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A Taça de Chá

« Nan-in, um mestre japonês do séc.XIX recebeu, um dia, a visita de um professor universitário americano interessado em obter mais informações sobre a filosofia Zen.
Enquanto Nan-In preparava silenciosamente o chá o professor entretinha-se a dissertar sobre os seus próprios pontos de vista filosóficos. 
Assim que o chá ficou pronto, Nan-in começou a verter, muito suavemente, a bebida a ferver na taça do seu visitante. 
O professor não parava de falar. E Nan-In continuou a verter o chá até que a taça transbordou. 
Alarmado ao ver como a bebida se espalhava pela mesa, arruinando a cerimónia do chá, o professor exclamou:
- Mas, a taça está cheia!… Não conterá sequer uma única gota a mais!
Tranquilamente Nan-in respondeu:
- O professor é como esta taça, já está cheio das suas próprias opiniões e especulações.
Como poderei falar-lhe do Zen se ainda não começou por se esvaziar a si próprio? »

Philosophie et Spiritualité
Tradução e adaptação: Maria M. Abreu

Conto Zen, ensinamento de Buda

« Um mestre zen chinês chamado Roshi - que significa “ninho de ave”- era assim chamado porque meditava, frequentemente, em cima de uma árvore.
Um dia, o governador da região decidiu fazer-lhe uma visita, para o conhecer, e ele encontrava-se precisamente em cima da árvore.
Assim que o governador o encontrou, disse-lhe:
- Mas que lugar perigoso o senhor escolheu para meditar.
O Mestre Roshi respondeu-lhe, então:
- O lugar em que está é bem mais perigoso que o meu.
O governador retorquiu:
- Sou o governador da região, não vejo onde está o perigo.
E o mestre respondeu:
- Então é porque o senhor não se conhece bem.
Quando arde o fogo das paixões e a mente se agita, é muito grande o perigo.
O governador perguntou:
- Qual é, então, o ensinamento budista?
Roshi começou a recitar um sutra de Dhammapada:
"Não cometas más acções. Pratica somente o bem. Mantém o coração puro.
Este é o ensinamento de Buda."
Depois de ouvir a mensagem o governador, pouco impressionado, respondeu:
- Qualquer criança de três anos sabe isso.
O mestre retorquiu, finalmente:
- Talvez assim seja, mas nem um homem de oitenta anos é capaz de o cumprir.»

Tradução e adaptação
Maria M. Abreu

Nas tuas mãos, conto budista

« Um rapaz apanhou um pequeno pássaro e segurou-o atrás das costas. Depois perguntou ao seu Mestre:
- Mestre, a ave que eu tenho nas minhas mãos, está viva ou morta?
O rapaz estava convencido de que esta era uma grande oportunidade de pregar uma partida ao velho Mestre.
Se este respondesse que estava morta, libertá-la-ia e deixá-la-ia voar.
Se o velho Mestre respondesse que estava viva, ele simplesmente lhe torceria o pescoço.
O Mestre respondeu, então:
- A resposta está nas tuas mãos!»

Ilustr. Lou Dahua, "Birds and bamboo"

Tradução e adaptação
Maria M. Abreu

Dominando a cólera, conto budista

"Um discípulo da filosofia Zen disse, um dia, ao seu Mestre:
- Mestre, eu tenho um temperamento incontrolável. Por favor, ajude-me a libertar-me.
- Tu tens algo muito estranho! - disse o Mestre - Mostra-me o que é.
- Não posso mostrar-lhe agora - respondeu o discípulo.
- E porque não? - perguntou o Mestre
- Porque surge repentinamente...
- Então não pode pertencer à tua própria natureza - disse o Mestre - Se pertencesse, serias capaz de o mostrar em qualquer altura.
Porque é que permites que algo que te não pertence perturbe a tua vida?...
A partir desse momento, sempre que o discípulo sentia estar prestes a zangar-se, lembrava-se das palavras do seu Mestre e procurava controlar a sua cólera.

Com o tempo, ele desenvolveu um temperamento calmo e sereno."

Tradução e adaptação
Maria M. Abreu