visitas de carácter cultural e actividades lúdicas.
 Nada foi feito nem deixado ao acaso: havia objectivos a cumprir e, como tal, houve uma prévia e meticulosa preparação!

 Narrada e exposta a minha pequena vaidade, impõe-se a reflexão sobre os efeitos que estas iniciativas tiveram sobre cada uma de nós, em termos ideológicos e de concepção de vida e sociedade.
 Será que saíram daqui umas fanáticas, retrógradas, incorrigíveis e intolerantes "fascistas"?...
Claro que não!
 Em 1973 já se não pensava, vivia e defendia o que André Ventura pensa, defende e preconiza em termos de modelo de sociedade!!!
 Desconheço o que vai no seu imaginário mas não corresponde, de todo, em termos de postura e valores estruturais ao que nós, os que estivemos integrados, vivemos.
 Aliás, penso ser essa uma das razões pelas quais sinto, não só uma profunda e visceral antipatia como uma enorme aversão por ele, pelas mensagens explícitas e subliminares que veícula, pelo constante veneno que destila, pelo seu oportunismo, pela sua falta de carácter, pelas suas teatrais intervenções e, finalmente, por cometer o sacrilégio de "invocar o nome de Deus em vão", em proveito próprio e do partido que representa.

Mocidade Portuguesa
Pretendia abranger toda a juventude, escolar ou não, e destinava-se a «estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina e no culto do dever militar.»

 Entretanto, depois disso, "muita água correu debaixo da ponte"
Tendo perdido o contacto de todas as outras apercebi-me, há uns anos atrás, de que uma delas integrava e continua a integrar a lista de militantes do PS.
 Quanto a mim, reconheço que tive uma formação não só marxista como marxizante, no curso que escolhi.
 O expoente máximo, entre vários, foi a cadeira de Sistemas Económicos (Economia Política) ministrada, ao tempo, pelo Prof. Doutor Avelãs Nunes e a sua obrigatória e inseparável sebenta intitulada "Sistemas Económicos".
 Era uma cartilha!
Na primeira frequência tive 9 e na segunda, depois de compreendido o esquema, tive 15!!!
Senti-me obrigada a fazer aquilo que sempre detestei fazer: decorar!!!
 Pertencendo à área das Ciências Sociais (que sempre adorei!), tive cadeiras interessantíssimas que me abriram os olhos e os horizontes, todas ministradas por professores formados no estrangeiro, predominantemente França e Bélgica (fugidos à obrigação de cumprirem o serviço militar).
 Não sou nem me tornei marxista, mas devo muito à formação que me foi dada, em termos de métodos de análise, investigação e compreensão dos diferentes fenómenos socio-culturais.
 Foi uma mais-valia que senti ao longo dos anos e da vida, tanto em termos de vida em sociedade como, mesmo, familiares.
 Agora, bem mais velha, confesso ter perdido não só a paciência como a condescendência e corro o risco de, nos tempos que correm e da forma como estão a decorrer, me tornar completamente anti-social.

* Em meu entender, sempre que se aborda um acontecimento ou facto histórico, é fundamental que se tenha a preocupação e a honestidade de os contextualizar (tempo, espaço e época) sob pena de desvirtuar a informação. 

Curiosidade:
arquivos.rtp.pt/conteudos/mocidade-portuguesa-feminina-apresenta-o-concurso-rapariga-ideal/
Mocidade Portuguesa Feminina apresenta o concurso Rapariga Ideal
"Os conteúdos disponíveis estão protegidos por direitos de propriedade industrial e direitos de autor. É expressamente proibida a sua exploração, reprodução, distribuição, transformação, exibição pública, comunicação pública e quaisquer outras formas de exploração sem a autorização prévia da RTP." 
arquivos.rtp.pt
Rapariga Ideal 1973

Indigência política


 Por mais pragmático que se seja, perante esta pequeníssima amostra de indigência política, é difícil aceitar que o actual governo, oriundo de um partido de matriz social-democrata, permita ser manipulado por alguém tão desestabilizador e desprezível - falam os comportamentos presentes e passados, os discursos subliminares de apelo ao ódio e à violência, os gritos, as atitudes, a falta de educação e de sentido de Estado, entre outros! -  como André Ventura, a personificação do Chega.
 Espero que a AD e o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. Luís Montenegro, respeitem e tenham em consideração a vontade e a mensagem de todos aqueles que, tendo-se pronunciado a seu favor, contribuíram para a sua eleição.
 Espero que não desperdicem o capital de confiança de que são detentores porque, se o fizerem, penso que o PSD português deixará de ter razão de existir.
 Sei que tem sido difícil, desgastante, mesmo espinhosa, a tarefa de estarem dependentes da cooperação (ou falta da mesma) dos restantes partidos no Parlamento para obter a aprovação do seu programa, uma vez que não têm uma maioria parlamentar.
 Quanto ao PS, partido do "arco da governação", tem mantido uma postura lamentável, de constante boicote e total falta bom senso, visão estratégica e compreensão do que tem estado e está em jogo.
 Falta, infelizmente, à sua actual direcção a inteligência, a experiência, a sagacidade e essa ímpar, nacional e internacionalmente reconhecida, capacidade de negociação do Dr. António Costa!!!
Mas, apesar de todas estas dificuldades, nem tudo vale.
 Ou fazem a diferença, enfrentando a "besta" e resistindo, não só à irresponsabilidade (não é governo!), como ao populismo discriminatório e vacuidade das propostas e contra-propostas apresentadas  - de cariz redutor, provinciano e meramente doméstico - ou esfumar-se-ão na espuma dos dias, das cedências que forem fazendo e nas respetivas  consequências.
 Que haja bom senso no Parlamento e, se possível, alguma réstea de carácter!
Ilustr. Google

Mahatma Gandhi, a força das convicções

Com o recrudescimento de novas formas de imperialismo e de tentações xenófobas e totalitárias, convém revisitar a História e relembrar, ou dar a conhecer, os nomes e feitos de alguns dos expoentes que se destacaram na luta pela conquista e salvaguarda dos direitos humanos e civis do séc. XX.

Mahatma Gandhi, fome e religião

Num mundo tão saturado pela violência e na sequência das guerras e conflitos em curso lembrei-me de um dos meus ídolos da juventude, Mahatma Gandhi, pelo seu carácter, pelo papel que desempenhou no processo de descolonização da India, pela sua dimensão ética e, sobretudo, pela inovadora estratégia que imprimiu ao seu combate político: a "não-violência", a de resistir e apelar à resistência sem recurso à violência, ao conflito armado.
Atendendo à  sua elevadíssima dimensão espiritual e ao seu profundo humanismo, defendia a tese de que a pobreza extrema e a fome eram duas das piores formas de violência resultantes do sistema colonial vigente, ao tempo, que urgia fossem combatidas de raiz, e apelava à promoção da auto-suficiência e ao desenvolvimento das comunidades locais enquanto vias de empoderamento das populações.

«There are people in the world so hungry, that God cannot appear to them except in the form of bread»
«Há pessoas no mundo com tanta fome que Deus só lhes pode aparecer sob a forma de pão.»
Mahatma Gandhi (1869-1948)
Ilustr. Google

Comércio Local, a ditadura do pagamento em dinheiro

 Há anos que vivo quotidianamente com esta situação, que me sujeito às "regras"/caprichos impostos pelos comerciantes locais, mas confesso que começo a estar muito farta e a ficar, intelectualmente, menos tolerante perante esta desfaçatez!
 Não sei se a situação se generaliza ao país inteiro (espero que não!) mas aqui, na região onde vivo, o Algarve, é uma constante.
 Desde o cabeleireiro, à lavandaria, passando pelo pequeno restaurante, café ou snack-bar, que somos confrontados com a situação - problemática para muitos de nós - da ausência de alternativas no que diz respeito à forma de pagamento.
 Em resumo: ou pagas em dinheiro ou, não consomes!!!
Também se dá o caso de poderes ser encaminhado para a caixa Multibanco mais próxima.
 De qualquer forma ficas a saber que, se pensares em voltar, tens de ter a preocupação (mais uma!!!) de vir prevenido com dinheiro vivo (cash).
 Ora eu sei que são pequenos comerciantes, que não têm um grande volume de negócios, que pagamos todos muitos impostos (o Estado Social e não só!) mas, a permissão deste estado de coisas, por parte das autoridades competentes, para além de ser uma grande injustiça relativamente a quem cumpre e se sujeita a um maior escrutínio, constituem um descarado atropelo a alguns dos direitos fundamentais dos consumidores.
 Em meu entender, e de forma a facilitar a vida dos consumidores - razão de existir dos comerciantes - havendo, actualmente, diferentes formas e opções de pagamento, independentemente da dimensão do estabelecimento comercial, deveria ser obrigatório haver, pelo menos, uma opção electronica para além da tradicional, o dinheiro.
 E não tem de ser, directamente, através do sistema bancário que, aparentemente, é bastante dispendioso.
Temos o MB WAY, por exemplo.
 Para além de muitas outras razões de peso, seria uma forma de libertar o  consumidor de mais uma preocupação totalmente desnecessária em pleno séc. XXI.

Processo de envelhecimento

Se tiver sorte de ter saúde e viver bastantes anos!...

Como convivo diariamente com plantas com flores (angiospérmicas), assisto a este processo no mundo vegetal: a planta amadurece, depois produz botões florais que se vão desenvolvendo até se transformarem em flores que resplandecem em toda a sua beleza e depois, passado algum tempo, começam a perder a sua vitalidade, a definhar gradualmente, até murcharem por completo.

Quanto a nós, humanos, o problema não é a racionalização, nem a compreensão do facto ... o problema é, definitivamente, a aceitação do processo, enquanto tal!...

Face à escassez de mão-de-obra

Feito o planeamento, concluído e aprovado o projecto, aparentemente, bastam um ou vários enormes camions carregados de brita e o recurso a meia dúzia de outras máquinas com diferentes funções  - terraplanagem, pavimentação, compactação, entre outras - para construir uma estrada de forma rápida,  eficiente e sem recurso a uma grande quantidade de mão-de-obra.
Será que é possível?... É que, se assim for, poderá estar resolvido o problema da escassez de trabalhadores nesta área!...

Facebook reel

Portas e janelas

Portas e janelas, sempre me atraíram.
Gosto das velhas, muito antigas, com janelas embutidas e, em relação às mais recentes, quanto mais amplas e penetráveis à entrada da luz solar, melhor.
Sendo vias de comunicação e de passagem entre o interior e o exterior, têm a capacidade de traçar limites, quanto mais não seja imaginários, entre o que é público e o que é privado, entre a intimidade de cada um e a exposição generalizada e despojada de filtros. 
Ilustr.:Fotografias Lagoa, Algarve

O poder transformador de uma imagem

Há imagens cuja mensagem tem uma tamanha força e que são de uma expressividade tal que, por si só, dispensam qualquer tipo de comentários.
Esta foi uma daquelas que me tocou tão profundamente, a partir do momento em que a olhei pela primeira vez, que tive a preocupação de guardar religiosamente, no meu arquivo de imagens temáticas, equivalentes a tratados.
Ao vê-la associei-a, de imediato, ao celebérrimo e histórico discurso de Martin Luther King, "I have a dream", proferido no decurso da Marcha sobre Washington, em Agosto de 1963.

Como sobreviver a um ataque nuclear

Sejamos claros, no momento em que nos encontramos, teremos de contemplar todas as hipóteses, por mais aterradoras que sejam.
E já que, pelo menos por agora, não podemos contar com iniciativas governamentais no sentido de sensibilizar a população para os riscos de uma hipotética guerra nuclear, os seus efeitos e quais os procedimentos a adoptar no caso de uma tal eventualidade caber-nos-á a nós, elementos da sociedade civil, levantar as questões e pressionar os agentes do ou dos eventuais ministérios envolvidos a trabalhar estas questões.


No que diz respeito a uma cultura de Prevenção, de pouco nos servem os "arejamentos".
Não estamos preparados para nada e não temos ninguém, nenhum organismo público orientado para as questões do Bem Comum que deveriam ser, não só os planos de contingência mas, também, as informações relacionadas com a nossa protecção nas mais diferentes áreas das nossas vidas.
O Estado preocupa-se com as questões da segurança na via pública, da vida quotidiana, em inventar, criar e recolher impostos (e, em última instância, com aqueles que considera os mais desfavorecidos) e os diferentes actores que o vão integrando parecem mais preocupados com a defesa dos interesses partidários e pessoais do que com as pessoas/eleitores que alegam representar, independentemente da sua condição socio-económica.
A busca e partilha de informações relacionadas com situações de prevenção de riscos, para além de ser um acto cívico é, também e sobretudo um acto político que a todos diz respeito, enquanto cidadãos nacionais.
Sempre assim fomos e continuamos a ser, por mais instruídos que sejamos, mais viagens que façamos, mais informações que tenhamos vindo a recolher, não mudamos ...
Apesar de poder ser considerado um pensamento perverso, continuo a pensar que o facto de não termos participado directamente na II Guerra mundial nos condenou a décadas de atraso cultural atendendo ao facto de, ao não sofrermos e vivenciarmos directamente as tragédias e horrores sofridos pelas nações que estiveram profundamente envolvidas no conflito, não termos desenvolvido, em termos colectivos, algo semelhante a uma "consciência colectiva"/instinto de defesa/cultura de resiliência*

* Bom, o significado que encontrei no Modo IA do Google parece reforçar esta ideia!...

Era Donald Trump, Tragédia!

Trump(ices), os factos em imagens III -Tragédia!

Quando dois países, cujos respetivos governantes se encontram a contas com a Justiça, acobertados pelo cargo que ocupam e, em nome dos seus interesses pessoais, se concertaram para destruir uma civilização milenar e estão a levar ao colapso da ordem internacional baseada em regras e no respeito pelas mesmas ...
... Não, a tragédia é dos EUA e do povo Americano por terem eleito, para Presidente da República, alguém tão inapto e inconveniente como Donald Trump mas, mais trágica ainda é a dimensão global resultante das suas tresloucadas decisões de política internacional...
A tragédia é de uma dimensão global!!!

Ainda sobre o acordo ortográfico

«A palavra espectador tem origem no latim spectator, -ōris, que significa "aquele que observa" ou "observador". Deriva do verbo latino spectare, que significa "olhar, ver, observar, contemplar", sendo um termo utilizado para designar quem assiste a um espetáculo ou presencia uma ação. [1, 2, 3, 4]
Origem e Evolução:
Raiz Latina: Spectare ("olhar") + -tor (sufixo que indica agente/aquele que faz a ação).
Entrada no Português: O termo está atestado na língua portuguesa desde o século XVII (aprox. 1677).
Significado Original: Observador, testemunha ocular.»

Fonte: Vista Geral de IA

Há algum tempo atrás, enquanto via e ouvia televisão, fiquei de tal maneira horrorizada ao olhar para esta notícia de rodapé do ecrã acima, que tive que ler duas vezes para tentar compreender o significado do que estava a ver.
Sendo que um "espetador", em meu entender, é algo (objecto pontiagudo) ou alguém que espeta, que perfura, que crava, a primeira ideia que me veio à cabeça foi a de um toureiro morto em plena arena em uma qualquer praça de touros do país, mas rapidamente compreendi que era mais uma das "pérolas" do acordo ortográfico em vigor: o espectador virou "espetador" ignorando, assim, algo fundamental como a etimologia latina (que continua a ser basilar e respeitada por outras línguas europeias com vocábulos de raiz latina), e consequentes elementos estruturais da mesma.
Não consigo aceitar esta miscigenação forçada da Língua Portuguesa, imposta por decreto, que em nada nos honra e só nos tem prejudicado a vários níveis, sobretudo o económico!...
A História tem-nos mostrado, ao longo de séculos e nas mais diversa áreas, que somos muito maus negociadores e pouco criteriosos no que respeita à defesa dos nossos interesses, enquanto Nação.

Assunção de Responsabilidades, uma lição de vida

Sam Toft´s Artwork

 Não sendo especialista na área, estou convencida de que nascemos todos com diferentes traços de personalidade, mais ou menos vincados, mas que outros haverá que, pelas mais diversas razões, educação incluída, são e devem ser cultivados, enquanto elementos estruturadores da vida em sociedade e da convivência pacífica a que esta nos apela.

 Passo a explicar baseada numa experiência pessoal:
em 1966, tinha eu 9 anos, por razões circunstanciais e, obviamente, sem ter sido consultada , fui internada num colégio de irmãs Salesianas, o Colégio Maria Auxiliadora, na Namaacha, a 80 km de Lourenço Marques, onde os meus pais se encontravam.
 Sofri e chorei baba e ranho de todo o tamanho, mas lá aguentei um ano e lá fiz a minha 4ª classe (exame incluído!).

 O regime, lá dentro era, não rígido mas rigidíssimo, altamente disciplinado e disciplinador, a acrescentar o facto de a Madre Superiora ser Alemã.
 Para além do currículo académico fazia também parte do projecto educativo, não só a formação religiosa, com catequese e missa e terço diários (eu tinha, apenas 9 anos!!!), como actividades de carácter lúdico e algumas tarefas domésticas diárias, antes de começarmos as aulas.
 Felizmente calharam-me sempre tarefas que, apesar de monótonas e desnecessárias, eram de fácil realização: limpava, diariamente, o pó das cadeiras do anfiteatro e posteriormente fui colocada na capela onde acabei por fazer o mesmo.
 Era um colégio amplo, enorme, e as raparigas estavam distribuídas por 2 enormes camaratas, de acordo com um só critério:
as que já eram menstruadas e as mais novas, ainda crianças!
 Eu era das mais velhas da camarata das crianças.
Como tal, e integrando ainda o referenciado projecto educativo, fiquei responsável por uma menina mais nova (6 anos) em termos de vigilância do seu comportamento, cuidado com o uniforme e higiene dentro da camarata.

 Passados tantos e tantos anos e depois de muita reflexão, penso ter sido este o ponto de partida para o processo de modelação de algumas características de personalidade que comigo se foram desenvolvendo.
 O sentido de responsabilidade, a partilha e um feroz desenvolvimento do instinto maternal foram algumas delas...Mas não só!...

 Houve um episódio que durante muito tempo, considerei ter sido completamente ridículo de tão desproporcional e para o qual olho, hoje, com bastante benevolência e uma outra compreensão ...
 Tudo, tudo, na era de Trump e de fenómenos como o Chega e quejandos que proliferam pelo mundo inteiro com protagonistas que nos fazem questionar a nossa saúde mental!

 Ora bem:
numa semana que era suposto ser de férias, mas em que fui obrigada a permanecer no colégio porque se aproximava a data do exame (nacional, 4º classe e a realizar numa escola pública), porque éramos poucas, para além dos estudos coube-nos a tarefa de pôr e tirar a única mesa que ocupávamos.
 Acontece que, num desses dias, ao retirar os pratos do jantar, escorregou-me um prato da mão que acabou por cair ao chão e por se partir.
 Todas as pessoas viram, fiquei aflita, peguei nos cacos e dirigi-me à irmã/madre responsável pelo refeitório que, muito simplesmente, me mandou para o gabinete da Madre Superiora com o objectivo de lhe relatar o sucedido.
 A seguir ao jantar havia sempre um tempo de lazer e de jogos colectivos e depois era a hora de recolher às camaratas.
 Nesse dia não me foi possível participar nas actividades rotineiras.
Entretanto e para meu grande "azar", a Madre Superiora tinha estado ocupada com uma visita importante para a Ordem durante todo o dia e prolongou a reunião noite adentro, fechada no seu gabinete.
 Não me restou outra solução que não fosse a de esperar à sua porta, sentada na escadaria e com os cacos na mão durante um tempo que me pareceu infindável já que, entretanto, já todas as minhas colegas se tinham ido deitar, a maior parte das luzes se tinha apagado e o silêncio instalado era, apenas, quebrado pelas vozes vindas do gabinete.
 Quando, por fim, a porta se abriu e a Madre Superiora apareceu na ombreira da porta dei um pulo, levantei-me já cheia de sono (tinha 9 anos!!!) e postei-me à sua frente ainda e sempre com os malditos cacos na mão, à espera do veredicto final...
 Manifestamente surpreendida olhou para mim e para a prova do meu delito, sorriu, fez-me uma festa na cabeça, mandou-me deitar o que restava do prato no lixo e ir para a cama...

 Na altura e durante muito tempo, até há alguns anos atrás, fiquei confusa entendendo que, para aquele desfecho e sem qualquer punição, tinha sido inglório o meu esforço de espera e o convívio e jogos que entretanto perdi...
 Mas, quando já tardiamente comecei a perceber que neste mundo em que vivo, desde os políticos ao cidadão comum, é cada vez menor o número de pessoas que assume não só os seus erros como as responsabilidades que lhes são inerentes, foi como se tivesse tido um vislumbre, uma revelação de algo que me intrigou durante tanto tempo e tivesse percebido, finalmente, o significado profundo da minha experiência no Colégio Maria Auxiliadora, na Namaacha, em Moçambique.
 Aprendi, desde cedo, a assumir a responsabilidade dos meus actos independentemente da sua valoração!

O Jogo e a personalidade

 
 É impressionante como, através de um simples jogo, nos é possível ficar a conhecer a personalidade e o carácter daqueles com quem jogamos!...
 Salvo raras, honrosas e estimulantes excepcões, a desilusão torna-se uma constante.
 Pertencendo a uma geração pré-internet sou do tempo em que, nos momentos de ócio, jogávamos cartas, o monopólio, o Cluedo e afins.
 Com o tempo, as responsabilidades e preocupações relacionadas com a família e o trabalho, fiz um grande interregno nesse tipo de actividades lúdicas.
 Agora que estou muito mais livre, com o computador, internet e a múltipla oferta de jogos que existe, recuperei o prazer de jogar e empenho-me nos jogos que seleccionei (apenas três!), da mesma forma que me empenho em qualquer uma outra actividade que seja do meu interesse.
 Tomarei como exemplo e referência o Word Blitz, um jogo de construção de palavras a partir de letras dispostas aleatoriamente no campo de jogo.
 Quantas mais palavras conseguirmos encontrar, mais pontos ganhamos.
 É cronometrado e jogado contra amigos e adversários aleatórios.
 Acontece que, lamentavelmente, o jogo está concebido para o Português do Brasil (como quase toda a produção em língua Portuguesa na internet!!!), o que nos deixa em desvantagem, pois eles têm toda uma panóplia de vocábulos que desconhecemos e ignoram muitos dos que fazem parte da língua mãe.
 De qualquer maneira, atendendo à ausência de recursos na língua original, lá tenho vindo a fazer esforços e a procurar adaptar-me, depois de uma inicial fase de revolta e de sugestões não atendidas.
 Voltando ao tema inicial, esta tem sido uma experiência interessante pois, para além de me ficar a conhecer melhor a mim própria, também me tem permitido conhecer os meus adversários, a sua forma de ser e de estar perante as diferentes situações de vitória e de derrota.
 Como em todas as situações na vida, a experiência é um factor importante, mesmo fundamental, e é preciso persistir para se conseguir algo.
 É através do permanente exercício de "tentativa e erro" que vamos aprendendo e melhorando as nossas performances, e que a inteligência nos livre de termos medo dos desafios.
 Entre os jogadores, vamos encontrando de tudo, e muito embora não os conhecendo na vida real, vamos  ficando a percepcionar, e a admirar ou desprezar, não só a forma como interagem como a sua postura no decurso do jogo e face às vitórias e/ou derrotas que vão sofrendo.
 Existem aqueles (uma minoria!!!) cujo esforço, humildade e perseverança nos animam, incentivam, se tornam dignos do nosso respeito e consideração ao ponto de ficarmos com receio de os penalizar e de termos vontade de os conhecer e, quem sabe, abraçar, e depois há os outros, os arrogantes, cheios de si próprios, aqueles que não suportando uma derrota, não olham a meios para atingir os seus fins.
 Entretanto, de entre estes últimos há os que, estando a perder sistematicamente, mal conseguem uma vitória se retiram de cena e da concorrência, e os que abusam da supremacia que têm no jogo e que, estrategicamente evitados, persistem em se impor com o objectivo de acumular pontos face à desvantagem dos seus oponentes.
 O jogo é, assim, uma actividade que permite avaliar, não só as capacidades de cada um, em determinada área como, também, a sua forma de ser e estar na vida real, constituindo um terreno fértil de reprodução do perfil comportamental de cada um.
 Com o que tenho vindo a constatar e se eu fosse empregadora, para além da avaliação das competências específicas, sentir-me-ia tentada a incluir, no processo final de selecção de candidatos, um desafio/jogo que envolvesse, simultaneamente, não só o factor competição como a estratégia/estratégias utilizadas na persecução dos objectivos a alcançar. 

Genealogia e adopção


 
Por razões que me parecem óbvias, discordo totalmente do facto de se registarem, numa árvore genealógica, filhos não biológicos.
É com bastante indignação que vejo acontecerem essas situações no Geneall Plus um site que, sendo pago, deveria oferecer alguma credibilidade em termos de escrutínio da autenticidade do que se vai postando.
 Só num país de "faz de conta" é que, por exemplo, um professor universitário (com toda a carga intelectual, científica e, porventura, moral que lhe está associada) comete a ousadia de inscrever na sua pública árvore genealógica uma descendência que, sendo fruto do coração o não é da Biologia*.
 Em meu entender, em nome da Ciência e da verdade, deveria ter-se abstido de a preencher, a fim de evitar embaraços e de desvirtuar a filosofia subjacente à Genealogia.
 Por experiência própria, mãe de dois filhos (um adoptado e um biológico), por muito amor que sinta pela minha filha adoptada, seria incapaz de a incluir na minha árvore genealógica (herança do meu avô materno), não só por razões de honestidade intelectual mas, precisamente, pelo muito amor que lhe tenho e pelo respeito que por ela sinto. 
As idas ao médico e as embaraçosas lacunas de informação relacionadas com o historial clínico da sua família biológica, o seu nome original e o respeito que ela e a sua herança genética me merecem levaram-me a, com os poucos elementos que detinha, dar inicio a uma pesquisa (tão intensa quanto emocionante) e construção da sua própria árvore genealógica, com todo o amor e dedicação que por ela sinto.
 Orgulho-me de ter chegado até à sexta geração (1800) por parte da sua avó materna!
Agora, que já tem quarenta anos, e depois de algumas fortes "tempestades", a cumplicidade, ternura e amor que caracterizam a nossa relação são a prova, provadíssima, de que a estratégia utilizada e o caminho percorrido foram os mais correctos, e não poderiam ter sido outros que não os que tiveram por base, não só uma constante transparência como uma forte e convicta persistência.
Entretanto, atendendo ao desenrolar dos acontecimentos e à forma, peculiar, como me veio parar aos braços, estou cada vez mais convencida de que esta foi uma missão que me foi atribuída por Forças que me ultrapassam, independentemente da designação que possam ter e da Fé e crenças de cada um.
 Muito grata ao Universo por esta minha filha e pela confiança em mim depositada!...

Ilustr. Mozelle Couto, "Mother´s Love"