Conferência Imprensa MAI, A questão que se impunha


 
"Dar pérolas a porcos"
'«É mais uma expressão com origem bíblica. No Evangelho segundo S. Mateus, cap. 7, no Sermão da Montanha, Cristo disse: "Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis pérolas a porcos, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem."»

 Na minha condição de cidadã comum, fiquei satisfeita e mais esclarecida depois das explicações dadas pelo Sr. Ministro do MAI relacionadas com as situações mais melindrosas de que tanto se tem falado no decurso das últimas semanas, sobre alguns procedimentos menos ortodoxos, enquanto director da Polícia Judiciária.

Inconcebível para mim, foi o facto de não ocorrer a nenhum "jornalista" perguntar, não só aos dirigentes dos partidos, como aos comentadores em serviço, uma questão simplicíssima e que poderia ter sido altamente clarificadora, tanto em termos de análise de carácter como de expectativas de desempenho de funções de chefia:

perante o relato, feito na 1º pessoa, das dificuldades crónicas e recorrentes sentidas na PJ, para o cabal desempenho das suas funções - cuja situação específica exigia respostas rápidas, cirúrgicas, que contemplassem, entre outras, não só as limitações orçamentais disponíveis como uma ineficiente e morosa burocracia - o que teria feito, como teria agido cada um dos que, para além de continuar a criticar, o faziam condenando.
Esse, sim, teria sido um serviço público, digno desse nome, prestado às audiências, constituídas por potenciais eleitores.

Nelson Mandela, as desvantagens do continente africano


«...Eu nasci na zona oriental do Cabo, uma região da África do Sul muito semelhante àquela que vos é tão bem descrita por Thomas Hardy.
Era um mundo de tradição oral, em que os cuidados terapêuticos eram à base de ervas, um abcesso era tratado com cataplasmas e não havia água potável.
Predominavam as gastroenterites, a malária e a cólera.
A vida era curta e ameaçadora.
A electricidade e carruagens sem cavalos não existiam, para mim.
A dureza e pobreza da existência era agravada por uma estrutura social caracterizada pela indiferença.
Era suposto as Colónias serem exploradas, tanto pela Nação colonizadora como por todos aqueles que chegaram para se instalar na nossa região.
Ainda fresco nas memórias da velha geração dos mais pobres dos pobres e falado num tom sussurrante, o que era dito ser um negócio extremamente lucrativo, que se dizia ter sido abolido - era o negócio da escravatura.
Passei toda a minha juventude e idade adulta, juntamente com outros, a lutar contra um sistema tão injusto como opressivo.
Hoje em dia, muitos leaders Africanos contariam, exactamente, o mesmo.
E quando vocês avaliam as realizações e insucessos em África, deverão ter sempre em consideração este contexto.
Um dos maiores erros cometidos por vários comentadores políticos da actualidade é julgar-nos pelos mesmos parâmetros com que julgam os políticos dos velhos e desenvolvidos países industrializados esquecendo-se de que, durante mais de três séculos foram negados, ao nosso povo, os privilégios que vocês tinham como garantidos.
Vocês foram para as melhores escolas do país - bem equipadas, com professores altamente qualificados; salas de aulas devidamente equipadas, com todos os recursos de aprendizagem; onde a Língua falada na escola era idêntica à que era praticada em casa; com pais com um elevado nível educacional, capazes de ajudar os seus filhos a compreender conceitos sofisticados para a sua tenra idade.
Mas se considerarem a situação dos negros, em África, deparam-se com uma realidade bem diferente.
Crianças que vão para a escola sem qualquer tipo de recursos de aprendizagem.
Ensinados numa Língua que não é a deles por professores, frequentemente, pouco qualificados.
As crianças regressam da escola para junto de pais que, normalmente, não têm qualquer tipo de background educacional.
Crianças pobres que comem papas de aveia ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar, sendo incapazes de se concentrar.
Grandes famílias com pouco espaço para se moverem.
Uma criança que partilha um quarto com três ou quatro outras pessoas.
Sem mesa e sem cadeiras.
Que faz o seu trabalho de casa, no chão.
São estas, as pessoas que vivem actualmente em África e tenho a esperança de que, ao fazerem as vossas avaliações, tenham em consideração este contexto.
As pessoas que, hoje, governam em África, são pessoas que nunca tiveram a oportunidade de treinar a arte da governação, ao contrário de muitos de vós.
E não tenho dúvidas de que terão isto em mente, ao examinarem toda a situação em África...»

Nelson Mandela, "Africa and its Position in the World Today"
LSE, Abril/2000
Trad. e adaptação
Maria M. Abreu

Ilustr. Google

Daniel’s Story, A Boy’s Life During the Holocaust

 «Esta é a história das experiências de uma família durante o Holocausto, contada na perspectiva de Daniel, um rapaz fictício que cresce na Alemanha nazi.
 A personagem de Daniel representa as experiências reais de milhões de crianças judias durante o Holocausto.
 A história é baseada na exposição do Museu "Lembra-te das Crianças: A História de Daniel".»*
*United States Holocaust Memorial Museum

Eduardo Galeano, Medo de viver


 
Eduardo Galeano (03.09.1940 - 13.04.2015)
Legendado em Português

Um verdadeiro "compêndio" de verdades inconvenientes que, não só se vão perpetuando no tempo (de uma confrangedora actualidade!), como têm vindo a assumir contornos de uma cada vez mais perversa e despudorada normalização.