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A Verdade e a Mentira, Conto Africano

 "En Afrique, chaque fois qu´un vieillard meurt, c´est une bibliothèque que brûle."

Amadou Ampaté Bâ

«Deus decidiu, um dia, criar todas as coisas, as boas e as más.
Criou a noite e o dia, o direito e o avesso, a lua e o sol, o alto e o baixo; e assim, a cada objecto e situação foi criado o seu contrário.
A Verdade foi criada grande, majestosa, de uma beleza incomparável. Por seu lado, a Mentira, era pequena, feia e doentia.
Deus, na sua grande bondade, deu à Mentira uma faca de mato para que melhor se pudesse defender e ter as mesmas oportunidades que a Verdade; depois enviou-as para o mundo.
Verdade e Mentira foram, cada uma, para o seu lado, caminhando e andando.
As pessoas preferiam ouvir a Verdade, era tão atraente pela sua beleza e, com ela, tudo era tão límpido!
A Mentira, rejeitada, começou a sentir crescer, dentro de si, ciúmes e raiva contra a Verdade.
Um dia, decidiu esperar pela Verdade num caminho escondido e provocá-la.
Irrompeu uma briga entre os dois opostos da Palavra
A Verdade, mais forte e mais resistente ficou em vantagem mas, demasiado confiante, distraiu-se. 
A Mentira, então, aproveitou esse momento de distracção para lhe cortar a cabeça, com a sua faca de mato.
A Verdade, atordoada, cega, procurou às apalpadelas a sua cabeça, a fim de a voltar a colocar no seu corpo. Procurando febrilmente o seu belo rosto acabou por sentir uma cabeça sob os seus dedos e, com uma rapidez e força insuspeitas puxou-a para si e colocou-a no seu corpo.
Mas … foi a cabeça assustadora e feia da Mentira que, na sua cegueira, também tinha decapitado.

Andando e caminhando a Verdade anda pelo mundo com a cabeça imunda da Mentira e a Mentira com a bela e altiva cabeça da Verdade … e os homens já não conseguem distinguir a verdade da mentira

Que confusão!

Ilust. Google, Conteur africain

Graphomage
Tradução e adaptação
Maria M. Abreu

Tolba Phanem, Lembra-te da tua canção

« Quando uma mulher de uma determinada tribo Africana sabe que está grávida vai para a selva com outras mulheres e, juntas, rezam e meditam até ouvirem a "Canção da criança".

Quando nasce uma criança a tribo reúne-se e, em conjunto, cantam à criança a sua canção - a "Canção da criança".
Quando a criança inicia a sua educação a aldeia junta-se e canta a "Canção da criança".
Quando chega o momento da passagem à idade adulta, as pessoas juntam-se, de novo, e cantam. Chegada a hora do casamento a pessoa ouve, novamente, a sua canção.
Finalmente, na hora da morte, a tribo reúne-se e, tal como fizeram na altura do seu nascimento, cantam a "Canção da pessoa" com o objectivo de a acompanhar na sua "viagem".
Nesta tribo Africana existe uma outra ocasião em que os membros cantam para a criança.
Se, no decurso da sua vida, a pessoa cometer um crime ou um acto social aberrante, toda a tribo se reúne em circulo à volta dela e canta a sua canção.
A tribo reconhece que a correcção para o comportamento anti-social se não faz através da punição, mas através do amor e reconhecimento da sua verdadeira identidade.

Quando conhecemos/reconhecemos a nossa própria canção não sentimos a necessidade ou o desejo de prejudicar seja quem for.

Os teus amigos conhecem a "tua canção". E cantam quando te esqueces dela.
Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometeste, ou pela má imagem que dás de ti próprio/a.
Eles lembram a tua beleza, quando te sentes feio/a, a tua integridade, quando te sentes quebrado, a tua inocência quando te sentes culpado, e os teus objectivos quando te sentes confuso/a.»

Tolba Phanem (African poet)

Tradução e adaptação
Maria M. Abreu
(Setembro 17, 2018)

Com a sempre constante preocupação na defesa e preservação da verdade e autenticidade de tudo e de todos descobri, entretanto e passados estes anos, o blogue abaixo referenciado contestando não só a autoria como a subjectividade e veracidade desta "Canção da criança" e da mensagem que procura transmitir.


De qualquer maneira, como sempre gostei da filosofia que lhe está subjacente, e encontro na mesma elementos muito positivos e dignos de reflexão, resolvi não prescindir desta publicação.