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Mahatma Gandhi, a força das convicções

Com o recrudescimento de novas formas de imperialismo e de tentações xenófobas e totalitárias, convém revisitar a História e relembrar, ou dar a conhecer, os nomes e feitos de alguns dos expoentes que se destacaram na luta pela conquista e salvaguarda dos direitos humanos e civis do séc. XX.

Mahatma Gandhi, fome e religião

Num mundo tão saturado pela violência e na sequência das guerras e conflitos em curso lembrei-me de um dos meus ídolos da juventude, Mahatma Gandhi, pelo seu carácter, pelo papel que desempenhou no processo de descolonização da India, pela sua dimensão ética e, sobretudo, pela inovadora estratégia que imprimiu ao seu combate político: a "não-violência", a de resistir e apelar à resistência sem recurso à violência, ao conflito armado.
Atendendo à  sua elevadíssima dimensão espiritual e ao seu profundo humanismo, defendia a tese de que a pobreza extrema e a fome eram duas das piores formas de violência resultantes do sistema colonial vigente, ao tempo, que urgia fossem combatidas de raiz, e apelava à promoção da auto-suficiência e ao desenvolvimento das comunidades locais enquanto vias de empoderamento das populações.

«There are people in the world so hungry, that God cannot appear to them except in the form of bread»
«Há pessoas no mundo com tanta fome que Deus só lhes pode aparecer sob a forma de pão.»
Mahatma Gandhi (1869-1948)
Ilustr. Google

Nelson Mandela, o renascimento Africano



 Partiu o herói, foram-se as referências, esfumaram-se os ideais e não aconteceu o tão almejado renascimento de um Continente tão rico quanto diferenciado e com tanto para oferecer a todos, não fora a ganância de uns poucos, os mesmos de sempre!...
Aqueles cujas fortunas e poder delas resultantes têm como base, precisamente, os desequílibrios estruturais regionais, perpetuados no tempo e fomentados, agora, com a descarada conivência de uma meia dúzia de novos protagonistas, novos actores locais, fascinados com as benesses que poderes não criteriosos lhes proporcionam...
 Sinto saudades suas, dos seus ideais, da sua verticalidade, da sua coerência e de tudo o que representou, Dr. Nelson Mandela!
 O senhor foi e continuará a ser sempre um dos meus heróis, uma das poucas personalidades que tiveram o condão de me seduzir ao ponto de me ajudarem a acreditar que os sonhos são possíveis, transformando-me numa pessoa melhor e mais condescendente.
Muito obrigada!!!

Nelson Mandela, o ideal de uma sociedade livre e democrática

 

Vê mais longe a gaivota que voa mais alto

 
«(...) À medida que os dias corriam, Fernão dava consigo a pensar cada vez mais na Terra, de onde viera. 
Se lá tivesse sabido um décimo que fosse do que aprendera ali, como a vida teria tido outro significado!
Deixou-se ficar ali na areia a pensar se haveria lá alguma gaivota a tentar ultrapassar os seus limites, a tentar perceber que o voo era mais do que um meio para arrancar uma migalha de pão de um barco.
Talvez até houvesse alguma banida por ter falado a verdade perante o Bando.»

Bach, Richard
in Fernão Capelo Gaivota
Ilustr. Phil Jensen

A educação de Gerónimo, cultura Apache

"Quando eu era uma criança, a minha mãe ensinou-me as lendas do nosso povo;
falou-me sobre o sol e o céu, a lua e as estrelas, as nuvens e as tempestades.
Também me ensinou a ajoelhar e a rezar ao Usen/Criador, pedindo-lhe força, saúde, sabedoria e protecção. 
Nunca rezávamos contra ninguém e se tivéssemos algum problema com alguém, teríamos de o resolver pessoalmente.
Ensinaram-nos que o Criador não dava importância às brigas insignificantes dos homens."
"Não tínhamos igrejas, nem organizações religiosas, nem o sabbath, nem feriados e, mesmo assim, rezávamos.
Umas vezes, reunia-se toda a tribo e cantávamos e rezávamos;
outras, apenas alguns, talvez dois ou três.
As canções eram informais e tinham poucas palavras.
Havia lugar para o improviso e para as manifestações individuais."
"Às vezes rezávamos em silêncio outras, rezava cada um em voz alta;
outras ainda, era um ancião quem rezava por todos nós.
Havia momentos em que um se levantava e nos falava dos deveres que tínhamos uns para com os outros e para com o Criador.
As nossas celebrações eram curtas."

Organização, tradução e adaptação
Maria M. Abreu

Olivier Clerc, Sementes de Sabedoria


A propósito da função dos contos e afins:

«(...)uma vez que lhe é impossível transportar uma floresta, poderá trazer consigo um saco cheio de sementes.
Os símbolos, metáforas e analogias são isso mesmo: 
resumos compactos, cheios de sabedoria, que pode plantar e fazer crescer no seu jardim interior...»