Em busca do equilíbrio entre a constância e "certezas" do Passado e a fluidez e múltiplas contingências do Presente
Jean-François Braunstein, La religion woke (Entrevista)
Olivier Clerc, A rã que não sabia estava a ser cozinhada
Olivier Clerc (escritor e filósofo), recorrendo à metáfora, nesta sua breve história, põe em evidência as funestas consequências de não termos consciência de que estamos a ser alvo de mudanças, que afectam não só a evolução social e o ambiente como, também, a nossa saúde e as nossas relações sociais e de convivência.
Sendo assim, se você não estiver como a rã, já meio cozido, dê um golpe de pernas, antes que seja muito tarde...
Remembrance Day, em defesa da preservação das memórias colectivas
Tenho uma enorme admiração pelas culturas e países que recordam e valorizam a sua História homenageando, simultâneamente, todos aqueles que, de forma altruísta, deram e perderam as suas vidas em nome das nações e dos valores que defendiam.
Um país, uma Nação sem referências, despojado de memórias colectivas, será sempre um país mais frágil e fragilizado, porque descaracterizado, desprovido daquilo que deveria constituir a sua espinha dorsal, a sua História.
Não existem comunidades sem história, sem Passado, com episódios mais ou menos épicos, mais ou menos glorificadores, mas que estiveram lá e estão na génese do que somos, hoje, do nível de desenvolvimento que alcançámos e das peculiares características que temos, enquanto povo com uma língua e identidade próprias.
E é esta função identitária e unificadora de todo o conjunto das nossas memórias e tradições colectivas, que deveria ser não só preservada como incentivada.
Alienar, alienar, alienar ...
Tenho simultâneamente um horror, há muito interiorizado, à politica do "come e cala", tão dominante como assustadoramente imperceptível na sociedade em que vivemos.
Gostaria, entretanto, de conseguir o mesmo tipo de imunidade no que diz respeito às inúmeras e todas elas horrendas notícias sobre o estado das nações e do planeta, em geral, que invadem os nossos noticiários diários mas, infelizmente, não consigo ...
Pensar doi, reflectir mexe connosco, perturba-nos, obriga-nos a sair daquela confortável letargia em que nos vamos refugiando, de forma mais ou menos consciente.
Fico perturbada, irritada, nervosa, se não mesmo doente.
Não compreendo como se gastam milhões em missões para Marte, o planeta, e em projectos turísticos espaciais, quando habitamos um outro, a Terra, tão carente de atenção, tão desigual, tão cheio de contradições aceitando, com displicência, que milhões de seres como nós passem fome e sede e todo o tipo de privações só porque nasceram no lado errado do mundo, ou das sociedades ...
Como se condena veementemente o aborto (em nome do sacrossanto 5º Mandamento - "Não Matarás"... um ser em embrião, por mais embrionário que seja!) e se contemporiza e aceita todo o tipo de sofrimento e abusos que atingem as crianças que já nasceram e aqui estão à mercê de algumas das mais terríficas e inimagináveis aberrações ...
Como estruturadas organizações milenares e com supostas responsabilidades sociais e culturais como, por exemplo, a igreja católica, sob o argumento da protecção à Infância e respectiva formação em termos de valores morais, cristãos atenta, ela própria, contra os mesmos valores criando condições e ocultando as atrocidades e o permanente abuso de poder que a religião lhes tem conferido, acabando por destruir corpos, almas e vidas ...
Como, em nome da auto-determinação dos povos e das nações, se permitem sistemáticas violações dos mais elementares direitos humanos ...
Como se fomentam e alimentam guerras em nome dos interesses económicos e estratégicos de uma minoria que aspira e tem vindo a conseguir dominar o mundo ...
E é isto e muito mais, desde as medidas, orientações, factos e fait divers da quase comezinha política nacional que a todos afecta, favorecendo uns quantos em detrimento de outros e a todos medindo pela mesma bitola - a da mediocridade -, ao sentimento de impotência e incapacidade de nos fazermos ouvir e de podermos mudar seja o que for, tanto em termos nacionais como internacionais ..., globais, que nos levam a fazer escolhas e a tomar opções drásticas em defesa de algo que, desvalorizado ao longo dos tempos começa a ser objecto de atenção e a adquirir a relevância que lhe é devida: a defesa e preservação da sanidade mental possível ...
Vivemos num mundo conturbado, dominado por gravíssimos conflitos armados em que o derramamento de sangue é uma constante e milhares foram os que já morreram, vítimas inocentes de ambições desmedidas e de ferozes e descontrolados desejos de retaliação de uns quantos ...
Em alta estão o fabrico de armamentos e, cá e lá, por esse mundo fora, onde a paz ainda é uma "constante", os consultórios e gabinetes de psiquiatras e psicólogos não têm mãos a medir ...
Irónicamente, não são os directamente afectados, as verdadeiras vítimas, quem a eles recorre!...
Enfim, coexistimos num mundo às avessas, in a topsy-turvy world, como diriam aqueles que se expressam em Inglês.
Black Mirror, Nosedive
Cada vez mais dependentes das redes sociais e de tudo o que de negativo as mesmas comportam, as pessoas tendem a deixar-se seduzir pela necessidade que têm de se sentirem não só reconhecidas como aprovadas.
Esta necessidade leva-as a uma total sujeição aos termos impostos pelas mesmas (redes sociais) e que, neste caso, se traduzem em índices de popularidade que, numa escala de 0 a 5, obedecem a determinados critérios pré-estabelecidos.
Entretanto, pela sua volatilidade e falta de substância estes critérios acabam por se revelar não só muito discutíveis como, mesmo, de carácter duvidoso.
Estamos condenados a uma cada vez mais presente, ditatorial e invasiva vigilância tecnológica.
Simultaneamente, porque cada vez se lê menos e não há tempo nem vontade de cultivar, estimulando, a capacidade de reflexão individual, acabamos por ser mais vulneráveis e constituir alvos apetecíveis, de fácil manipulação por parte de quem, intencionalmente, explora e faz uso destas estudadas, alimentadas e reconhecidas fragilidades circunstanciais.
A fábula dos porcos assados

Uma das possíveis variações de uma velha história sobre a origem do assado é a seguinte:
Mas o que quero contar é o que aconteceu quando tentaram mudar o SISTEMA para implantar um novo. Havia algum tempo que as coisas não corriam lá muito bem:
por vezes, os animais ficavam queimados demais ou, então, parcialmente crus.
O processo preocupava muito a todos porque, se o SISTEMA falhava, as perdas ocasionadas eram muito grandes - milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também milhões os que se ocupavam com a tarefa de os assar. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia falhar.
Já era um clamor geral a necessidade de reformar profundamente o SISTEMA.
As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos (que não permaneciam onde deveriam), ou à inconstante natureza do fogo (tão difícil de controlar!), ou ainda às árvores (excessivamente verdes!), ou à humidade da terra, ou ao serviço de informações meteorológicas que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas.
As causas eram, como se vê, difíceis de determinar - na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo.
Tinha sido projectada e encontrava-se em plena actividade a criação de bosques e selvas, de acordo com as mais recentes técnicas de implantação - utilizando-se regiões de baixa humidade e onde os ventos não soprariam mais do que três horas seguidas.
Um dia, um incendiador categoria AB/SODM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado em sudoeste diurno, matutino, com bacharelato em verão chuvoso), chamado João Bom-Senso, resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido: bastava, primeiro, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então numa armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor - e não as chamas! - assasse a carne.
O texto original deste trabalho, em espanhol, circulou entre os alunos do curso de pós-graduação da Universidade de Piracicaba em 1981. A subtileza com que o autor satiriza um dos problemas dos nossos tempos fez com que imediatamente o texto chamasse a atenção de alunos e professores, convertendo-se em tema de conversas e debates.
Das Intemporais Estratégias de Manipulação de Massas
As estratégias são múltiplas, diversas e visam diferentes objectivos.
Eles são os ditadores, auto-proclamados dirigentes políticos, protegidos pelos diferentes ordenamentos jurídicos territoriais, cujo actual e mais conhecido expoente máximo, se centra na figura do Presidente Vladimir Putin.
São, também, os multimilionários empresários que não hesitam em "criar e alimentar necessidades artificiais", junto das populações, de forma a poderem manter e aumentar os seus obscenos impérios.
E os grupos religiosos radicais, ortodoxos, cujas crenças assentam em dogmas de uma ancestralidade milenar e que recorrem a todos os estratagemas, violência incluída, com o objectivo de tentar "colonizar" as mentes de quem se atreve a questionar.
E são, ainda, as minorias e os lobbies por elas criados que, a coberto da democracia e das sociedades democráticas em que se movimentam, mas com semelhantes tendências autoritárias, pretendem impôr um "pensamento único", um tipo de cultura a que, hoje em dia, se deliberou chamar de "políticamente correcto".
Em relação às massas, quanto mais ignaras, mais facilmente se deixam penetrar por uma qualquer ideologia que se apresente suficientemente sedutora para as convencer.
Quanto a mim, ser pensante e amante da liberdade de pensamento (de que não prescindo), qualquer uma destas formas de coerção é uma violência que deveria envergonhar a quem, descarada ou subtilmente, dela faz uso.
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« (...) Perspective is an amazing art. Let’s try and keep things in perspective. Let’s be smart, help each other out, and we will get throu...
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Tendo em consideração a natureza humana, infelizmente, só uma qualquer catástrofe vivida e sentida na primeira pessoa tem o poder transfor...
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« Era uma vez, na cidade de Cracóvia, um velho compreensivo e solidário que se chamava Izy. Durante várias noites Izy sonhou que viajava a...




