Hierarquia e respeito

 
Nasci e cresci no seio de uma sociedade hierarquizada, a começar pela família e a prolongar-se, naturalmente, no exterior dessa célula básica.

Para além de não ter ficado nem me ter nunca sentido traumatizada, sinto-me eternamente agradecida pelo investimento feito em mim pelos meus pais, tanto em termos morais como materiais, atendendo ao conforto que sinto e de que gozo por me sentir bem na minha pele e saber ocupar o meu lugar seja onde for, com quem for e em que circunstâncias estiver.

Essa mesma estrutura hierarquizada, que se manifestava através da idade (respeito pelos mais velhos e pela sabedoria que era suposto estar-lhes associada), da posição social, profissional e por aí adiante, tinha por base o respeito e a consideração pelos diferentes tipos de pessoas com as quais convivíamos e pelos valores que lhes estavam associados enquanto agentes sociais.

O respeito, enquanto sentimento e bússola norteadora do comportamento em sociedade esteve, assim, na base da educação que me foi dada e que procurei, afincadamente e com sucesso, transmitir aos meus filhos.

Essa consideração pelo outro, pela sua postura individual, pela sua actividade e pelo que era subjacente aportasse à sociedade estava, esteve e continuo a acreditar deva continuar a estar na base de toda e qualquer relação social que se pretenda frutífera e harmoniosa.

Ilustr. Google

Sadiel Gomez, Ollie

 

"Ollie tells the story of the daily life of a dog at the beginning of the first wave of the COVID-19 pandemic. The dog realizes that his human has stopped leaving the house for work in the morning. He feels extremely happy that his human stays in the house all day, every day with him. But one day, the human becomes very sick and suddenly is gone. The dog stays alone for many days without knowing if his human will return."

Sonny Boy Williamson, Help Me

 

A bem da Nação, privatizem-se os serviços públicos I

 
A bem do normal funcionamento do país, da desejável e necessária articulação entre os diferentes serviços, do estrito cumprimento dos propósitos que subjazem à sua criação e existência, da justificação dos salários e privilégios que auferem e que são pagos por todos nós, é urgente uma intervenção imediata junto destes serviços e respetivas repartições públicas que grassam pelo país, de forma a acabar com os abusos instalados na sequência dos anos da Pandemia.
Os atendimentos por marcação, em pleno horário normal de funcionamento são uma aberração, constituem um gravíssimo atentado à fluidez e produtividade nos diferentes serviços, demonstram um total desrespeito pelo público e cidadãos em geral e servem, apenas, os interesses daqueles que neles se refugiam.
Se o Estado não tem capacidade para disciplinar e avaliar os seus serviços e funcionários e exigir das suas prestações o que deveria ser expectável então, apetece dizer, melhor será entregar as suas competências a privados.
Talvez, assim, se evitasse o despautério de chegarmos a uma repartição pública, de província, completamente vazia e em pleno horário de funcionamento e sermos mandados embora porque, após a hora de almoço, só se fazem atendimentos por marcação.