Quando comecei a interessar-me por este tema, em Julho de 2007, aqui em Portugal ainda ninguém falava dele e o conhecia pela designação que hoje tem: Bullying (um anglicismo que acabou por ser adoptado e integrado no vocabulário do nosso quotidiano).
Ao tempo, o significado mais próximo que encontrei para este fenómeno - que não é de hoje e tem atravessado variadíssimas gerações - foi o de "perseguição/intimidação" e, durante algum tempo, foram estes os termos que usei nas traduções que ia fazendo e postando num meu anterior blogue.
Como o tema, para além de recorrente se tem agravado, abrangendo novas variáveis socioculturais, de que destaco as resultantes de processos migratórios, resolvi passar para este blogue todo o trabalho que fui postando no anterior.
"A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista." Jean Vercors
Bullying, um flagelo a combater
O Jogo e a personalidade
É impressionante como, através de um simples jogo, nos é possível ficar a conhecer a personalidade e o carácter daqueles com quem jogamos!...
Salvo raras, honrosas e estimulantes excepcões, a desilusão torna-se uma constante.
Pertencendo a uma geração pré-internet sou do tempo em que, nos momentos de ócio, jogávamos cartas, o monopólio, o Cluedo e afins.
Com o tempo, as responsabilidades e preocupações relacionadas com a família e o trabalho, fiz um grande interregno nesse tipo de actividades lúdicas.
Agora que estou muito mais livre, com o computador, internet e a múltipla oferta de jogos que existe, recuperei o prazer de jogar e empenho-me nos jogos que seleccionei (apenas três!), da mesma forma que me empenho em qualquer uma outra actividade que seja do meu interesse.
Tomarei como exemplo e referência o Word Blitz, um jogo de construção de palavras a partir de letras dispostas aleatoriamente no campo de jogo.
Quantas mais palavras conseguirmos encontrar, mais pontos ganhamos.
É cronometrado e jogado contra amigos e adversários aleatórios.
Acontece que, lamentavelmente, o jogo está concebido para o Português do Brasil (como quase toda a produção em língua Portuguesa na internet!!!), o que nos deixa em desvantagem, pois eles têm toda uma panóplia de vocábulos que desconhecemos e ignoram muitos dos que fazem parte da língua mãe.
De qualquer maneira, atendendo à ausência de recursos na língua original, lá tenho vindo a fazer esforços e a procurar adaptar-me, depois de uma inicial fase de revolta e de sugestões não atendidas.
Voltando ao tema inicial, esta tem sido uma experiência interessante pois, para além de me ficar a conhecer melhor a mim própria, também me tem permitido conhecer os meus adversários, a sua forma de ser e de estar perante as diferentes situações de vitória e de derrota.
Como em todas as situações na vida, a experiência é um factor importante, mesmo fundamental, e é preciso persistir para se conseguir algo.
É através do permanente exercício de "tentativa e erro" que vamos aprendendo e melhorando as nossas performances, e que a inteligência nos livre de termos medo dos desafios.
Entre os jogadores, vamos encontrando de tudo, e muito embora não os conhecendo na vida real, vamos ficando a percepcionar, e a admirar ou desprezar, não só a forma como interagem como a sua postura no decurso do jogo e face às vitórias e/ou derrotas que vão sofrendo.
Existem aqueles (uma minoria!!!) cujo esforço, humildade e perseverança nos animam, incentivam, se tornam dignos do nosso respeito e consideração ao ponto de ficarmos com receio de os penalizar e de termos vontade de os conhecer e, quem sabe, abraçar, e depois há os outros, os arrogantes, cheios de si próprios, aqueles que não suportando uma derrota, não olham a meios para atingir os seus fins.
Entretanto, de entre estes últimos há os que, estando a perder sistematicamente, mal conseguem uma vitória se retiram de cena e da concorrência, e os que abusam da supremacia que têm no jogo e que, estrategicamente evitados, persistem em se impor com o objectivo de acumular pontos face à desvantagem dos seus oponentes.
O jogo é, assim, uma actividade que permite avaliar, não só as capacidades de cada um, em determinada área como, também, a sua forma de ser e estar na vida real, constituindo um terreno fértil de reprodução do perfil comportamental de cada um.
Com o que tenho vindo a constatar e se eu fosse empregadora, para além da avaliação das competências específicas, sentir-me-ia tentada a incluir, no processo final de selecção de candidatos, um desafio/jogo que envolvesse, simultaneamente, não só o factor competição como a estratégia/estratégias utilizadas na persecução dos objectivos a alcançar.
Jean-François Braunstein, La religion woke (Entrevista)
Behind Closed Doors
O perigo das mensagens subliminares
Ronan´s Escape, short film on Bullying
A propósito do Bullying, da amargura, incompreensão e sofrido silêncio de quem dele é vítima.
Sempre em silêncio (confrangedor, para quem está de fora!) Ronan, o "loser", desistiu de lutar e acabou por ceder à profunda depressão para a qual foi empurrado.
Com a diferença de que então, há uns anos atrás, era preciso sensibilizar a sociedade, as escolas, os professores e os grupos e Hoje não há desculpa e é intolerável qualquer tipo de condescendência.
Uma curta-metragem que poderia, perfeitamente, integrar um programa curricular associado à Educação Cívica atendendo à sua lamentável actualidade.
O muro do meu descontentamento
Mansinho, muito de mansinho, olho para o muro cujas pedras permiti, ignorante e descuidadamente, se fossem acumulando e questiono-me sobre o que devo fazer para o ultrapassar, para derrubar aquela barreira que nunca deveria ter existido, pelo simples facto de sentir que, na parte que me toca, não haveria razões plausíveis que pudessem ter justificado a sua existência!
Incrédula, desajeitada, relutante e desesperadamente encaro esta criação mental, uma mera e destrutiva criação mental, monstruosa porque delirante, e recuso-me a cruzar os braços e a permitir que ela se prolongue no tempo e me roube os momentos de paz e plenitude pelos quais tenho vindo a lutar, afincadamente, ao longo dos anos.
The Lonely Bachelor
Porque apreciadora do género, é com esse mesmo espírito que os selecciono e partilho: curtos momentos lúdicos que têm como objectivo divertir e/ou seduzir, contrabalançando com a seriedade dos assuntos com os quais, entretanto, vamos tendo que lidar.



