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Rapariga Ideal 1973


  Com a idade que tenho, e cada vez mais consciente da efemeridade de tudo e de todos, a começar por mim própria, apeteceu-me partilhar este momento da minha vida pelo qual sinto alguma vaidade e um certo orgulho.
 Aproveito, também, para dar a conhecer aos meus filhos os detalhes de que nunca lhes falei, uma vez que só agora refleti sobre o assunto, depois de ter encontrado material escrito da época.
 Este concurso, promovido pela MPF (Mocidade Portuguesa Feminina), passou por várias etapas: 
visando avaliar, não só os conhecimentos, maturidade, características de personalidade e interesses de cada uma das candidatas, a nível nacional (Portugal continental, arquipélagos Açores e Madeira e, ao tempo, o Ultramar), todas aquelas que se dispuseram a concorrer, passaram por uma fase de pré-selecção, trabalhos reflexivos escritos, sobre vários temas (já me não recordo de quais), recebidos e enviados via CTT (estávamos numa era pré-internet, convém ter presente!); concluída esta, depois de uma triagem inicial, passámos a uma segunda fase, agora de âmbito regional envolvendo todos os distritos e respetivos concelhos.
 Com o objectivo de seleccionar a representante de cada distrito ou região, foram feitas provas das diferentes aptidões (valorizadas, à época*) de cada uma das candidatas, a nível concelhio.
 Segundo me recordo, estas contemplavam não só uma prova escrita de cultura geral, como provas antecipadamente anunciadas, de forma a que cada uma de nós se preparasse e, chegado o dia marcado, fosse munida com tudo aquilo de que precisaria para fazer as suas provas, de acordo com o que tinha programado.
 Abrangiam uma prova de culinária - preparação, apresentação e degustação da receita escolhida, por parte dos elementos do júri de selecção - incluindo a preparação e decoração de uma mesa para convidados.
 Para além destas, e que me recorde, havia também uma prova de costura.
 Quanto a mim, nestas provas práticas, preparei e apresentei uma tarte de requeijão que fez as delícias da Dra Dionísia Camões (será que também ela se deixou "conquistar pelo estômago"?), preparei uma mesa cheia de detalhes, que incluíram serviço de sobremesa (levado de casa) e flores, e cosi um botão.
 Para não me alongar muito mais, seleccionadas as candidatas distritais, era chegado o momento de se reunirem, em Lisboa, com o objectivo de proceder à selecção final, a de quem seria a Rapariga Ideal 1973.
 
 Aí (em Lisboa), e durante uma semana inteira, tivemos oportunidade de conviver e de nos conhecermos a todas - candidatas e mentoras da iniciativa - com a profundidade possível, pois seríamos nós próprias a eleger aquela que entendêssemos fosse a candidata que melhor representaria o ideal em causa.
 Social e culturalmente muito enriquecedora, esteve preenchida com importantes debates temáticos, troca de ideias e exposição de pontos de vista, sobre temas tão diversos como expectativas de futuro, carreira profissional, família, sociedade, etc.
 Neste tão intenso quanto intensivo programa estiveram também incluídas algumas visitas de carácter cultural e actividades lúdicas.
 Nada foi feito nem deixado ao acaso: havia objectivos a cumprir e, como tal, houve uma prévia e meticulosa preparação!

 Narrada e exposta a minha pequena vaidade, impõe-se a reflexão sobre os efeitos que estas iniciativas tiveram sobre cada uma de nós, em termos ideológicos e de concepção de vida e sociedade.
 Será que saíram daqui umas fanáticas, retrógradas, incorrigíveis e intolerantes "fascistas"?...
Claro que não!
 Em 1973 já se não pensava, vivia e defendia o que André Ventura pensa, defende e preconiza em termos de modelo de sociedade!!!
 Desconheço o que vai no seu imaginário mas não corresponde, de todo, em termos de postura e valores estruturais ao que nós, os que estivemos integrados, vivemos.
 Aliás, penso ser essa uma das razões pelas quais sinto, não só uma profunda e visceral antipatia como uma enorme aversão por ele, pelas mensagens explícitas e subliminares que veícula, pelo constante veneno que destila, pelo seu oportunismo, pela sua falta de carácter, pelas suas teatrais intervenções e, finalmente, por cometer o sacrilégio de "invocar o nome de Deus em vão", em proveito próprio e do partido que representa.

Mocidade Portuguesa
Pretendia abranger toda a juventude, escolar ou não, e destinava-se a «estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina e no culto do dever militar.»

 Entretanto, depois disso, "muita água correu debaixo da ponte"
Tendo perdido o contacto de todas as outras apercebi-me, há uns anos atrás, de que uma delas integrava e continua a integrar a lista de militantes do PS.
 Quanto a mim, reconheço que tive uma formação não só marxista como marxizante, no curso que escolhi.
 O expoente máximo, entre vários, foi a cadeira de Sistemas Económicos (Economia Política) ministrada, ao tempo, pelo Prof. Doutor Avelãs Nunes e a sua obrigatória e inseparável sebenta intitulada "Sistemas Económicos".
 Era uma cartilha!
Na primeira frequência tive 9 e na segunda, depois de compreendido o esquema, tive 15!!!
Senti-me obrigada a fazer aquilo que sempre detestei fazer: decorar!!!
 Pertencendo à área das Ciências Sociais (que sempre adorei!), tive cadeiras interessantíssimas que me abriram os olhos e os horizontes, todas ministradas por professores formados no estrangeiro, predominantemente França e Bélgica (fugidos à obrigação de cumprirem o serviço militar).
 Não sou nem me tornei marxista, mas devo muito à formação que me foi dada, em termos de métodos de análise, investigação e compreensão dos diferentes fenómenos socio-culturais.
 Foi uma mais-valia que senti ao longo dos anos e da vida, tanto em termos de vida em sociedade como, mesmo, familiares.
 Agora, bem mais velha, confesso ter perdido não só a paciência como a condescendência e corro o risco de, nos tempos que correm e da forma como estão a decorrer, me tornar completamente anti-social.

* Em meu entender, sempre que se aborda um acontecimento ou facto histórico, é fundamental que se tenha a preocupação e a honestidade de os contextualizar (tempo, espaço e época) sob pena de desvirtuar a informação. 

Curiosidade:
arquivos.rtp.pt/conteudos/mocidade-portuguesa-feminina-apresenta-o-concurso-rapariga-ideal/
Mocidade Portuguesa Feminina apresenta o concurso Rapariga Ideal
"Os conteúdos disponíveis estão protegidos por direitos de propriedade industrial e direitos de autor. É expressamente proibida a sua exploração, reprodução, distribuição, transformação, exibição pública, comunicação pública e quaisquer outras formas de exploração sem a autorização prévia da RTP." 
arquivos.rtp.pt
Rapariga Ideal 1973

Um lembrete sobre os seus pais

Se tudo correr de acordo com os normais ciclos de vida, há-de chegar o dia em que os seus pais precisarão de si, da mesma forma que também já precisou deles.
Seja paciente com eles, pois chegará o dia em que as suas histórias, os seus telefonemas e a sua presença se tornarão, apenas, memórias!

Predador, projecto educativo

 O perigo dos encontros combinados a partir da internet.
 Este vídeo tem já bastantes anos e foi feito numa escola Americana.
 Tinha como objectivo alertar para os perigos reais dos encontros combinados na internet e visava, como é óbvio, todos os jovens de todas as escolas dos EUA.
 Quanto a mim, enquanto mãe de filhos adultos e cidadã, gostaria que as crianças e jovens do meu país tivessem tido e tenham as mesmas oportunidades de acesso a este tipo de informações e que as respetivas escolas trabalhassem estes temas, desenvolvendo os seus próprios programas de alerta e prevenção.


Conclusão:

Trevor- Esperamos que o que acabaram de ver vos faça perceber como é fácil que, alguém online, vos leve a acreditar numa mentira.
O que observaram pode acontecer a qualquer criança em todo o país, independentemente do local onde viva.
Director- Trevor, estás absolutamente certo. A única forma de nos protegermos é procurarmos ser mais espertos do que os criminosos. Foi por isso que fizemos este vídeo, para vos dizer que a nossa escola faz a diferença. Tal como nós, todas as outras escolas deveriam ter os seus programas de alerta aos seus alunos.
Trevor- Há muitas pessoas perigosas na internet. Que pretendem fazer-se passar por aquilo que não são.
Director- O meu nome é Jim e ele é o Trevor.
Como director, pensei que era necessário para todos os nossos alunos, dar-lhes os instrumentos necessários para se manterem seguros...
Trevor- Nós precisamos de saber como reconhecer o Perigo, na internet... 

Assunção de Responsabilidades, uma lição de vida

Sam Toft´s Artwork

 Não sendo especialista na área, estou convencida de que nascemos todos com diferentes traços de personalidade, mais ou menos vincados, mas que outros haverá que, pelas mais diversas razões, educação incluída, são e devem ser cultivados, enquanto elementos estruturadores da vida em sociedade e da convivência pacífica a que esta nos apela.

 Passo a explicar baseada numa experiência pessoal:
em 1966, tinha eu 9 anos, por razões circunstanciais e, obviamente, sem ter sido consultada , fui internada num colégio de irmãs Salesianas, o Colégio Maria Auxiliadora, na Namaacha, a 80 km de Lourenço Marques, onde os meus pais se encontravam.
 Sofri e chorei baba e ranho de todo o tamanho, mas lá aguentei um ano e lá fiz a minha 4ª classe (exame incluído!).

 O regime, lá dentro era, não rígido mas rigidíssimo, altamente disciplinado e disciplinador, a acrescentar o facto de a Madre Superiora ser Alemã.
 Para além do currículo académico fazia também parte do projecto educativo, não só a formação religiosa, com catequese e missa e terço diários (eu tinha, apenas 9 anos!!!), como actividades de carácter lúdico e algumas tarefas domésticas diárias, antes de começarmos as aulas.
 Felizmente calharam-me sempre tarefas que, apesar de monótonas e desnecessárias, eram de fácil realização: limpava, diariamente, o pó das cadeiras do anfiteatro e posteriormente fui colocada na capela onde acabei por fazer o mesmo.
 Era um colégio amplo, enorme, e as raparigas estavam distribuídas por 2 enormes camaratas, de acordo com um só critério:
as que já eram menstruadas e as mais novas, ainda crianças!
 Eu era das mais velhas da camarata das crianças.
Como tal, e integrando ainda o referenciado projecto educativo, fiquei responsável por uma menina mais nova (6 anos) em termos de vigilância do seu comportamento, cuidado com o uniforme e higiene dentro da camarata.

 Passados tantos e tantos anos e depois de muita reflexão, penso ter sido este o ponto de partida para o processo de modelação de algumas características de personalidade que comigo se foram desenvolvendo.
 O sentido de responsabilidade, a partilha e um feroz desenvolvimento do instinto maternal foram algumas delas...Mas não só!...

 Houve um episódio que durante muito tempo, considerei ter sido completamente ridículo de tão desproporcional e para o qual olho, hoje, com bastante benevolência e uma outra compreensão ...
 Tudo, tudo, na era de Trump e de fenómenos como o Chega e quejandos que proliferam pelo mundo inteiro com protagonistas que nos fazem questionar a nossa saúde mental!

 Ora bem:
numa semana que era suposto ser de férias, mas em que fui obrigada a permanecer no colégio porque se aproximava a data do exame (nacional, 4º classe e a realizar numa escola pública), porque éramos poucas, para além dos estudos coube-nos a tarefa de pôr e tirar a única mesa que ocupávamos.
 Acontece que, num desses dias, ao retirar os pratos do jantar, escorregou-me um prato da mão que acabou por cair ao chão e por se partir.
 Todas as pessoas viram, fiquei aflita, peguei nos cacos e dirigi-me à irmã/madre responsável pelo refeitório que, muito simplesmente, me mandou para o gabinete da Madre Superiora com o objectivo de lhe relatar o sucedido.
 A seguir ao jantar havia sempre um tempo de lazer e de jogos colectivos e depois era a hora de recolher às camaratas.
 Nesse dia não me foi possível participar nas actividades rotineiras.
Entretanto e para meu grande "azar", a Madre Superiora tinha estado ocupada com uma visita importante para a Ordem durante todo o dia e prolongou a reunião noite adentro, fechada no seu gabinete.
 Não me restou outra solução que não fosse a de esperar à sua porta, sentada na escadaria e com os cacos na mão durante um tempo que me pareceu infindável já que, entretanto, já todas as minhas colegas se tinham ido deitar, a maior parte das luzes se tinha apagado e o silêncio instalado era, apenas, quebrado pelas vozes vindas do gabinete.
 Quando, por fim, a porta se abriu e a Madre Superiora apareceu na ombreira da porta dei um pulo, levantei-me já cheia de sono (tinha 9 anos!!!) e postei-me à sua frente ainda e sempre com os malditos cacos na mão, à espera do veredicto final...
 Manifestamente surpreendida olhou para mim e para a prova do meu delito, sorriu, fez-me uma festa na cabeça, mandou-me deitar o que restava do prato no lixo e ir para a cama...

 Na altura e durante muito tempo, até há alguns anos atrás, fiquei confusa entendendo que, para aquele desfecho e sem qualquer punição, tinha sido inglório o meu esforço de espera e o convívio e jogos que entretanto perdi...
 Mas, quando já tardiamente comecei a perceber que neste mundo em que vivo, desde os políticos ao cidadão comum, é cada vez menor o número de pessoas que assume não só os seus erros como as responsabilidades que lhes são inerentes, foi como se tivesse tido um vislumbre, uma revelação de algo que me intrigou durante tanto tempo e tivesse percebido, finalmente, o significado profundo da minha experiência no Colégio Maria Auxiliadora, na Namaacha, em Moçambique.
 Aprendi, desde cedo, a assumir a responsabilidade dos meus actos independentemente da sua valoração!

Genealogia e adopção


 
Por razões que me parecem óbvias, discordo totalmente do facto de se registarem, numa árvore genealógica, filhos não biológicos.
É com bastante indignação que vejo acontecerem essas situações no Geneall Plus um site que, sendo pago, deveria oferecer alguma credibilidade em termos de escrutínio da autenticidade do que se vai postando.
 Só num país de "faz de conta" é que, por exemplo, um professor universitário (com toda a carga intelectual, científica e, porventura, moral que lhe está associada) comete a ousadia de inscrever na sua pública árvore genealógica uma descendência que, sendo fruto do coração o não é da Biologia*.
 Em meu entender, em nome da Ciência e da verdade, deveria ter-se abstido de a preencher, a fim de evitar embaraços e de desvirtuar a filosofia subjacente à Genealogia.
 Por experiência própria, mãe de dois filhos (um adoptado e um biológico), por muito amor que sinta pela minha filha adoptada, seria incapaz de a incluir na minha árvore genealógica (herança do meu avô materno), não só por razões de honestidade intelectual mas, precisamente, pelo muito amor que lhe tenho e pelo respeito que por ela sinto. 
As idas ao médico e as embaraçosas lacunas de informação relacionadas com o historial clínico da sua família biológica, o seu nome original e o respeito que ela e a sua herança genética me merecem levaram-me a, com os poucos elementos que detinha, dar inicio a uma pesquisa (tão intensa quanto emocionante) e construção da sua própria árvore genealógica, com todo o amor e dedicação que por ela sinto.
 Orgulho-me de ter chegado até à sexta geração (1800) por parte da sua avó materna!
Agora, que já tem quarenta anos, e depois de algumas fortes "tempestades", a cumplicidade, ternura e amor que caracterizam a nossa relação são a prova, provadíssima, de que a estratégia utilizada e o caminho percorrido foram os mais correctos, e não poderiam ter sido outros que não os que tiveram por base, não só uma constante transparência como uma forte e convicta persistência.
Entretanto, atendendo ao desenrolar dos acontecimentos e à forma, peculiar, como me veio parar aos braços, estou cada vez mais convencida de que esta foi uma missão que me foi atribuída por Forças que me ultrapassam, independentemente da designação que possam ter e da Fé e crenças de cada um.
 Muito grata ao Universo por esta minha filha e pela confiança em mim depositada!...

Ilustr. Mozelle Couto, "Mother´s Love"

O meu presépio

E tem sido este, há já largos anos, o presépio que escolhi para celebrar aquela que, para mim, é a festa por excelência da Família!

Silent Night, Holy Night

In the quiet of the night,
Underneath the star so bright.
Families gather, hearts alight,
On Christmas Eve, love’s pure sight.

Carols sung with all their might,
Around the tree, sparkling white.
Gifts exchanged in soft moonlight,
Christmas Eve, a delight..

Amor de mãe, celebração

 Celebrando a inteligência, o esforço, os sacrifícios, a humildade, a bondade, o carácter e, também, o espírito de entreajuda e camaradagem.
Obrigada, Luís!!!
Jan/2020



            

Kahlil Gibran, Filhos

" Teus filhos não são teus filhos,
são filhos e filhas da vida,
anelando por si própria.

Vêm através de ti, não de ti,
e embora estejam contigo,
a ti não pertencem.

Podes dar-lhes teu amor,
mas não teus pensamentos,
pois que eles têm seus pensamentos próprios

Podes abrigar seus corpos,
mas não suas almas,
pois que suas almas residem na casa do amanhã,
que não podes visitar sequer em sonhos

Podes esforçar-te por te parecer com eles,
mas não procures fazê-los semelhantes a ti,
pois a vida não recua e não se retarda no ontem.

Tu és o arco do qual teus filhos
como flechas vivas, são disparadas
Que a tua inclinação, na mão do arqueiro, seja para a Alegria!"

A propósito dos filhos que, sendo nossos, nos não pertencem.

Coimbra, Hino do Colégio de Sta. Maria

 
À medida que os anos vão passando e com o inexorável avançar da idade, vamos adquirindo uma maturidade que resulta do nosso percurso de vida e das incontáveis experiências vividas e sofridas por cada um.
No que me diz respeito, aquelas que me moldaram e me fizeram "crescer" em termos de aquisição de alguma "sabedoria" foram as negativas, as que deixaram um rasto de sofrimento e devastação, que exigiram processos de luta e muita reflexão face às decepções que foram surgindo e com as quais tive de me confrontar.
Aprender a aceitá-las como parte integrante da vida em sociedade e a com elas saber lidar foi um processo longo e penoso mas que, finalmente, trouxe os seus frutos, os mesmos de que hoje não prescindiria.
A desdramatização, a capacidade de saber olhar para além do que se apresenta como facto consumado e a serenidade a que conduziu este aprendizado, não têm descrição possível em termos de bem-estar interior.
Em termos ideológicos, por exemplo, na eventualidade de existir um "pensamento" dominante, hoje designado como "políticamente correcto", respeito e preservo o meu direito de pensar por mim própria, de me sentir confortável com aquela que foi a minha matriz cultural (e geracional) e rejeito ferozmente qualquer tentativa de "colonização" do pensamento, seja ela qual for e venha de onde vier.
Explicada a minha postura, entendi que deveria fazer esta publicação, quanto mais não seja para salvaguardar um património que poderá, não só corroborar como acrescentar algo em termos de estudo e conhecimento de uma determinada época e cultura portuguesas.
Frequentei este colégio, de que tenho gratas memórias, durante uns anos e, como era obrigatória a disciplina de Canto Coral, entre outros cantos e hinos aprendemos o hino do próprio colégio:

Rapariga Portuguesa
É grande a tua missão
Trazes dentro do teu peito
O futuro da Nação.

Amanhã serás mulher
Serás esposa, serás mãe
E nas tuas mãos terás
O melhor que a Pátria tem.

Trabalha pois e avante
Avante com galhardia
Por Portugal nossa pátria
Terra de Santa Maria.

Em termos de conclusão e para os que se debruçam sobre o estudo do Pensamento, eventual análise de conteúdos e mensagens subliminares, estão longe de ser "tenebrosos" os valores veículados neste hino.
O colégio era católico, a minha família católica era e, hoje, apesar da formação que tive e respeitando todas as religiões, não sinto necessidade nem me vejo capaz de integrar qualquer tipo de instituição de índole religiosa.
Fiz o percurso de vida que tinha que fazer, dei as minhas cabeçadas mas, entretanto, tenho dois filhos maravilhosos, trabalhadores, responsáveis e com sólidos princípios de vida em sociedade.
Ilustr.Google

Momentos de ternura

 
Maternal, evidentemente!!!

Homenagem à minha Mãe


 Como eu agradeço à minha Mãe o facto de não só me ter ensinado a ser mãe, pelo seu exemplo, como a sentir como mãe, pelas suas constantes atitudes de abnegação e desapego.

Por ter prescindido da sua própria vida antes, ainda, do meu nascimento e, anos mais tarde, da sua própria independência, comodidade e bem-estar quando, com uma generosidade que ainda hoje me deixa surpreendida, me cedeu a sua própria viatura para que eu pudesse ir trabalhar para fora da minha zona de conforto.

E só agora, volvidos tantos anos e com conhecimento de causa, reconheço e dou o valor devido a todos e cada um dos gestos que, ao longo dos anos, me foram sendo dirigidos enquanto filha, objecto de atenção e cuidados sempre, mas mesmo sempre com muito respeito pela pessoa que eu era, em que acabei por me tornar e cujo testemunho gostaria de poder transmitir.

Obrigada, Mãe, por me ter ensinado a Amar e a respeitar como só uma Mãe o pode e sabe fazer!

Tristeza e nostalgia

 
Sempre que se aproximam as datas e comemoração das duas mais importantes festas religiosas que marcam o ano civil, o Natal e a Páscoa, sinto-me invadida por uma nostalgia e uma tristeza que não consigo esconder, por mais esforços que faça ...

A forte dimensão familiar atribuída a ambas - sobretudo o Natal! - por mim amplamente participada e vivenciada durante toda a infância e adolescência, e a irremediável ausência de quase todos aqueles que, em festa, comigo as partilharam, trazem-me sempre um grande vazio e uma enorme saudade, atendendo às muito gratas memórias que delas fui guardando.

Ilustr. Rachel Grant Artwork

Amor de Mãe


A olhar para a minha filha, 
a senti-la tão próxima de mim e a pensar:
"So proud of my daughter!!!

So gratifying, so touching to look at her, at her paths in life and suddenly discover how beautiful is her soul!...

Thanking God for such a gift!...

Comprar o tempo

« Há alguns dias atrás um homem entrou em casa, tarde como sempre, cansado e aborrecido. O filho, de 6 anos, esperava-o à porta.
- Pai, posso fazer-te uma pergunta?
- Claro!
- Quanto é que tu ganhas por hora?
- Não tens nada com isso. Que raio de pergunta.
Respondeu o pai, zangado.
- Só queria saber ... por favor, pai, diz-me …
- Bom...se queres saber, ganho 35 euros por hora.
- Oh! murmurou o filho, cabisbaixo... Levantando, depois, a cabeça, perguntou:
- Podes emprestar-me 10 euros, pai, por favor?
O pai ficou furioso.
- Se querias saber quanto ganho só para me pedires dinheiro emprestado para comprares uma porcaria qualquer, podes ir já para o teu quarto e deita-te.
Será que és egoísta a esse ponto?! Eu trabalho muito e não tenho tempo a perder com estes disparates...
O miúdo foi-se embora e fechou-se no quarto. O pai, entretanto, sentou-se irritado.
Ao fim de algum tempo, já mais calmo, começou a sentir que tinha sido demasiado severo ... Talvez o filho quisesse comprar algo de que precisava realmente, qualquer coisa que, para ele, era importante.
Resolveu, então, ir ao quarto do filho.
- Sei que fui um pouco duro contigo. Toma lá os 10 euros que me pediste.
O garoto endireitou-se, radiante.
- Obrigado, pai !
Depois, tirou algumas notas amassadas debaixo da sua almofada e começou a contá-las cuidadosamente.
- Porque é que querias dinheiro se, afinal, já o tens?
Perguntou o pai.
- Não tinha o suficiente, pai. Agora já tenho 35 euros.
Será que posso comprar uma hora do teu tempo?»

Ilustração: "Father and son", Desray
metafora.ch
Trad. e adaptação
Maria M. Abreu

Quando uma criança chega ao ponto de sentir a necessidade de "comprar o tempo" dos pais para com eles poder estar, conversar e conviver, algo de muito errado se passa na sociedade em geral e nas famílias, em particular. Este episódio pretende alertar para a urgência de fazermos os esforços possíveis no sentido de estabelecermos prioridades que não descurem aquilo que é essencial enquanto pais e educadores: o tempo dos filhos e o tempo para os filhos.

Tel Aviv, Repatriamento dos Portugueses

Se a minha mãe estivesse viva teria dito "O homem põe e Deus dispõe" e, independentemente da Fé de cada um, é mesmo o que acontece frequentemente com todos nós, tanto ao nível da nossa vida individual como colectiva.
E foi e é o que está a acontecer com o seu neto que, estando no Chipre a aguardar por uma ligação para Lisboa, teve de renunciar (depois de muito hesitar!) ao seu projecto de 2 meses de trabalho na sede da empresa para a qual trabalha, na sequência do ataque do Hamas na manhã do próprio dia em que chegou.
Apesar de considerar que tiveram todos muita sorte - estes Portugueses em processo de repatriamento - por terem conseguido, graças ao Estado Português, fugir de um cenário de guerra sãos e salvos, em comparação com todos aqueles (muitos) que morreram, ficaram feridos e/ou feitos prisioneiros,  é sempre de lamentar que os desejos, esforços e projectos legítimos de construção e de evolução sejam frustrados por eventos tão contraditórios, estéreis, cruéis e destrutivos como as guerras, como todos e quaisquer conflitos armados.
Força Aérea C-130
Fotografias: Luís L.A.

A propósito dos Esforços de Guerra, introdução

 
Apesar de ter nascido antes, bastante antes da Internet e de não pertencer às gerações que com ela nasceram e cresceram, sempre fui curiosa e nunca me dei por vencida no que dizia e diz respeito à sua utilização enquanto veículo de pesquisa e de transmissão de ideias, conhecimentos e preocupações.

Enquanto, enfim, a forma de comunicação por excelência para pessoas que, tal como eu, atendendo a um conjunto de circunstâncias que nos ultrapassam, têm alguma dificuldade em encontrar parceiros/as com quem partilhar o que pensa e sente.

Um dos temas que me seduziu, logo de inicio, e que foi motivo de intensa investigação da minha parte, foram os esforços de guerra feitos no decurso das 2 Grandes Guerras mundiais em países, potências, que nelas estiveram profundamente envolvidas: Inglaterra (I e II Guerra Mundial) e EUA (II Guerra Mundial)

A selecção teve a ver com o simples facto de ter tido a oportunidade de conhecer ambos os países e de ter sentido um enorme desfazamento, tanto ao nível do seu desenvolvimento e organização actuais, como da forma de viver, ser, estar e pensar entre estas e a nossa, a Portuguesa, que eu entendia não poderem ser exclusivamente atribuídas ao facto de serem, apenas, diferentes culturas com diferentes passados históricos de longa data.

E a questão que colocava a mim própria era a seguinte: atendendo ao respetivo envolvimento e participação directos e profundos em ambas as guerras, de que forma esta vivência e participação afectaram e influenciaram, tanto na altura como posteriormente, o desenvolvimento, cultura, modo de vida e pensamento dos países em causa.

Esta pesquisa teve inicio em 2018 e foi nesse ano que experimentei fazer o meu próprio blogue, com os escassos conhecimentos que detinha (e que continuo a deter!) publicando neste as curiosidades que ia descobrindo e que acabaram, com o decorrer do tempo, por responder às minhas questões específicas.

Entretanto, atendendo à Guerra na Ucrânia, ao envolvimento do mundo inteiro neste conflito desencadeado pela Federação Russa, a todos os outros diferentes conflitos em curso nas diferentes regiões do mundo e à crónica ignorância, falta de informação e dormência que parece atingir-nos a quase todos, entendi que valerá a pena voltar a publicar agora, em 2023, o que postei em 2018.

07.10.2023
Ataque do Hamas ao Sul de Israel!...

O meu filho acabou de aterrar em Tel Aviv!...😱