Genocídios perpetrados em pleno séc. XXI, por povos que deles foram vítimas há algumas dezenas de anos atrás (79) são actos que, para além de serem difíceis de conceber, é impossível sejam aceites e compreendidos, independentemente das justificações e argumentos apresentados.
"A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista." Jean Vercors
O massacre de Gaza e as crianças
Genocídios perpetrados em pleno séc. XXI, por povos que deles foram vítimas há algumas dezenas de anos atrás (79) são actos que, para além de serem difíceis de conceber, é impossível sejam aceites e compreendidos, independentemente das justificações e argumentos apresentados.
A Soldier's Silent Night
O perigo das mensagens subliminares
Alienar, alienar, alienar ...
Tenho simultâneamente um horror, há muito interiorizado, à politica do "come e cala", tão dominante como assustadoramente imperceptível na sociedade em que vivemos.
Gostaria, entretanto, de conseguir o mesmo tipo de imunidade no que diz respeito às inúmeras e todas elas horrendas notícias sobre o estado das nações e do planeta, em geral, que invadem os nossos noticiários diários mas, infelizmente, não consigo ...
Pensar doi, reflectir mexe connosco, perturba-nos, obriga-nos a sair daquela confortável letargia em que nos vamos refugiando, de forma mais ou menos consciente.
Fico perturbada, irritada, nervosa, se não mesmo doente.
Não compreendo como se gastam milhões em missões para Marte, o planeta, e em projectos turísticos espaciais, quando habitamos um outro, a Terra, tão carente de atenção, tão desigual, tão cheio de contradições aceitando, com displicência, que milhões de seres como nós passem fome e sede e todo o tipo de privações só porque nasceram no lado errado do mundo, ou das sociedades ...
Como se condena veementemente o aborto (em nome do sacrossanto 5º Mandamento - "Não Matarás"... um ser em embrião, por mais embrionário que seja!) e se contemporiza e aceita todo o tipo de sofrimento e abusos que atingem as crianças que já nasceram e aqui estão à mercê de algumas das mais terríficas e inimagináveis aberrações ...
Como estruturadas organizações milenares e com supostas responsabilidades sociais e culturais como, por exemplo, a igreja católica, sob o argumento da protecção à Infância e respectiva formação em termos de valores morais, cristãos atenta, ela própria, contra os mesmos valores criando condições e ocultando as atrocidades e o permanente abuso de poder que a religião lhes tem conferido, acabando por destruir corpos, almas e vidas ...
Como, em nome da auto-determinação dos povos e das nações, se permitem sistemáticas violações dos mais elementares direitos humanos ...
Como se fomentam e alimentam guerras em nome dos interesses económicos e estratégicos de uma minoria que aspira e tem vindo a conseguir dominar o mundo ...
E é isto e muito mais, desde as medidas, orientações, factos e fait divers da quase comezinha política nacional que a todos afecta, favorecendo uns quantos em detrimento de outros e a todos medindo pela mesma bitola - a da mediocridade -, ao sentimento de impotência e incapacidade de nos fazermos ouvir e de podermos mudar seja o que for, tanto em termos nacionais como internacionais ..., globais, que nos levam a fazer escolhas e a tomar opções drásticas em defesa de algo que, desvalorizado ao longo dos tempos começa a ser objecto de atenção e a adquirir a relevância que lhe é devida: a defesa e preservação da sanidade mental possível ...
Vivemos num mundo conturbado, dominado por gravíssimos conflitos armados em que o derramamento de sangue é uma constante e milhares foram os que já morreram, vítimas inocentes de ambições desmedidas e de ferozes e descontrolados desejos de retaliação de uns quantos ...
Em alta estão o fabrico de armamentos e, cá e lá, por esse mundo fora, onde a paz ainda é uma "constante", os consultórios e gabinetes de psiquiatras e psicólogos não têm mãos a medir ...
Irónicamente, não são os directamente afectados, as verdadeiras vítimas, quem a eles recorre!...
Enfim, coexistimos num mundo às avessas, in a topsy-turvy world, como diriam aqueles que se expressam em Inglês.
Pawel Kuczynski - As dores da Ucrânia
Sem fim à vista, tem de continuar a merecer toda a nossa atenção, não só pelo facto de ser um conflito armado prolongado no tempo mas, sobretudo, atendendo às características tão oportunistas quanto maléficas e de um repugnante cinismo do invasor e inimigo em questão: Vladimir Putin.
Esforços de Guerra X: Combate ao desperdício
Pourquoi les guerres
Ce chant est un message d´amour, de paix et de liberté addressé au monde.»
Ao sr. Putin, actual Presidente da Federação Russa
Ao sr. Putin, actual Presidente da Federação Russa
Nem sequer consigo começar esta missiva com o tão habitual, como formal, "Caro"...
Porque o senhor, para mim, representa exactamente tudo aquilo que se opõe a qualquer sentimento de cordialidade.
Ouço e olho para o que se está a passar na Ucrânia, em busca de uma explicação plausível, algo lógica, à luz da suposta aquisição de um conjunto de conhecimentos milenares acumulados pela humanidade e da evolução do pensamento do séc. XXI, e confesso não conseguir encontrar e, muito menos compreender, a avalanche demolidora de que o senhor é o mentor ao se permitir invadir, no ano de 2022, um país soberano como é a Ucrânia.
... Ainda se o senhor, à semelhança do seu homólogo Ucraniano, estivesse ao lado dos seus soldados, dando o exemplo e o seu corpo ao manifesto, lutando ombro a ombro com os mesmos e defendendo os seus pensamentos delirantes, eu poderia, num derradeiro esforço, tentar compreender, no mínimo, o reconhecimento da sua coerência e de que o senhor seria o primeiro a sacrificar-se em defesa das suas causas ...
Mas não ... o senhor começa por abusar do seu exército, dos homens e mulheres oriundos do seu país, do seu povo, usando-os como carne para canhão sem qualquer complacência por eles próprios, as suas vidas, as suas famílias, os seus sonhos ...
O senhor é, actualmente, o símbolo das Maldade e Crueldade humanas, do que de pior o ser humano é capaz sempre, mas sempre resguardado, pela inerente Cobardia que caracteriza todos os homens e mulheres desprovidos de carácter e de sentimentos compassivos.
Do luxuoso e "fortificado" isolamento do seu bunker, cobardemente escondido e protegido à custa do seu Povo e da Pátria que pretende amar, em nome de uma megalomania que só pode ser resultante e manifestação de uma ou várias patologias, o senhor tudo faz para esquecer, negando, a sua condição mortal, aquela à qual não poderá fugir, independentemente das equipas técnicas de que se rodeia, de novo e sempre à custa do Povo em nome do qual fala.
Uma megalomania patológica, com consequências tão criminosas como devastadoras, e sem cabimento na era em que vivemos e com os problemas globais com os quais nos debatemos, enquanto Humanidade.
Para cúmulo, sei que o senhor é uma pessoa com formação académica superior que tem, inclusivamente, um doutoramento e, perante essa realidade e as provas que deu de ser uma pessoa inteligente, mais incompreensíveis, mesmo dignas de espanto, são essas suas retrógradas convicções, características de um obscurantismo que muitos de nós pensávamos não ser mais possível nos tempos que correm vindas, sobretudo, da parte de pessoas que integram o mundo académico.
Em jeito de conclusão, perante a estupefacção que domina a minha mente e os meus sentimentos, sei que o senhor é, pelo menos, pai de 2 filhas e que também já é avô e dou comigo a perguntar a mim própria o que sentirão as mesmas e toda a sua família, perante as barbaridades que o senhor está a mandar cometer à Ucrânia e ao louvável Povo Ucraniano.
No meu país há um provérbio que diz que "quem a ferros mata, a ferros morre" e, infelizmente para si, não merece qualquer outro destino que não seja esse, o de conhecer um pouco do inferno de que o senhor se tornou autor.
Einstein, mundo perigoso
No decurso destes últimos dias tenho-me lembrado, com muita frequência, desta citação de Albert Einstein.
Com a televisão ligada a maior parte do tempo, é com uma grande angústia e uma enorme revolta que vamos ouvindo e assistindo às constantes notícias, reportagens e cenários de dor e de destruição causados por uma guerra completamente estéril, bárbara e totalmente irracional num mundo que, também ele, parece aceitar, pactuar e embarcar na mesma irracionalidade.
Doi-me a alma, e o coração e o pensamento sempre que vejo e ouço o Presidente Volodymyr Zelensky, um exemplo de uma heroicidade que eu pensava não existir mais, de amor à sua Pátria e aos valores a que a mesma aspira, suplicar a ajuda e intervenção das potências e países de cujo apoio tem estado dependente.
Os mesmos países e potências que, muito embora respaldando-o, se permitem seleccionar o tipo de ajuda e apoio que prestam enquanto, simultâneamente, vão assistindo, não serenos mas impávidos, a um rasto de destruição e ao prolongar de um sofrimento que aumentam de dia para dia na sequência dos consecutivos e inqualificáveis ataques contra um país - a Ucrânia - cidades e populações que se sentem e estão, de facto, exclusivamente entregues a si próprias, nos diferentes cenários internos de guerra.
Um povo e uma Nação que tem mostrado ao mundo inteiro ser de uma coragem e resiliência exemplares (mesmo notáveis!) e que tem estado a ser vítima de gravíssimas violações do Direito Internacional, de uma sistemática amálgama de irregularidades e atentados aos mais básicos Direitos, não só humanos como civilizacionais ...
Glória à Ucrânia e ao povo Ucraniano!
Março 05, 2022
Leonard Cohen, The Partisan
Crimes de guerra: permitir agora, para julgar depois
Permitir agora, para julgar e castigar depois!
Guerra nossa, sangue nosso.
A mim, que "fervo em pouca água" e sempre procuro abreviar situações problemáticas parece-me cínico, mesmo obsceno, não só permitir como assistir ao prolongar de uma guerra que de dia para dia vai ceifando mais vidas, destruindo, traumatizando e desestruturando mais famílias, criando mais orfãos e devastando mais território.









