O problema do valor das rendas habitacionais na perspectiva do proprietário


Janelas indiscretas
 Ninguém ignora que, para implementar as suas políticas de bem-estar social o Estado necessita de fundos, mas não pode ser, exclusivamente, à custa da classe média!
 O Estado, ao procurar ser justo com os, eventualmente, mais desfavorecidos, acaba por ser terrivelmente injusto com a classe média utilizando-a como base de sustentação das suas políticas sociais.
 Ora vejamos:
-  no acto da aquisição de um imóvel, um proprietário paga os impostos devidos e solicitados, contemplados na legislação Portuguesa;
- a partir daí, e de acordo com as características do imóvel adquirido, passará a pagar o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), um imposto anual baseado no Valor Patrimonial Tributário (VPT) do imóvel em causa;

Arrendamento:

- Ao proceder de acordo pelo respeito pela lei, registando o arrendamento nas Finanças, o proprietário paga logo um Imposto de selo de 10% sobre o valor total da renda que vai auferir;
- Nos contratos inferiores a 2 anos a taxa base autónoma de IRS, sem qualquer benefício fiscal, é de 25%.

 Ora, no mercado legal (todos sabemos que existe um paralelo!...) os proprietários, por mais que compreendam a situação que se vive em Portugal, ao estipular um preço de renda, são obrigados a fazer contas, uma vez que não lhes cabe a eles o papel de se substituírem ao Estado.

IRS e valor das rendas
Traduzindo esta situação em valores numéricos e a título de exemplo passa-se o seguinte:
* Um proprietário que pretenda arrendar um apartamento por €650 (com a esperança de os receber na íntegra) sabe que, ao fazê-lo, terá de deduzir, mensalmente, o valor de €162,50 destinados ao Estado, passando a receber, apenas, €487,50.
* No caso de pretender arrendar por €800, fazendo a dedução de 25%, só receberá €600.
E assim sucessivamente!!!
 Entretanto:

Escalões de IRS por Duração do Contrato:
Menos de 2 anos: 25% (Taxa base, sem qualquer benefício fiscal)
Entre 2 e 5 anos: 15% (Uma redução imediata de 10 pontos percentuais)
Entre 5 e 10 anos: 10%
Entre 10 e 20 anos: 7,5%
Mais de 20 anos: 5% (O benefício fiscal máximo permitido por lei)

 Ora, num mundo globalizado, tão incerto e volátil como aquele em que coexistimos, condenados a viver o dia-a-dia sem grandes expectativas e totalmente dependentes do que se vai passando além fronteiras - desde a escassez de recursos energéticos, à crise dos combustíveis, às guerras na Europa e Médio Oriente, à consequente oscilação dos 
mercados globais, às crises  políticas regionais - sendo difícil fazer projectos a médio prazo, mais difícil será contemplarmos a hipótese de planear seja o que for, a longo prazo.

 Por esta e outras razões creio que, não só no contexto político, como socioeconómico e cultural actuais, será difícil encontrar proprietários que arrisquem fazer arrendamentos com prazos superiores ou iguais a dois anos.
 Estas medidas, acima citadas, estão completamente descontextualizadas da realidade actual e estou convencida de que quem nelas pensou e votou sabe disso.
 Em minha opinião, o Governo Português poderia facilmente resolver este problema reduzindo, substancialmente, a taxa de IRS a pagar pelo valor das rendas.
Com essa medida, poderia tentar resolver 2 problemas:
- incentivaria os proprietários a baixarem o valor das rendas, que seriam mais acessíveis e generosas para as partes envolvidas (senhorios e arrendatários);
- simultaneamente, seria um convite/estímulo para a regularização de muitas situações que  proliferam, por aí, no extenso e crescente mercado paralelo.
 É inadmissível ter de aceitar que os cidadãos cumpridores, no cumprimento da lei que rege este situação tenham de pagar, não só o que lhes é solicitado como, também, por todos os outros, os milhares que não cumprem.
 Quanto aos fundos perdidos pelo Estado terá que procurar outras fontes de rendimento, a começar pelos que poderão advir de uma política de contenção de gastos e de uma maior austeridade que deverá começar pelo próprio aparelho de Estado.
 Os países nórdicos são disso um grande exemplo!
 Não se compreende, por exemplo, que um vice-Presidente da AR, tão medíocre como pouco interventivo, goze do privilégio de ter carro e motorista à porta.
 E como esse, muitos mais!...
 É mesmo necessário reduzir as gorduras do Estado com medidas que poderão ser melindrosas mas não fazem qualquer sentido, nos dias que correm e com as dificuldades que sentimos.
 Num regime democrático, saudável e pujante, quem ocupa lugares de destaque no aparelho em causa, está lá ao serviço do povo e não de si próprio, dos sus interesses pessoais e do estatuto com que circunstancialmente  foi contemplado .
 Esse tipo de mentalidade, muito Portuguesa, quase do Terceiro Mundo, colide completamente com  a realidade actual, mais racional, mais pragmática, mais exigente e tendencialmente mais defensiva, no que diz respeito  à prevenção, cooperação e estratégias a definir tendo em vista os desafios e ameaças que sobre nós pendem.

Vale de Lama, Odiáxere


Vale da LamaVale da Lama

Praia de Vale da Lama
25.10.2026         

Concelho de Oeiras, Construção versus Reabilitação Urbana

 « De acordo com as estratégias habitacionais europeias e nacionais mais recentes, ”a reutilização e renovação do edificado existente são prioridades centrais para mitigar a crise habitacional sem recorrer exclusivamente à construção de raiz, promovendo a sustentabilidade urbana e a coesão social.” ».


Dr. Isaltino Morais - cartaz eleitoral
"Isaltino Morais considera que a crise da habitação é atualmente o problema social mais grave do País e defende que os municípios devem assumir um papel central na procura de soluções. O presidente da Câmara de Oeiras deixou mesmo um aviso sobre as consequências que a falta de casas a preços comportáveis poderá provocar no futuro."

Há alguns dias atrás fiz um comentário (o 1º) tipo "sugestão"/desabafo, num Reel (15 Outubro às 18:31) postado pelo Sr. Dr. Isaltino Morais, na sua página pessoal do FB.
No dia seguinte, depois de muitos outros comentários (mais de 200) e de uma paciente busca até aos primeiros, verifiquei que o meu post tinha sido discreta e convenientemente apagado.
Como tenho sempre acesso às minhas intervenções/comentários e porque acho que merecia uma resposta aqui vai, na íntegra, a cópia do comentário postado:

« Senhor Presidente
Costumo segui-lo com alguma curiosidade, entre outras razões porque, para além de obra feita, o senhor tem imprimido um dinamismo muito pouco habitual na autarquia à frente da qual se encontra, contrariamente ao que se passa na maioria das outras autarquias por todo o país.
Ouvi-o ontem, em entrevista, e acabei de o ouvir agora mesmo e lamento, profundamente, que o senhor centre a sua atenção e publicite, apenas, as construções novas que estão em execução, mas não refira nunca, outras alternativas, não só viáveis como muito interessantes, que não só precisam, como deveriam ser tomadas em consideração, atendendo à escassez de habitação (não só para famílias como para estudantes/residências universitárias) que afecta o país inteiro e, nomeadamente, o distrito de Lisboa e o concelho a que preside...
(...) Fala-lhe uma mãe que (desconhecendo a realidade!), quis resolver o doloroso problema habitacional da sua filha na zona de Algés, através da compra de um apartamento, aparentemente interessante mas  "mal renovado", a um preço que era comportável para as suas possibilidades.
Muito obrigada pela sua atenção. »
O que se segue, também postado, vai agora apresentado de uma outra forma, mais completo e de acordo com a mensagem que pretendo transmitir

Quinta do Cedro - Av. Ivens
- Bairro Clemente Vicente -

Antigo bairro operário localizado junto à marginal (Av. Ivens), uma zona nobre do concelho de Oeiras, junto à Quinta dos Cedros.
Integrado, em 2024, na Área de Reabilitação Urbana (ARU) sistemática do Dafundo — um plano com um prazo de execução de 15 anos, que identifica 14 operações urbanísticas na zona (26,39 hectares, dividida em zona baixa, encosta e alta).
“Através do recurso à IA, o bairro tem finalmente um instrumento legal-financeiro (a ARU) que pode desbloquear o impasse dos custos, mas não há prova pública clara de execução física das obras nos edifícios em si até à data mais recente...”

Ora, atendendo à sua localização estratégica - ( proximidade de instituições universitárias, centros de investigação de renome internacional, Instituto Espanhol ), com facílimo acesso à vasta quantidade  de praias que se seguem na linha e dotado de um bom serviço de transportes públicos (comboio, autocarros e eléctrico) e de toda uma panóplia de serviços e equipamentos sociais e desportivos (Jamor) - diz-me a intuição e o bom senso, desprovidos de qualquer tipo de interesses especulativos, que a reabilitação deste bairro seria uma aposta estratégica que a todos beneficiaria contribuindo, também, para a alteração gradual do tecido social existente.

Marginal - Av. Ivens

A título de conclusão, exemplifico com uma realidade que conheço, em Londres, junto a Tower Bridge tendo em consideração os diferentes contextos e realidades.
Existem, no entanto, três factores comuns: a sua proximidade do rio, as actividades económicas que estiveram na sua génese e o nível de degradação que esteve na origem do projecto de reabilitação,em Londres (apartamentos luxuosos) e aquele em que se encontra o Bairro Clemente Vicente, no concelho de Oeiras.


Shad Thames
Fontes: Google e IA
Ilustr. Maria M. Abreu

Destruição de Bot Farms: Trump acusa Zelensky de interferir com próximas eleições

Trump(ices), os factos em imagens XV - Destruição de "Bot Farms" Russas

Bot farm russa destruída pela Ucrânia
Canadians against all things Trump FB

Trump acusa Zelensky de interferir com próximas eleições
John Hart FB

O que é um bot de redes sociais? | Definição de bot de redes sociais

« Os bots maliciosos de redes sociais podem ser usados para uma série de fins:

*Ampliar artificialmente a popularidade de uma pessoa ou de um movimento: uma pessoa ou organização com milhões de seguidores nas redes sociais pode ser vista como importante ou influente. Um caso de uso primário de bots de redes sociais é aumentar a popularidade aparente de outras contas. Esses bots seguidores podem ser comprados e vendidos no mercado negro, com bots mais convincentes alcançando um preço mais alto.
*Influenciar eleições: um estudo da First Monday, um jornal revisado por pares, descobriu que no dia anterior à eleição presidencial dos EUA em 2016, até 20% da discussão política nas redes sociais foi gerada por cerca de 400 mil bots de redes sociais...»

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