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Atitudes

«Naquela manhã chovia torrencialmente.
Era uma chuva forte, penetrante, que não convidava ninguém a sair.
Havia, entretanto, três pessoas, cada uma na sua respetiva casa, que se preparavam para enfrentar a intempérie.
O primeiro, usando um chapéu de palha, óculos de sol cor-de-rosa no nariz e vestindo umas simples bermudas floridas saiu, procurando convencer-se de que estava um tempo óptimo, cantarolando bem alto.
Alguns minutos mais tarde foi parado pela polícia que o levou para a prisão, onde acabou por morrer de congestionamento, no próprio dia.
Tinha-se recusado a enfrentar a realidade e acreditava que o simples facto de negar a existência da tempestade seria suficiente para a ultrapassar…
O segundo, por detrás da sua janela, pensou que não seria de modo algum razoável aventurar-se a sair com semelhante tempo e que seria preferível esperar pelo dia seguinte ou, mesmo, dois dias depois.
Mas a chuva não parava de cair, cada vez mais forte à medida que os dias iam passando.
Ao fim de algumas semanas, acabou por morrer de fome.
Olhando para a tempestade, acabou por se debruçar sobre si próprio e não reagir, sempre na esperança da chegada de uma hipotética acalmia do tempo.
Quanto ao terceiro, face à mesma situação de forte chuva, decidiu pôr-se a caminho, enquanto verificava a solidez do seu guarda-chuva e a resistência do seu impermeável.
Passou depois em revista os encontros que tinha agendado para o dia e abriu a porta.
No exterior, a tempestade rugia. Hesitou por instantes, recompôs-se e murmurou entre dentes: “Nunca vi semelhante temporal! É desumano! Não é seguramente hoje que os concorrentes vão congestionar o sector.”
Enchendo-se de coragem, lançou-se na tempestade convencido de que os verdadeiros navegadores só se distinguem entre si quando o mar está alteroso...
E, como seria de esperar, triunfou!»

Frédéric Chartier
Petit conte philosophique à l’usage des vendeurs que la crise inquiète...(2005)
Tradução e adaptação: Maria M. Abreu

Homenagem à minha Mãe


 Como eu agradeço à minha Mãe o facto de não só me ter ensinado a ser mãe, pelo seu exemplo, como a sentir como mãe, pelas suas constantes atitudes de abnegação e desapego.

Por ter prescindido da sua própria vida antes, ainda, do meu nascimento e, anos mais tarde, da sua própria independência, comodidade e bem-estar quando, com uma generosidade que ainda hoje me deixa surpreendida, me cedeu a sua própria viatura para que eu pudesse ir trabalhar para fora da minha zona de conforto.

E só agora, volvidos tantos anos e com conhecimento de causa, reconheço e dou o valor devido a todos e cada um dos gestos que, ao longo dos anos, me foram sendo dirigidos enquanto filha, objecto de atenção e cuidados sempre, mas mesmo sempre com muito respeito pela pessoa que eu era, em que acabei por me tornar e cujo testemunho gostaria de poder transmitir.

Obrigada, Mãe, por me ter ensinado a Amar e a respeitar como só uma Mãe o pode e sabe fazer!

Atendimento ao cliente: As estratégias dissuasoras da Meo

 
O atendimento ao cliente por parte da MEO costuma ser, regra geral, um verdadeiro pesadelo ao qual estamos condenados a sujeitar-nos só, mas mesmo só, em último recurso.

Atendendo aos preços praticados por esta empresa e à celeridade, que é seu timbre, em nos enviar as respetivas facturas com uma exagerada antecipação imaginar-se-ia que, no mínimo, nos tratassem com a consideração que merecemos, não só porque clientes mas, também, enquanto clientes de tão caros serviços.

Mas não, não é o que costuma acontecer e, contrariamente ao que nos pretendem fazer crer, a responsabilidade não poderá, de forma alguma, ser imputada aos funcionários de call center que, após as inúmeras e mal sucedidas tentativas de contacto e depois de longos tempos de espera, lá acabam por nos atender.

Esmeram-se como podem até porque, finalizada a conversa, estão dependentes de uma avaliação da nossa parte que, no mínimo, estará sujeita a uma enorme subjetividade, atendendo ao então acumulado desespero e mau humor dos clientes cuja insistência e perseverança a eles acabou por conduzir.

O atendimento telefónico personalizado passou hoje a ser o último reduto, a estar no fim da linha de um processo cada vez mais automatizado e impessoal para o qual o cliente é empurrado, independentemente da sua vontade e/ou preparação para dominar estes novos recursos e as falhas neles implícitas.

No mês passado estive, durante seis dias completamente isolada do mundo e da minha actividade profissional sem conseguir usufruir de qualquer um dos serviços do pacote a que aderi, nomeadamente a TV e a Internet.

Seis longos, intermináveis e impacientes dias cujo único mérito se traduziu no regresso e no abraçar, sempre muito gratificante de uma actividade, a leitura, que há algum tempo vinha desprezando, face à dispersão a que, se nos não acautelamos, tanto a televisão como a internet nos podem conduzir.

Ao menos os livros, os nossos livros, por nós escolhidos, lidos e relidos, alguns, os fieis companheiros de sempre estão lá, nas prateleiras, sempre presentes, sempre prontos a preencher as lacunas resultantes das falhas a que as altas tecnologias estão, de quando em vez, sujeitas.

Recebida a última e mais recente factura, foi com enorme espanto que constatei que o ressarcimento que me era devido não tinha sido contemplado na mesma!

Como calada não conseguiria ficar, lá tive eu de, novamente, me sujeitar aos tempos de espera e às sucessivas mensagens codificadas até que, finalmente, consegui resolver o último dos meus problemas relacionado com a situação desagradável porque passei nas semanas anteriores.

Estou mesmo convencida de que, não tivesse eu sido persistente nesta fase, o assunto teria passado despercebido, incólume e o meu prejuízo seria convenientemente votado ao esquecimento.

Ilustr. Google
Dezembro 31, 2021

Em contrapartida, há duas semanas atrás a minha filha, cliente da Vodafone, esteve sem acesso aos serviços contratados durante alguns dias, por razões técnicas explicadas e assumidas pela mesma.
Resolvidas com a rapidez que lhes foi possível (uma vez que a resolução do problema estava dependente da disponibilidade de outras entidades) tive conhecimento de que esta falha veio refletida na factura que recebeu há 2 ou 3 dias.

Atendimento prioritário, uso e abusos

Um pouco cansada e bastante revoltada com o uso e abuso, não só do processo utilizado por quem é suposto ter atendimento prioritário, como e essencialmente o do recurso às crianças, filhos, sobrinhos e outros que, inocentemente, servem de moeda de troca dos adultos que as utilizam e a elas recorrem, para passar à frente de tudo e de todos.
E o que é grave e pernicioso, porque acaba por permitir e validar a reprodução e continuidade destes comportamentos fraudulentos, é o silêncio cúmplice que vem acompanhando estes actos.
Todos se calam e ninguém levanta a voz para reclamar:
nem quem se sente lesado, desrespeitado e ultrapassado pelas evidentes fraudes cometidas, nem quem está do lado de lá do balcão de atendimento, que se remete ao silêncio e se refugia na letra de uma lei vaga e cujos limites desconhece.
Sou a primeira a ceder a minha vez quando vejo e sinto que alguém, seja ele ou ela, deficiente, grávida e mães/pais com bébés de colo, sem qualquer tipo de apoio, se encontra numa fila de espera e com dificuldades em aguardar pela sua vez;
mas repudio, profundamente, o uso e abuso que se faz, descarada e constantemente, de tal direito.

Vide Decreto-Lei nº58/2016
(Outubro, 28, 2918)