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Comércio Local, a ditadura do pagamento em dinheiro

 Há anos que vivo quotidianamente com esta situação, que me sujeito às "regras"/caprichos impostos pelos comerciantes locais, mas confesso que começo a estar muito farta e a ficar, intelectualmente, menos tolerante perante esta desfaçatez!
 Não sei se a situação se generaliza ao país inteiro (espero que não!) mas aqui, na região onde vivo, o Algarve, é uma constante.
 Desde o cabeleireiro, à lavandaria, passando pelo pequeno restaurante, café ou snack-bar, que somos confrontados com a situação - problemática para muitos de nós - da ausência de alternativas no que diz respeito à forma de pagamento.
 Em resumo: ou pagas em dinheiro ou, não consomes!!!
Também se dá o caso de poderes ser encaminhado para a caixa Multibanco mais próxima.
 De qualquer forma ficas a saber que, se pensares em voltar, tens de ter a preocupação (mais uma!!!) de vir prevenido com dinheiro vivo (cash).
 Ora eu sei que são pequenos comerciantes, que não têm um grande volume de negócios, que pagamos todos muitos impostos (o Estado Social e não só!) mas, a permissão deste estado de coisas, por parte das autoridades competentes, para além de ser uma grande injustiça relativamente a quem cumpre e se sujeita a um maior escrutínio, constituem um descarado atropelo a alguns dos direitos fundamentais dos consumidores.
 Em meu entender, e de forma a facilitar a vida dos consumidores - razão de existir dos comerciantes - havendo, actualmente, diferentes formas e opções de pagamento, independentemente da dimensão do estabelecimento comercial, deveria ser obrigatório haver, pelo menos, uma opção electronica para além da tradicional, o dinheiro.
 E não tem de ser, directamente, através do sistema bancário que, aparentemente, é bastante dispendioso.
Temos o MB WAY, por exemplo.
 Para além de muitas outras razões de peso, seria uma forma de libertar o  consumidor de mais uma preocupação totalmente desnecessária em pleno séc. XXI.

Fartura e insatisfação

Tendo em consideração a natureza humana, infelizmente, só uma qualquer catástrofe vivida e sentida na primeira pessoa tem o poder transformador de, com alguma rapidez (dependendo do tipo e duração da catástrofe), alterar consciências e de reposicionar os valores e a escala de necessidades nos lugares que lhes competem e a que o bom senso conduz, invariavelmente.

Olivier Clerc, A rã que não sabia estava a ser cozinhada

 
Da alegoria da Caverna de Platão para Matrix, passando pelas fábulas de La Fontaine, o idioma simbólico é um meio privilegiado para induzir à reflexão e transmitir algumas ideias.

Olivier Clerc (escritor e filósofo), recorrendo à metáfora, nesta sua breve história, põe em evidência as funestas consequências de não termos consciência de que estamos a ser alvo de mudanças, que afectam não só a evolução social e o ambiente como, também, a nossa saúde e as nossas relações sociais e de convivência.

"Imagine uma panela cheia de água fria, na qual nada tranquilamente uma pequena rã. Um pequeno fogo debaixo da panela e a água aquece muito lentamente.
A pouco e pouco, lentamente, a água fica morna e a rã, achando isso bastante agradável, contínua a nadar.
A temperatura da água continua a subir ...
A água fica mais quente do que a rã gostaria. Começa a sentir-se um pouco cansada mas, não obstante, isso não a amedronta.
Entretanto a água está realmente quente e a rã começa a achar desagradável, mas está muito debilitada. Então aguenta e não faz nada ...
A temperatura contínua a subir até que a rã acaba, simplesmente, morta e cozida.
Se a mesma rã tivesse sido lançada directamente na água a 50graus, com um golpe de pernas teria saltado imediatamente da panela."

Isto mostra que, quando uma mudança acontece de um modo suficientemente lento, escapa à consciência e não desperta, na maior parte dos casos, nenhuma reacção, nem um pouco de oposição ou alguma revolta.
Se nós olharmos para o que tem acontecido na nossa sociedade durante as últimas décadas poderemos ver que estamos a sofrer uma lenta mudança na vida à qual nos vamos acostumando.
Uma quantidade de coisas que nos teriam feito horrorizar há 20, 30 ou 40 anos, foram a pouco e pouco banalizadas e hoje apenas perturbam levemente ou até deixam completamente indiferentes a maior parte das pessoas.
Em nome do progresso, da ciência e do lucro são efectuados ataques contínuos às liberdades individuais, à dignidade, à integridade da natureza, à beleza e à alegria de viver. 
Lenta, mas inexoravelmente, com a constante cumplicidade das vítimas, desavisadas e agora incapazes de se defenderem.
As previsões para o futuro, em vez de despertarem reacções e medidas preventivas, não fazem outra coisa que não seja preparar psicologicamente as pessoas para aceitarem algumas condições de vida decadentes, aliás dramáticas.
O martelar contínuo de informações dos média satura os cérebros que não podem distinguir mais as coisas ...
Quando eu falei pela primeira vez destas coisas, era para um amanhã...
Agora, é para hoje!!!
Conscientes ou cozinhados, precisamos de escolher!

Sendo assim, se você não estiver como a rã, já meio cozido, dê um golpe de pernas, antes que seja muito tarde...

Disfunções sociais

Sociedade Disfuncional

Quando a disfuncionalidade tende a proliferar e a transformar-se em norma, a todos afecta, a ninguém aproveita, a todos desgasta e tudo emperra.
É necessária uma enorme e dispensável resiliência para viver/conviver com esta forma de ser, de estar, de funcionar e se relacionar.
Como é difícil e penosa a vida quotidiana numa sociedade e cultura que pecam, sistematicamente, pelo excessivo peso da burocracia, pela falta de cumprimento de regras estabelecidas, pela fuga aos compromissos e pela falta de respeito mútuo!...
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