Jan/2020
Em busca do equilíbrio entre a constância e "certezas" do Passado e a fluidez e múltiplas contingências do Presente
Amor de mãe, celebração
Jan/2020
O Livro dos Elogios, em defesa do mérito próprio
(Julho 07, 2019)
Passados todos estes anos continuam a existir muitos estabelecimentos e serviços sem este instrumento de trabalho, que poderia ser mais um em termos de avaliação do desempenho dos diferentes colaboradores e do nível de satisfação de utentes e de clientes.
A prática da nivelação e a filosofia que lhe está subjacente - a de procurar igualar tudo e todos os que não são nem serão, nunca, igualáveis e ou iguais! - jamais serviu, não serve nem servirá o crescimento, produtividade e desenvolvimento de qualquer organização ou instituição, independentemente da área em que se insere.
Esta linha de pensamento favorece e acaba por estimular a preguiça e ignora, desvalorizando, o esforço e o empenho, as forças motrizes do progresso e dos hipotéticos saltos qualitativos que o poderão acompanhar.
Convenhamos, entretanto, que este tem sido o terreno ideal para a manutenção e reprodução do sempiterno sistema atrofiador de recurso às "cunhas"...
Trabalho por conta própria
Quando se trabalha por conta própria, como é o meu caso, não há fins de semana, sábados ou domingos, horas de almoço e ou de jantar...
Não há subsídios de refeição, nem de férias, nem de coisa alguma e, se quisermos prosperar temos de "dar o corpo ao manifesto", de insistir, de persistir e de procurar a eficiência em tudo o que fazemos e na forma como projectamos o nosso dia a dia.
Não há "borlas" para quem trabalha por conta própria!...
As garantias são uma miragem e a acomodação, um fruto proibido ...
E no entanto, apesar de navegarmos num mar de contingências, sob o domínio da incerteza e sem as regalias de que gozam todos aqueles que trabalham por conta de outrem, a única realidade que temos como certa é a obrigatoriedade de contribuir para um Estado que se alimenta do nosso esforço para poder alimentar e gerar simpatias e distribuir benesses por todos aqueles cujas garantias há muito foram consignadas.
Francesca
A Francesca não precisou de bater à porta para entrar no meu coração.
Está incluída naquele tipo de pessoas a quem anteriormente me referi aqui
Italiana, jovem na casa dos 30, casada, mãe de um filho de 5 anos, lutadora, persistente, mete mãos à obra e tudo faz para alcançar, não só o Pão nosso de cada dia mas, também, um merecido lugar ao sol.
Bonita, educada, delicada, é uma daquelas pessoas com um enorme talento na área comercial que, calcorreando as pedras da rua, através do telemóvel ou com o pé no acelerador dá o corpo ao manifesto, aborda, procura, enfrenta, luta e procura fazer acontecer, aquilo que não tem acontecido ... Vendas!...
Entretanto, teve o azar de vir parar a um meio que, apesar de turístico e orientado para o turismo é altamente provinciano, dominado por uma confrangedora e constrangedora ignorância, virado para o lucro fácil e imediato e alheio a considerações de ordem estratégica, visionária e de demanda de soluções de valor acrescentado, e acabou por ser completamente desaproveitada, deliberadamente marginalizada só porque, entretanto, fazia sombra a quem vive na sombra e da sombra.
Injustiça das injustiças, a Francesca, parca em recursos mas sempre de cabeça erguida e com os olhos postos no interesse e bem-estar de filho está, de momento, a fazer o trabalho que as nativas, as Portuguesas da sua geração se recusam a fazer... a Francesca vai limpando o que pessoas sem postura e com infinitamente menores capacidades que ela vão sujando!...
Entretanto, estou convencida de que a Francesca, sendo empreendedora e destemida como é, irá encontrar o seu lugar ao sol ...
E vivam todas as Francescas deste país e deste mundo!...
(Novembro 09, 2019)
Há muito tempo que não tenho notícias da Francesca.
Sei que regressou a Itália porque a sua vida, aqui, se tornou incomportável e que um dos problemas subjacente a esta sua decisão foi, precisamente, o da Habitação (de que tanto se tem falado hoje em dia, a ponto de gerar medidas governamentais específicas!), atendendo à escassez da oferta e aos preços proibitivos que dela resultam.
Portugal, um País condenado à Emigração
Fotografia: Hong Kong
Luís L.A.
Portugal foi, é e, "pelo andar da carruagem", irá sempre continuar a ser um país de emigrantes.
Só que agora o problema é mais sério pois, a acrescentar a todos aqueles que partem sem grandes qualificações, à procura de uma vida melhor, com salários mais elevados, em países que reconheçam e valorizem o trabalho, enquanto força motriz de qualquer sociedade vão, também, muitos jovens com qualificações acima da média, carregados de sonhos e cheios de esperança, em busca da apreciação e valorização a que entendem ter direito e que lhes é garantida a partir do momento em que assinam os seus primeiros contratos.
Depois de anos, passados e esforçados a investirem, material e intelectualmente, na sua formação e qualificações sociais, humanas e académicas esperam, apenas, que lhes sejam dadas oportunidades, uma avaliação rigorosa das suas competências, a liberdade possível de as explorar e desenvolver, em benefício de todos, e o reconhecimento e apreciação do seu esforço, do seu eventual potencial produtivo.
Desdobram-se na apresentação de candidaturas, sujeitam-se a todo o tipo de filtros exigidos pelas empresas que lhes vão abrindo as portas, a infindáveis entrevistas (3 e 4 no processo de selecção de cada uma das empresas), ao dissabor e à frustração de serem preteridos quando tal acontece enfim, a uma via sacra de sentimentos e emoções que só quem passa pelo processo compreenderá.
Enquanto aqueles que nos governam (será mesmo?!...) e as respetivas estruturas partidárias não compreenderem, que não existem apoios financeiros nem infraestruturas urbanas e regionais que se auto-sustentem e que, para que estas funcionem em plenitude, é necessário alterar a massa crítica vigente.
Um problema estrutural de mentalidade, de cariz terceiro-mundista, que se vem reproduzindo de geração em geração, ao longo de décadas (senão mesmo de séculos!) e tem dominado a nossa forma de estar, agir, trabalhar, pensar e evoluir.
Enquanto se mantiver este paradigma, permeável à troca de favores e de outras formas desviantes de contratação, preterindo e apostando na qualidade e no mérito próprio, nunca será possível que Portugal atinja os níveis de desenvolvimento social e económico a que todos nós, de forma legítima e mais ou menos consciente, aspiramos.
(Outubro 20.2021)
"Ano da graça" de 2023:
Agora virou discurso oficial!
Em 2021 ninguém "sentia" o problema ...
Entretanto, ninguém vai ao cerne da questão.
Ninguém aborda o problema dos "compadrios", das "cunhas", dos processos e critérios de selecção, da ausência de rigor e dos descurados níveis de exigência tão enraizados nesta nossa sociedade Portuguesa!!!
Por mérito próprio
Manifestando sempre um enorme respeito por si próprio e pelos outros, teimoso, sabendo o que queria, consciente das dificuldades do caminho que escolheu e depois de ultrapassar, vencendo, muitas adversidades, o Luís deu os primeiros passos no sentido de alcançar o seu tão almejado "lugar ao sol".
Por mérito próprio, sem recurso aos muitíssimos conhecimentos , de aquém e além mar, que foi acumulando e conquistando ao longo dos anos e com uma natural aversão a tudo quanto sejam "favores" e "cunhas", o Luís impôs-se pelo seu trabalho árduo, pela sua perseverança, pelo seu saber, pela sua personalidade, pelo seu carácter ...
Parabéns, meu filho!
Quero, mais uma vez, manifestar o enorme orgulho que sinto em me ter sido dada a oportunidade de ter sido tua mãe e de ter acompanhado o teu percurso ao longo destes anos tão carregados de contrariedades, dúvidas e incertezas.
Sê Feliz, meu filho, e voa ... voa até onde os teus voos te puderem levar ...
(Agosto 29, 2021)







