Se tudo correr de acordo com os normais ciclos de vida, há-de chegar o dia em que os seus pais precisarão de si, da mesma forma que também já precisou deles.
Seja paciente com eles, pois chegará o dia em que as suas histórias, os seus telefonemas e a sua presença se tornarão, apenas, memórias!
Em busca do equilíbrio entre a constância e "certezas" do Passado e a fluidez e múltiplas contingências do Presente
Um lembrete sobre os seus pais
Comércio Local, a ditadura do pagamento em dinheiro
Não sei se a situação se generaliza ao país inteiro (espero que não!) mas aqui, na região onde vivo, o Algarve, é uma constante.
Desde o cabeleireiro, à lavandaria, passando pelo pequeno restaurante, café ou snack-bar, que somos confrontados com a situação - problemática para muitos de nós - da ausência de alternativas no que diz respeito à forma de pagamento.
Em resumo: ou pagas em dinheiro ou, não consomes!!!
Também se dá o caso de poderes ser encaminhado para a caixa Multibanco mais próxima.
De qualquer forma ficas a saber que, se pensares em voltar, tens de ter a preocupação (mais uma!!!) de vir prevenido com dinheiro vivo (cash).
Ora eu sei que são pequenos comerciantes, que não têm um grande volume de negócios, que pagamos todos muitos impostos (o Estado Social e não só!) mas, a permissão deste estado de coisas, por parte das autoridades competentes, para além de ser uma grande injustiça relativamente a quem cumpre e se sujeita a um maior escrutínio, constituem um descarado atropelo a alguns dos direitos fundamentais dos consumidores.
Em meu entender, e de forma a facilitar a vida dos consumidores - razão de existir dos comerciantes - havendo, actualmente, diferentes formas e opções de pagamento, independentemente da dimensão do estabelecimento comercial, deveria ser obrigatório haver, pelo menos, uma opção electronica para além da tradicional, o dinheiro.
E não tem de ser, directamente, através do sistema bancário que, aparentemente, é bastante dispendioso.
Temos o MB WAY, por exemplo.
Para além de muitas outras razões de peso, seria uma forma de libertar o consumidor de mais uma preocupação totalmente desnecessária em pleno séc. XXI.
Assunção de Responsabilidades, uma lição de vida
Passo a explicar baseada numa experiência pessoal:
em 1966, tinha eu 9 anos, por razões circunstanciais e, obviamente, sem ter sido consultada , fui internada num colégio de irmãs Salesianas, o Colégio Maria Auxiliadora, na Namaacha, a 80 km de Lourenço Marques, onde os meus pais se encontravam.
Sofri e chorei baba e ranho de todo o tamanho, mas lá aguentei um ano e lá fiz a minha 4ª classe (exame incluído!).
O regime, lá dentro era, não rígido mas rigidíssimo, altamente disciplinado e disciplinador, a acrescentar o facto de a Madre Superiora ser Alemã.
Para além do currículo académico fazia também parte do projecto educativo, não só a formação religiosa, com catequese e missa e terço diários (eu tinha, apenas 9 anos!!!), como actividades de carácter lúdico e algumas tarefas domésticas diárias, antes de começarmos as aulas.
Felizmente calharam-me sempre tarefas que, apesar de monótonas e desnecessárias, eram de fácil realização: limpava, diariamente, o pó das cadeiras do anfiteatro e posteriormente fui colocada na capela onde acabei por fazer o mesmo.
Era um colégio amplo, enorme, e as raparigas estavam distribuídas por 2 enormes camaratas, de acordo com um só critério:
as que já eram menstruadas e as mais novas, ainda crianças!
Eu era das mais velhas da camarata das crianças.
Como tal, e integrando ainda o referenciado projecto educativo, fiquei responsável por uma menina mais nova (6 anos) em termos de vigilância do seu comportamento, cuidado com o uniforme e higiene dentro da camarata.
Passados tantos e tantos anos e depois de muita reflexão, penso ter sido este o ponto de partida para o processo de modelação de algumas características de personalidade que comigo se foram desenvolvendo.
O sentido de responsabilidade, a partilha e um feroz desenvolvimento do instinto maternal foram algumas delas...Mas não só!...
Houve um episódio que durante muito tempo, considerei ter sido completamente ridículo de tão desproporcional e para o qual olho, hoje, com bastante benevolência e uma outra compreensão ...
Tudo, tudo, na era de Trump e de fenómenos como o Chega e quejandos que proliferam pelo mundo inteiro com protagonistas que nos fazem questionar a nossa saúde mental!
Ora bem:
numa semana que era suposto ser de férias, mas em que fui obrigada a permanecer no colégio porque se aproximava a data do exame (nacional, 4º classe e a realizar numa escola pública), porque éramos poucas, para além dos estudos coube-nos a tarefa de pôr e tirar a única mesa que ocupávamos.
Acontece que, num desses dias, ao retirar os pratos do jantar, escorregou-me um prato da mão que acabou por cair ao chão e por se partir.
Todas as pessoas viram, fiquei aflita, peguei nos cacos e dirigi-me à irmã/madre responsável pelo refeitório que, muito simplesmente, me mandou para o gabinete da Madre Superiora com o objectivo de lhe relatar o sucedido.
A seguir ao jantar havia sempre um tempo de lazer e de jogos colectivos e depois era a hora de recolher às camaratas.
Nesse dia não me foi possível participar nas actividades rotineiras.
Entretanto e para meu grande "azar", a Madre Superiora tinha estado ocupada com uma visita importante para a Ordem durante todo o dia e prolongou a reunião noite adentro, fechada no seu gabinete.
Não me restou outra solução que não fosse a de esperar à sua porta, sentada na escadaria e com os cacos na mão durante um tempo que me pareceu infindável já que, entretanto, já todas as minhas colegas se tinham ido deitar, a maior parte das luzes se tinha apagado e o silêncio instalado era, apenas, quebrado pelas vozes vindas do gabinete.
Quando, por fim, a porta se abriu e a Madre Superiora apareceu na ombreira da porta dei um pulo, levantei-me já cheia de sono (tinha 9 anos!!!) e postei-me à sua frente ainda e sempre com os malditos cacos na mão, à espera do veredicto final...
Manifestamente surpreendida olhou para mim e para a prova do meu delito, sorriu, fez-me uma festa na cabeça, mandou-me deitar o que restava do prato no lixo e ir para a cama...
Na altura e durante muito tempo, até há alguns anos atrás, fiquei confusa entendendo que, para aquele desfecho e sem qualquer punição, tinha sido inglório o meu esforço de espera e o convívio e jogos que entretanto perdi...
Mas, quando já tardiamente comecei a perceber que neste mundo em que vivo, desde os políticos ao cidadão comum, é cada vez menor o número de pessoas que assume não só os seus erros como as responsabilidades que lhes são inerentes, foi como se tivesse tido um vislumbre, uma revelação de algo que me intrigou durante tanto tempo e tivesse percebido, finalmente, o significado profundo da minha experiência no Colégio Maria Auxiliadora, na Namaacha, em Moçambique.
Aprendi, desde cedo, a assumir a responsabilidade dos meus actos independentemente da sua valoração!
O Jogo e a personalidade
É impressionante como, através de um simples jogo, nos é possível ficar a conhecer a personalidade e o carácter daqueles com quem jogamos!...
Salvo raras, honrosas e estimulantes excepcões, a desilusão torna-se uma constante.
Pertencendo a uma geração pré-internet sou do tempo em que, nos momentos de ócio, jogávamos cartas, o monopólio, o Cluedo e afins.
Com o tempo, as responsabilidades e preocupações relacionadas com a família e o trabalho, fiz um grande interregno nesse tipo de actividades lúdicas.
Agora que estou muito mais livre, com o computador, internet e a múltipla oferta de jogos que existe, recuperei o prazer de jogar e empenho-me nos jogos que seleccionei (apenas três!), da mesma forma que me empenho em qualquer uma outra actividade que seja do meu interesse.
Tomarei como exemplo e referência o Word Blitz, um jogo de construção de palavras a partir de letras dispostas aleatoriamente no campo de jogo.
Quantas mais palavras conseguirmos encontrar, mais pontos ganhamos.
É cronometrado e jogado contra amigos e adversários aleatórios.
Acontece que, lamentavelmente, o jogo está concebido para o Português do Brasil (como quase toda a produção em língua Portuguesa na internet!!!), o que nos deixa em desvantagem, pois eles têm toda uma panóplia de vocábulos que desconhecemos e ignoram muitos dos que fazem parte da língua mãe.
De qualquer maneira, atendendo à ausência de recursos na língua original, lá tenho vindo a fazer esforços e a procurar adaptar-me, depois de uma inicial fase de revolta e de sugestões não atendidas.
Voltando ao tema inicial, esta tem sido uma experiência interessante pois, para além de me ficar a conhecer melhor a mim própria, também me tem permitido conhecer os meus adversários, a sua forma de ser e de estar perante as diferentes situações de vitória e de derrota.
Como em todas as situações na vida, a experiência é um factor importante, mesmo fundamental, e é preciso persistir para se conseguir algo.
É através do permanente exercício de "tentativa e erro" que vamos aprendendo e melhorando as nossas performances, e que a inteligência nos livre de termos medo dos desafios.
Entre os jogadores, vamos encontrando de tudo, e muito embora não os conhecendo na vida real, vamos ficando a percepcionar, e a admirar ou desprezar, não só a forma como interagem como a sua postura no decurso do jogo e face às vitórias e/ou derrotas que vão sofrendo.
Existem aqueles (uma minoria!!!) cujo esforço, humildade e perseverança nos animam, incentivam, se tornam dignos do nosso respeito e consideração ao ponto de ficarmos com receio de os penalizar e de termos vontade de os conhecer e, quem sabe, abraçar, e depois há os outros, os arrogantes, cheios de si próprios, aqueles que não suportando uma derrota, não olham a meios para atingir os seus fins.
Entretanto, de entre estes últimos há os que, estando a perder sistematicamente, mal conseguem uma vitória se retiram de cena e da concorrência, e os que abusam da supremacia que têm no jogo e que, estrategicamente evitados, persistem em se impor com o objectivo de acumular pontos face à desvantagem dos seus oponentes.
O jogo é, assim, uma actividade que permite avaliar, não só as capacidades de cada um, em determinada área como, também, a sua forma de ser e estar na vida real, constituindo um terreno fértil de reprodução do perfil comportamental de cada um.
Com o que tenho vindo a constatar e se eu fosse empregadora, para além da avaliação das competências específicas, sentir-me-ia tentada a incluir, no processo final de selecção de candidatos, um desafio/jogo que envolvesse, simultaneamente, não só o factor competição como a estratégia/estratégias utilizadas na persecução dos objectivos a alcançar.
Hierarquia e respeito
Para além de não ter ficado nem me ter nunca sentido traumatizada, sinto-me eternamente agradecida pelo investimento feito em mim pelos meus pais, tanto em termos morais como materiais, atendendo ao conforto que sinto e de que gozo por me sentir bem na minha pele e saber ocupar o meu lugar seja onde for, com quem for e em que circunstâncias estiver.
Essa mesma estrutura hierarquizada, que se manifestava através da idade (respeito pelos mais velhos e pela sabedoria que era suposto estar-lhes associada), da posição social, profissional e por aí adiante, tinha por base o respeito e a consideração pelos diferentes tipos de pessoas com as quais convivíamos e pelos valores que lhes estavam associados enquanto agentes sociais.
O respeito, enquanto sentimento e bússola norteadora do comportamento em sociedade esteve, assim, na base da educação que me foi dada e que procurei, afincadamente e com sucesso, transmitir aos meus filhos.
Essa consideração pelo outro, pela sua postura individual, pela sua actividade e pelo que era subjacente aportasse à sociedade estava, esteve e continuo a acreditar deva continuar a estar na base de toda e qualquer relação social que se pretenda frutífera e harmoniosa.
Ilustr. Google
Força Anímica, recordando os anos da crise
... São as perspectivas individuais e parentais de futuro a curto e médio prazo que se apresentam cinzentas, é o panorama nacional e internacional, são os permanentes conflitos, a guerra, as catástrofes naturais e até o tempo (aqui, onde me encontro)… toda esta amálgama de situações e condições que teimam em convergir, ameaçando dar corpo a este monstro tão disforme como assustador que é o incógnito, a ausência de expectativas, de certezas ...
Perante isto, e quanto mais não seja em nome e por amor dos nossos filhos temos todos que encontrar, se preciso inventar, a coragem e força anímicas necessárias para dar continuidade e sentido a estas nossas tão frágeis existências...
Temos de reinventar essa tão ameaçada "esperança" que mais não é que o motor, esse sopro tão especial que, até prova em contrário, nos distingue de todos os outros seres vivos que nos rodeiam.
Uma Pandemia a nível global (Covid 19), uma conjuntura internacional dominada por 2 guerras tão prolongadas como sangrentas (Ucrânia e Médio Oriente) e um governo Português com maioria do PS, pejado de escândalos, más escolhas ministeriais, uma exagerada carga fiscal dirigida à classe média, opções políticas dúbias e de carácter meramente paliativo, incapaz de aproveitar a oportunidade, única, de realizar as mudanças estruturais necessárias ao crescimento de riqueza e consequente desenvolvimento sustentado e sustentável do país...
Os detalhes do meu contentamento
21 consejos para sobrevivir a la próxima crisis financiera
Charity Shops, uma solução ecológica e inteligente contra o Desperdício
Os períodos de crise económico-financeira têm vindo a suceder-se e este conceito acabou por ser implementado de Norte a Sul do país, inicialmente nas regiões onde existiam significativas comunidades de cidadãos britânicos.
O que, hoje em dia, me preocupa e entristece é pressentir a existência de uma hipotética desvirtuação do conceito que esteve subjacente à sua criação e implementação.
No reino da mediocridade
A propósito da árdua tarefa que é conseguir prosperar numa sociedade que menospreza a excelência e o esforço que é necessário para lá chegar, e premeia e incentiva a mediocridade, pelo simples facto de ser cómoda, porque acéfala, e de não fazer perigar as pessoas e interesses instalados.
Not my circus..., Not my monkeys
Este país decepciona-me
Homenagem à minha Mãe
Por ter prescindido da sua própria vida antes, ainda, do meu nascimento e, anos mais tarde, da sua própria independência, comodidade e bem-estar quando, com uma generosidade que ainda hoje me deixa surpreendida, me cedeu a sua própria viatura para que eu pudesse ir trabalhar para fora da minha zona de conforto.
E só agora, volvidos tantos anos e com conhecimento de causa, reconheço e dou o valor devido a todos e cada um dos gestos que, ao longo dos anos, me foram sendo dirigidos enquanto filha, objecto de atenção e cuidados sempre, mas mesmo sempre com muito respeito pela pessoa que eu era, em que acabei por me tornar e cujo testemunho gostaria de poder transmitir.
Obrigada, Mãe, por me ter ensinado a Amar e a respeitar como só uma Mãe o pode e sabe fazer!
Amor de Mãe
So gratifying, so touching to look at her, at her paths in life and suddenly discover how beautiful is her soul!...
Thanking God for such a gift!...







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