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Eduardo Galeano, Medo de viver


 
Eduardo Galeano (03.09.1940 - 13.04.2015)
Legendado em Português

Um verdadeiro "compêndio" de verdades inconvenientes que, não só se vão perpetuando no tempo (de uma confrangedora actualidade!), como têm vindo a assumir contornos de uma cada vez mais perversa e despudorada normalização.

A lei do menor esforço e a cidadania

 
Vivemos num tempo em que se privilegia a imagem em detrimento da palavra escrita, e quanto maior for o texto, menor é o interesse demonstrado.

A substância e o conteúdo, para além da natural curiosidade e interesse implicam, também, não só a capacidade de concentração como, sobretudo, de reflexão, análise e de um espírito crítico cada vez mais ausente e distante ...

Por isso se papagueia cada vez mais, se copia, se plagia e se toma e assume como nosso aquilo que, numa cultura com uma maior profundidade e, consequentemente, um maior respeito, saberíamos  não nos pertencer.

E esta leviandade, esta forma de ser/não ser e estar, que reconhece e sobrevaloriza os direitos, mas que ignora e despreza os deveres, é não só ofensiva para quem não comunga da mesma visão da vida,  como é muito perigosa em termos de equilíbrio, postura e responsabilidade sociais.

Estabelecida, assumida e banalizada a noção e reconhecimento dos direitos é, agora, urgente educar, insistir e implementar uma cultura de responsabilidades e deveres que abranjam, não só as dimensões individuais como colectivas da sociedade.

Só assim poderemos exercer a nossa cidadania com o alcance e plenitude que lhe são inerentes.

Ilustr. Adelans

Activismo e honestidade intelectual

Estou farta de pseudo-activistas que se limitam a desestabilizar e enfurecer as hostes, em nome de interesses mais ou menos obscuros.
De gente medíocre, acéfala, que se abstém de fazer o essencial - meter as mãos na massa - e em nada contribui para melhorar o que está mal, em nome de causas maiores, de objectivos e interesses comuns.
Farta de rebanhos e de gente que consente ser arrebanhada.
De gente que mais não faz senão olhar para o próprio umbigo, que não olha a meios para atingir os seus fins de curto prazo, e se não preocupa com as consequências colectivas dos seus actos individuais ou de grupo.
Farta de gente que reclama e não coloca sequer, em causa, a qualidade e eficácia do seu desempenho e, por arrasto, a dos serviços e prestações que oferecem.
(Novembro, 08, 2018)

E nada mudou, entretanto!...
O que não esperava é que, no decurso dos 2 últimos anos e depois de uma Pandemia, os comportamentos acima referidos tenham posto em causa o próprio Ensino Público, em Portugal, a ponto de fazer perigar, irremediavelmente, todo o processo de aprendizagem e aquisição de conhecimentos de mais de 1 milhão de crianças e jovens, sobretudo no ensino básico e secundário. (Greves dos Professores).
Não esperava, também, que milhares e milhares de concidadãos, residentes em grandes áreas urbanas -  sobretudo a metropolitana de Lisboa -  e totalmente dependentes de transportes públicos como os CF, tenham sofrido contínuas e sistemáticas interferências e sobressaltos, atentatórios do seu direito a organizar e orientar as suas vidas de acordo com os recursos e serviços existentes, previamente estudados e, na maior parte dos casos, antecipadamente pagos. (Greves dos maquinistas e afins)

Da inércia de quem nos rodeia


«O Mundo é um local muito perigoso para se viver - não por causa das pessoas que praticam o Mal, mas por causa das pessoas que permitem que ele aconteça.»

Ontem... todos sabiam ... e ninguém fez nada! ...

... das perseguições sistemáticas de que era alvo aquela mulher recentemente divorciada e os seus dois filhos ... do sufoco em que a sua existência se ia desenrolando e da confusão em que a sua vida se transformou a ponto de fazer perigar não só a sua sanidade mental como a dos seus filhos menores...

Hoje ... todos sabem ... e ninguém se mexe! ...

... da situação de abuso de poder e maus tratos psicológicos de que aquele homem é alvo ... da forma como se encontra sequestrado não só física como moral e intelectualmente e da debilidade de que vai, publicamente, dando indícios...

Sequestro "voluntário" dizem alguns ... sem que tenham em consideração os estragos provocados por uma depressão silenciosamente instalada e a perda de lucidez e auto-estima a que esta invariavelmente conduz ...

Passaram anos, mudou a sorte dos protagonistas mas permaneceu inalterável a forma como a sociedade reage e responde ao sofrimento presencial alheio.
(Jan.2013)

Atendimento prioritário, uso e abusos

Um pouco cansada e bastante revoltada com o uso e abuso, não só do processo utilizado por quem é suposto ter atendimento prioritário, como e essencialmente o do recurso às crianças, filhos, sobrinhos e outros que, inocentemente, servem de moeda de troca dos adultos que as utilizam e a elas recorrem, para passar à frente de tudo e de todos.
E o que é grave e pernicioso, porque acaba por permitir e validar a reprodução e continuidade destes comportamentos fraudulentos, é o silêncio cúmplice que vem acompanhando estes actos.
Todos se calam e ninguém levanta a voz para reclamar:
nem quem se sente lesado, desrespeitado e ultrapassado pelas evidentes fraudes cometidas, nem quem está do lado de lá do balcão de atendimento, que se remete ao silêncio e se refugia na letra de uma lei vaga e cujos limites desconhece.
Sou a primeira a ceder a minha vez quando vejo e sinto que alguém, seja ele ou ela, deficiente, grávida e mães/pais com bébés de colo, sem qualquer tipo de apoio, se encontra numa fila de espera e com dificuldades em aguardar pela sua vez;
mas repudio, profundamente, o uso e abuso que se faz, descarada e constantemente, de tal direito.

Vide Decreto-Lei nº58/2016
(Outubro, 28, 2918)