Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra. Mostrar todas as mensagens

O massacre de Gaza e as crianças


Free Press Kashmir (photo source)

Enquanto estava a rever as notícias e imagens que me têm marcado ao longo destes últimos meses, deparei com esta, que guardei pelo valor simbólico que lhe atribuí.
Gaza (todas as "Gazas") é, são e serão uma vergonha para qualquer sociedade que se crê civilizada, uma mágoa e uma revolta para todos e qualquer um de nós que aspiramos a um mundo mais justo e mais solidário ... 
Gaza é a prova, provada, do enorme fosso existente entre as conquistas alcançadas pela Humanidade, em termos de evolução tecnológica e a sua estacionária evolução espiritual (em termos de apuramento/aperfeiçoamento da consciência social).
Olhava para o ecrã, seguia as notícias, via o sofrimento espelhado nos rostos e corpos mutilados e esfomeados dos civis e fixava-me nas crianças, com um enorme sentimento de revolta e uma tão avassaladora como frustrante sensação de incapacidade... 
Genocídios perpetrados em pleno séc. XXI, por povos que deles foram vítimas há algumas dezenas de anos atrás (79) são actos que, para além de serem difíceis de conceber, é impossível sejam aceites e compreendidos, independentemente das justificações e  argumentos apresentados.
Incomodava-me e continua a incomodar-me este atentado à minha frágil "tranquilidade" ...

A Soldier's Silent Night

 

A Soldier's Silent Night was written by U.S. Marine Lance Corporal James M. Schmidt in 1987 under the title "Merry Christmas, My Friend."  It was later retitled "A Soldier's Silent Night."
The audio recording of this adapted version was recorded by Father Ted Berndt and his daughter Ellen Stout. Father Berndt was a priest at Bread of Life Charismatic Episcopal Church in Dousman, Wisconsin, a proud Marine, and a WWII Purple Heart recipient.
Father Berndt passed away March 19th, 2004 after being diagnosed with pancreatic cancer. 
According to his daughter, "All he ever wanted to do was touch lives...to make a difference. We are blessed to share "A Soldier's Silent Night" again with you this Christmas."

Nestes últimos anos e com o alastrar dos conflitos (Ucrânia e, agora, Médio Oriente) é com desconforto (mesmo vergonha!) e alguma amargura que celebro esta que é, para mim, a festa da Família, por excelência. 
Tento convencer-me, a mim própria de que, ao fazê-lo, estou a celebrar os valores a ela associados e a importância que tem enquanto elemento estruturante de qualquer sociedade. 

O perigo das mensagens subliminares

 
Atingindo níveis de sofisticação nunca antes experimentados, vivemos à mercê de um constante bombardear de "informações"/sugestões cientificamente estudadas e dirigidas a uma dimensão do ser humano altamente receptiva, facilmente sugestionável e de difícil controle: o subconsciente.
Desavisado, porque ignorado, é um terreno fértil, o terreno ideal para a implantação de ideias, sugestões e, sobretudo, comportamentos. 
E o que incomoda, mesmo, é a utilização consciente, abusiva e manipuladora destes recursos que, com objectivos muito específicos, são dirigidos a maiorias incautas e sem capacidade de defesa.

Aterradora, é esta nova forma de "colonização" ... a da MENTE!...

Alienar, alienar, alienar ...

 
Com o privilégio e a inevitável dor que lhe é associada, de ter tido uma formação orientada para a desconstrução do que nos é apresentado, nas diferentes "plataformas" da vida, considero ter uma certa imunidade a qualquer tipo de tentativas de manipulação de massas, venham elas de onde vierem, desde o sector político ao informático e mediático que acaba por ser um prolongamento de uma qualquer estratégia de dimensão política.

Tenho simultâneamente um horror, há muito interiorizado, à politica do "come e cala", tão dominante como assustadoramente imperceptível na sociedade em que vivemos.

Gostaria, entretanto, de conseguir o mesmo tipo de imunidade no que diz respeito às inúmeras e todas elas horrendas notícias sobre o estado das nações e do planeta, em geral, que invadem os nossos noticiários diários mas, infelizmente, não consigo ...

Pensar doi, reflectir mexe connosco, perturba-nos, obriga-nos a sair daquela confortável letargia em que nos vamos refugiando, de forma mais ou menos consciente.

Fico perturbada, irritada, nervosa, se não mesmo doente.

Não compreendo como se gastam milhões em missões para Marte, o planeta, e em projectos turísticos espaciais, quando habitamos um outro, a Terra, tão carente de atenção, tão desigual, tão cheio de contradições aceitando, com displicência, que milhões de seres como nós passem fome e sede e todo o tipo de privações só porque nasceram no lado errado do mundo, ou das sociedades ...

Como se condena veementemente o aborto (em nome do sacrossanto 5º Mandamento - "Não Matarás"... um ser em embrião, por mais embrionário que seja!) e se contemporiza e aceita todo o tipo de sofrimento e abusos que atingem as crianças que já nasceram e aqui estão à mercê de algumas das mais terríficas e inimagináveis aberrações ...

Como estruturadas organizações milenares e com supostas responsabilidades sociais e culturais como, por exemplo, a igreja católica, sob o argumento da protecção à Infância e respectiva formação em termos de valores morais, cristãos atenta, ela própria, contra os mesmos valores criando condições e ocultando as atrocidades e o permanente abuso de poder que a religião lhes tem conferido, acabando por  destruir corpos, almas e vidas ...

Como, em nome da auto-determinação dos povos e das nações, se permitem sistemáticas violações dos mais elementares direitos humanos ...

Como se fomentam e alimentam guerras em nome dos interesses económicos e estratégicos de uma minoria que aspira e tem vindo a conseguir dominar o mundo ...

E é isto e muito mais, desde as medidas, orientações, factos e fait divers da quase comezinha política nacional que a todos afecta, favorecendo uns quantos em detrimento de outros e a todos medindo pela mesma bitola - a da mediocridade -, ao sentimento de impotência e incapacidade de nos fazermos ouvir e de podermos mudar seja o que for, tanto em termos nacionais como internacionais ..., globais, que nos levam a fazer escolhas e a tomar opções drásticas em defesa de algo que, desvalorizado ao longo dos tempos começa a ser objecto de atenção e a adquirir a relevância que lhe é devida: a defesa e preservação da sanidade mental possível ...

Nem que para isso seja necessário alienar, alienar, alienar ...
Outubro, 13, 2021
Ilustr. FB

Entretanto, tudo piorou!
Vivemos num mundo conturbado, dominado por gravíssimos conflitos armados em que o derramamento de sangue é uma constante e milhares foram os que já morreram, vítimas inocentes de ambições desmedidas e de ferozes e descontrolados desejos de retaliação de uns quantos ...
Em alta estão o fabrico de armamentos e, cá e lá, por esse mundo fora, onde a paz ainda é uma "constante", os consultórios e gabinetes de psiquiatras e psicólogos não têm mãos a medir ...
Irónicamente, não são os directamente afectados, as verdadeiras vítimas, quem a eles recorre!...
Enfim, coexistimos num mundo às avessas, in a topsy-turvy world, como diriam aqueles que se expressam em Inglês.

Pawel Kuczynski - As dores da Ucrânia

Pawel Kuczinski (Polish artist)
Página Ucraniana/FB

Relegada para 2º plano, em termos mediáticos, após o ataque do Hamas a Israel (07.10.2023), esta tem sido e continua a ser uma guerra sangrenta, provocada pela invasão da Ucrânia por parte da Rússia a 24.02.2022, com consequências também elas devastadoras para o povo Ucraniano.
Sem fim à vista, tem de continuar a merecer toda a nossa atenção, não só pelo facto de ser um conflito armado prolongado no tempo mas, sobretudo, atendendo às características tão oportunistas quanto maléficas e de um repugnante cinismo do invasor e inimigo em questão: Vladimir Putin.

Esforços de Guerra X: Combate ao desperdício

As ilações que podemos tirar e, sobretudo, as lições que devemos aprender...

Apelo à compra, confecção e consumo alimentar racionais

1. compre com um propósito 
2. cozinhe com cuidado
3. consuma menos trigo e carne
4. compre produtos locais
5. sirva apenas o suficiente
6. guarde as sobras

NÃO AS DESPERDICE!!!

Pourquoi les guerres

 

« Ce chant est dédié aux victimes des guerres et des attentats dans le monde ainsi qu´à leurs familles, quels que soient leur pays, leurs origines ou leurs religions.
Ce chant est un message d´amour, de paix et de liberté addressé au monde.»

Ao sr. Putin, actual Presidente da Federação Russa

 

Ilustr.: Street Art at Peace Square, Lyon, France/FB

Ao sr. Putin, actual Presidente da Federação Russa

Nem sequer consigo começar esta missiva com o tão habitual, como formal, "Caro"...

Porque o senhor, para mim, representa exactamente tudo aquilo que se opõe a qualquer sentimento de cordialidade. 

Ouço e olho para o que se está a passar na Ucrânia, em busca de uma explicação plausível, algo lógica, à luz da suposta aquisição de um conjunto de conhecimentos milenares acumulados pela humanidade e da evolução do pensamento do séc. XXI, e confesso não conseguir encontrar e, muito menos compreender, a avalanche demolidora de que o senhor é o mentor ao se permitir invadir, no ano de 2022, um país soberano como é a Ucrânia.

... Ainda se o senhor, à semelhança do seu homólogo Ucraniano, estivesse ao lado dos seus soldados, dando o exemplo e o seu corpo ao manifesto, lutando ombro a ombro com os mesmos e defendendo os seus pensamentos delirantes, eu poderia, num derradeiro esforço, tentar compreender, no mínimo, o reconhecimento da sua coerência e de que o senhor seria o primeiro a sacrificar-se em defesa das suas causas ...

Mas não ... o senhor começa por abusar do seu exército, dos homens e mulheres oriundos do seu país, do seu povo, usando-os  como carne para canhão sem qualquer complacência por eles próprios, as suas vidas, as suas famílias, os seus sonhos ...

O senhor é, actualmente, o símbolo das Maldade e Crueldade humanas, do que de pior o ser humano é capaz sempre, mas sempre resguardado, pela inerente Cobardia que caracteriza todos os homens e mulheres desprovidos de carácter e de sentimentos compassivos.

Do luxuoso e "fortificado" isolamento do seu bunker, cobardemente escondido e protegido à custa do seu Povo e da Pátria que pretende amar, em nome de uma megalomania que só pode ser resultante e manifestação de uma ou várias patologias, o senhor tudo faz para esquecer, negando, a sua condição mortal, aquela à qual não poderá fugir, independentemente das equipas técnicas de que se rodeia, de novo e sempre à custa do Povo em nome do qual fala.

Uma megalomania patológica, com consequências tão criminosas como devastadoras, e sem cabimento na era em que vivemos e com os problemas globais com os quais nos debatemos, enquanto Humanidade.

Para cúmulo, sei que o senhor é uma pessoa com formação académica superior que tem, inclusivamente, um doutoramento e, perante essa realidade e as provas que deu de ser uma pessoa inteligente, mais incompreensíveis, mesmo dignas de espanto, são essas suas retrógradas convicções, características de um obscurantismo que muitos de nós pensávamos não ser mais possível nos tempos que correm vindas, sobretudo, da parte de pessoas que integram o mundo académico.

Em jeito de conclusão, perante a estupefacção que domina a minha mente e os meus sentimentos, sei que o senhor é, pelo menos, pai de 2 filhas e que também já é avô e dou comigo a perguntar a mim própria o que sentirão as mesmas e toda a sua família, perante as barbaridades que o senhor está a mandar cometer à Ucrânia e ao louvável Povo Ucraniano. 

No meu país há um provérbio que diz que "quem a ferros mata, a ferros morre" e, infelizmente para si, não merece qualquer outro destino que não seja esse, o de conhecer um pouco do inferno de que o senhor se tornou autor.

Triste lado da História esse que o senhor escolheu para se notabilizar!!!
(Abril 03, 2022)

Ao ler este post, com o prolongar da barbárie, o agudizar da situação, algumas leituras relacionadas com a filosofia e estratégias utilizadas na era soviética e o percurso da personagem em questão, apercebi-me não só da minha tremenda ingenuidade (essencialmente fruto da ignorância) como do abismo existente entre a minha cultura ocidental - cujos valores e tradição democrática são e têm sido inquestionáveis - e a cultura soviética (União Soviética), belicista por natureza, atendendo ao seu pendor ditatorial e imperialista.
De entre as várias leituras feitas e testemunhos ouvidos registo este artigo de opinião da jornalista Americana Anne Applebaum na revista The Atlantic, em Junho de 2022:


Einstein, mundo perigoso

 

"The world is a dangerous place, not because of those who do evil, but because of those who look on and do nothing."

Image source:
Bridgeman Images

No decurso destes últimos dias tenho-me lembrado, com muita frequência, desta citação de Albert Einstein.

Com a televisão ligada a maior parte do tempo, é com uma grande angústia e uma enorme revolta que vamos ouvindo e  assistindo às constantes notícias, reportagens e cenários de dor e de destruição causados por uma guerra completamente estéril, bárbara e totalmente irracional num mundo que, também ele, parece aceitar, pactuar e embarcar na mesma irracionalidade.

Doi-me a alma, e o coração e o pensamento sempre que vejo e ouço o Presidente Volodymyr Zelensky, um exemplo de uma heroicidade que eu pensava não existir mais, de amor à sua Pátria e aos valores a que a mesma aspira, suplicar a ajuda e intervenção das potências e países de cujo apoio tem estado dependente.

Os mesmos países e potências que, muito embora respaldando-o, se permitem seleccionar o tipo de ajuda e apoio que prestam enquanto, simultâneamente, vão assistindo, não serenos mas impávidos, a um rasto de destruição e ao prolongar de um sofrimento que aumentam de dia para dia na sequência dos consecutivos e inqualificáveis ataques contra um país - a Ucrânia - cidades e populações que se sentem e estão, de facto, exclusivamente entregues a si próprias, nos diferentes cenários internos de guerra.

Um povo e uma Nação que tem mostrado ao mundo inteiro ser de uma coragem e resiliência exemplares (mesmo notáveis!) e que tem estado a ser vítima de gravíssimas violações do Direito Internacional, de uma sistemática amálgama de irregularidades e atentados aos mais básicos Direitos, não só humanos como civilizacionais ...

Glória à Ucrânia e ao povo Ucraniano!

Março 05, 2022

Leonard Cohen, The Partisan

 

When they poured across the border
I was cautioned to surrender
This I could not do
I took my gun and vanished.

I have changed my name so often
I've lost my wife and children
But I have many friends
And some of them are with me

An old woman gave us shelter
Kept us hidden in the garret
Then the soldiers came
She died without a whisper

There were three of us this morning
I'm the only one this evening
But I must go on
The frontiers are my prison

Oh, the wind, the wind is blowing
Through the graves the wind is blowing
Freedom soon will come
Then we'll come from the shadows

Les Allemands étaient chez moi
Ils me dirent, "résigne toi"
Mais je n'ai pas peur
J'ai repris mon âme

J'ai changé cent fois de nom
J'ai perdu femme et enfants
Mais j'ai tant d'amis
J'ai la France entière

Un vieil homme dans un grenier
Pour la nuit nous a caché
Les Allemands l'ont pris
Il est mort sans surprise

Oh, the wind, the wind is blowing
Through the graves the wind is blowing
Freedom soon will come
Then we'll come from the shadows

Crimes de guerra: permitir agora, para julgar depois


Getty image
Rússia invade Ucrânia e atira Mundo para nova Guerra Fria
JN

Permitir agora, para julgar e castigar depois!

É esta a lógica dos "senhores" do planeta em relação ao que se está a passar na Ucrânia.
Entretanto assiste-se ao destruir de uma Nação e à chacina de um povo sob o argumento de que mais sangue se verteria se houvesse um outro tipo de intervenção, se se fizesse aquilo que seria de esperar fosse feito, nada mais nada menos, do que tudo fazer para "cortar o Mal pela raiz".
Com a consciência e lucidez suficientes para reconhecer o valor (ou a falta dele) das opiniões que expresso - não sou ninguém, apenas gente, mas gente que reflecte - penso em mim, no meu país ou em qualquer outro e apercebo-me de que, se estivéssemos numa situação semelhante à da Ucrânia, sujeitos a uma qualquer invasão por parte de uma qualquer entidade insana estaríamos, tal como os Ucranianos, completamente sós, entregues a nós próprios e às nossas contingências, sem apelo nem agravo, apesar de uma eventual condenação mediática global por parte de aliados e simpatizantes...
Seríamos eliminados, aniquilados, reduzidos a cinzas e, posteriormente, lamentada a situação que nos coube enfrentar!...

Guerra nossa, sangue nosso.

Preocupados em investigar e documentar eventuais crimes de guerra, ninguém contempla a hipótese de por um termo a esse massacre, a esse constante acumular de horrores com que diariamente somos bombardeados através dos diferentes meios de comunicação social.
Entretanto, e como é já é habito em períodos de grande sofrimento e enorme instabilidade, há sempre quem ganhe com estas situações e os comentadores/especialistas vieram para se instalar.

A mim, que "fervo em pouca água" e sempre procuro abreviar situações problemáticas parece-me cínico, mesmo obsceno, não só permitir como assistir ao prolongar de uma guerra que de dia para dia vai ceifando mais vidas, destruindo, traumatizando e desestruturando mais famílias, criando mais orfãos e devastando mais território. 

Enquanto os critérios de intervenção se basearem, apenas e só, em apoios técnicos, morais e materiais não poderemos contar, nunca, com aquela que aparenta ser (aos olhos de um leigo!...) a mais eficaz e rápida das soluções: uma intervenção directa por parte das forças aliadas de algumas das mais poderosas potências mundiais.

(Abril, 17, 2022)

E a guerra prolonga-se sem parecer ter fim à vista!...